sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

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Quando chegamos a Orlando rapidamente fomos ver o Raymond no Peabody Hotel. Enquanto estivemos lá no seu quarto, todos os garotos se reuniram com o Edgardo, Joselo e Marilyn Pagan. Nós nos sentamos em duas poltronas confortáveis e nos mantivemos calados. Em um momento que o Edgardo estava do meu lado lhe disse:
"Oi Edgardo, tu soubeste que o Rafael está tentando reabrir o caso do Víctor Junquera. Creio que a justiça se interessou, já que casos de morte não prescrevem."
Edgardo ficou pálido e parecia que não conseguia falar. Sem dizer nada chamou o Jiménez para o outro quarto onde estiveram conversando por meia hora. Não voltei a ver o Jiménez e quando perguntei sobre ele, me disseram que o haviam mandado a Porto Rico para um assunto importante. Edgardo foi para Miami antes do show do Hotel Peabody. Creio que sem querer com a minha notícia tinha precipitado inúmeros eventos que culminaram na próxima semana quando recebemos uma ligação da Genoveva no nosso hotel, no domingo cedo:
"Magaly, quem esta falando é a Geno. Olha tenho que te dar uma notícia. Garota acaba de sair no jornal que o Edgardo vendeu o Menudo para uma companhia Panamenha, por $500.000."
"¡Mas como ele fez isso!, Geno, se acabamos de estar com o Edgardo aqui em Orlando e ele não nos disse nada."
"Mas escute outra coisa, a Padosa acaba de declarar falência, liquidação total, creio que isso é o Capítulo 7 ou algo assim. Eu liguei para a Dona Panchi e ela me assegurou que isto não vai afetar em nada os bebês e que o dinheiro deles está seguro."
"A verdade é que não sei o que pensar, isto nos pegou de surpresa. Eu vou passar o telefone para o meu esposo, pois ele quer te perguntar algo."
"Olá Genoveva, olha se você tiver o artigo aí, leia-o pra mim, por favor."
Genoveva me leu o artigo completo. Entre as coisas que mais me chamou a atenção foi o detalhe, de que esta companhia, Bereford, que "supostamente" tinha comprado o Menudo, havia feito isto desde o mês de maio de 1987. Já fazia mais de um ano que o Menudo pertencia a uns investidores estrangeiros. A grande surpresa foi que o presidente dessa firma de investidores era nada menos que José A. Jiménez. Rapidamente minha mente começou a calcular. Se a Padosa havia vendido o Menudo há um ano então ¿Por que nos fizeram mudar a estrutura de pagamento nos contando uma história triste de ajuda e cooperação com a Padosa? Isso queria dizer que nos pegaram como uns tontos e nos mentiram novamente. Se a Bereford era realmente a nova dona do Menudo, ¿por que não houve uma mudança de contrato ou algum tipo de renegociação? Eu calculei que cada garoto por ter mudado o sistema de pagamento para a porcentagem havia perdido aproximadamente $60.000,00 em salários. Com a falência da Padosa, e nossos contratos estando ainda no nome desta, as cláusulas que protegiam os garotos não eram válidas. Todos os direitos autorais que não haviam pagado até o momento da falência e que eram muitos, os garotos os perderam completamente. Toda pessoa que sabe um pouco de negócios sabe que quando se adquire uma companhia, esta geralmente, está limpa de toda dívida e livre também para renegociar os contratos existentes e reorganizar completamente a estrutura dessa companhia. A promessa de seis meses de porcentagem ao sair do Menudo também era uma grande mentira que o Edgardo utilizou para suavizar os nossos ânimos e tranquilizar-nos.

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O Menudo viajaria aos Estados Unidos essa semana para na sexta-feira apresentar-se no Peabody Hotel em Orlando, Flórida. De lá viajariam a Fort Lauradale, Miami, Texas e Califórnia. Magaly e eu decidimos tirar umas férias em Orlando e levar a nossa filha Glorily para ver as atrações. Glorily tinha completado nove anos de idade e tinha visto a Disney, Epcot e as outras atrações quando tinha apenas seis anos. O Menudo saiu na terça-feira e nós estávamos agendados para ir na quarta-feira. No mesmo dia que o Menudo se foi, Néstor Rivera foi a minha casa para se despedir de nós.
"Acevedo, tenho que te contar algo importante. Me disseram que o pai do Ralphy está tentando conseguir que o Departamento de Justiça reabra o caso do Víctor Junqueras. Creio que conseguiu que eles tomassem em consideração a possibilidade de revisar este caso."
"Cara isso sim seria um escândalo. ¿O Edgardo, já sabe disso?"
"Não sei, mas imagino a cara que ele vai fazer quando alguém contar."
"Bom eu vou vê-lo na quinta-feira assim que se ninguém contou, eu vou contar."
O pai do Ralphy tinha feito uma coletiva de imprensa há pouco tempo para atacar o Edgardo e o chamou de homossexual. E desafiou o Edgardo a fazer um exame de detector de mentiras e que ele arcará com os gastos. Sugeriu que fizessem a seguinte pergunta ao Edgardo “¿Você já fez sexo com algum membro do Menudo?”. A imprensa não deu muita importância ao Rafael devido ao fato de que quando seu filho abandonou o Menudo, ele escreveu uma carta louvando o Edgardo, a Dona Panchi e o Joselo. Cinco meses depois é que ele decide falar. Ninguém da imprensa lhe levou a sério, acima disso, a imprensa porto riquenha continuava com sua balança inclinada para o Edgardo e suas explicações. Apesar de o Rafael ter um bom argumento saiu derrotado diante da maquina publicitária do Edgardo Díaz.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

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O incidente mais espantoso e que mais nos encheu de temor e preocupação aconteceu depois do último show nesse fim de semana. Quando fui ao camarim para felicitar os garotos e em especial o Raymond, pois ele teve vários momentos em que foi ovacionado por suas interpretações, especialmente "Flor De Coral", de Papo Gely, a qual foi escrita especialmente para que o Raymond a cantasse. Quando chegava ao camarim Jiménez chegou perto de mim e me disse que queria falar comigo:
"Olha Acevedo, tenho uma notícia muito ruim para te dar e o Edgardo está muito ferido para te falar ele mesmo, mas quer que eu te assegure que ninguém vai saber nada disto. Nós só queremos que você saiba para que veja que o Raymond é um moleque de duas caras. Contigo ele é uma coisa e no grupo ele é outra."
"Jiménez, termine de me contar o que vai me dizer, pois isto está me cheirando muito mau e não estou gostando nada disso."
"Não se altere que realmente não é nada tão ruim, mas, se outras pessoas descobrirem, seu filho poderia prejudicar-se. Olha, o Joselo mandou a Ramona (amiga e ajudante do Joselo) ver se tinha umas meias da cor preta na bolsa do Raymond. Inadvertidamente a Ramona encontrou um cone de Maconha na carteira, eu diria que aproximadamente cinco ou seis “baseados”, dentro da bolsa."
"¡Jiménez veja bem, pois o que você está me contando é muito sério! ¿Onde está a maconha?"
"Nós a entregamos ao Edgardo. Não queríamos que ninguém descobrisse."
"Olha, não me faça falar mal..., Mas isto parece uma cilada. Primeiramente, ¿quem deu permissão para a Ramona mexer na bolsa do meu filho? E segundo alguém que tem algo assim em sua bolsa, especialmente se o deixa onde alguém pode encontrá-lo, vai esconder dentro de alguns sapatos ou de alguma peça de roupa. Assim que por casualidade que a Ramona vai diretamente à carteira e encontra esse cone, depois sem saber o que é, tira de lá e o entrega ao Joselo, este em vez de vir até mim, vai dar a “queixinha” ao Edgardo que apenas te manda vir me contar. ¡ Garoto! Nem o Médico Chinês acreditaria nisso!"
"Acevedo o que acontece é que você tem uma fé cega no seu filho e não vê a realidade. Seu filho tem um problema e não queremos que se queime e que todo mundo saiba, por isso venho te contar."
"Olha Jiménez, se quiser ligue para a polícia, ou para a imprensa, ou pra quem te dê na telha. Se vocês acham que com isso vão me manter preso e submisso estão equivocados. Se algum dia me der vontade de falar isso não vai me segurar em nada. Eu não me amedronto facilmente e meu filho também nem um pouco."
"Eu cumpri com minha obrigação de te comunicar. O resto quem decide é você."
"Vamos deixar assim, Jiménez, pois isso realmente já chegou muito longe. Eu vou investigar tudo a respeito."
Deixei o Jiménez no corredor da escada de emergência que dava acesso aos pisos superiores, onde conversamos, e me dirigi ao camarim. O Raymond estava se vestindo, quando lhe interrompi.
"Raymond, necessito falar com você."
"Diga papai." Lhe expliquei o que tinha acontecido e enfurecido ele me disse:
"Papai te juro que eu não coloquei isso aí. Esta tarde o Papo Tito estava me oferecendo "Erva" e mencionou que tinha um cone. Assim que eu aposto que foi ele que a colocou lá dentro. Me dói muito que o Edgardo esteja tentando me chantagear com algo, já que não tem nada mais para me pegar. Olha papai, primeiramente, ¿quem deu permissão para procurar na minha carteira e segundo se isso estivesse lá, que demônios lhe disse que era meu e quem acima disso, deu permissão para tirá-lo da minha carteira? Se estava lá, então, era algo privado meu e não tinham nenhum direito de tirá-lo de onde estava. ¡Não, papai! Isto é uma "cama de gato". ¡Querem me pegar em algo, mas não vão conseguir! "
"Eu acredito em você filho, eu me fiz as mesmas perguntas. Também lhe adverti que nada do que alegam ter acontecido vai me calar em nada de nada. Olha, não quero que sua mãe saiba disto porque vai ser motivo de preocupação e ela já está bastante nervosa."
Entrou em mim um temor de que iam fazer alguma armadilha para o Raymond para poder controlá-lo. Já que eles sabiam que em setembro o Raymond saía do grupo e não queriam que ele saísse falando tudo o que sabia. Teria que ter um cuidado imenso com o Raymond, pois sim isto era um exemplo do que o Edgardo se referiu, "ele não sabe quem eu sou", então o Raymond tinha que estar alerta. Tentei persuadi-lo pra que ele deixasse o grupo naquele momento, mas se recusou dizendo que ele queria cumprir o tempo que o Edgardo havia estipulado para que depois não pudesse dizer que deixou o grupo para prejudicar o Menudo, como geralmente ele diz nessas ocasiões.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

página 184



Como disse antes fizeram caso omisso das nossas "solicitações". Um dia antes dos shows no Bellas Artes a Genoveva, a Nereida, a Magaly e eu nos apresentamos nos escritórios da Padosa. O edifício onde funcionava a Padosa foi penhorado pelo banco e o escritório mudou de lugar. Agora se encontrava em frente ao estacionamento do Banco Popular de Porto Rico na Avenida Ponce de León, Hato Rey. Ao mesmo tempo a Mansão de Orlando foi vendida, sendo que supostamente ela pertencia ao Edgardo e não a Padosa.
Ao ver todos os pais no escritório os contabilistas Sara e Tony alarmaram-se muitíssimo reclamando que não havia dinheiro para pagar o que se devia a todos os garotos o que somava aproximadamente $90.000. Quando a Nereida disse que ela ia buscar o Ricky no Bellas Artes e que se acabava o Menudo todos nós também respaldamos a ação com nossa própria intenção de seguir o exemplo. Não sei como, nem quem, mas avisaram para o Edgardo o que estava acontecendo e ele apareceu no escritório com um cheque para cobrir a dívida. Sei que seu evidente aborrecimento não era pelo dinheiro, mas sim por ter sido desafiado e ameaçado. Subia uma soberba no Edgardo quando alguém o ameaçava e esta era uma batalha perdida, pois éramos quatro contra um. Este ato marcou a primeira vez na história do Menudo, que uma situação desta índole ocorreu, onde a união dos pais se sobrepõe a astúcia do Edgardo.
O ambiente no Bellas Artes era bem hostil e até haviam falado que o Edgardo queria impedir a entrada dos pais nos camarins. O Advogado Orlando López o impediu de fazer isto dizendo que era melhor que mantivesse os pais felizes e continuasse com seu negócio que era o Menudo. Um amigo meu estava no escritório de Orlando López enquanto acontecia esta conversa. Edgardo disse referindo-se a minha pessoa:
"Este, seja hoje de manhã ou no futuro, vai saber quem eu sou. Desde que seu filho entrou no Menudo tanto ele como o garoto tem sido uma verdadeira espinha atravessada na minha garganta. Isto não vai ficar assim. Não soube desta conversa até meu filho ter saído do Menudo, um mês e meio depois."

página 183



Despedimo-nos dos pais do Rubén e prosseguimos a reunião. Cada um de nós tinha as mesmas queixas e preocupações. Preparamos um esboço para preparar uma carta que se enviaria ao Edgardo e a Dona Panchi registrada e com aviso de recebido. A carta mostrava os 7 pontos que prossigo descrevendo exatamente segundo foi redigida.
1. Desejamos que fosse paga toda dívida salarial incluindo todos os direitos autorais acumulados até o dia 30 de setembro de 1987.
2. Desejamos que fosse paga toda dívida com respeito aos direitos autorais acumulados do último trimestre de 1987.
3. Desejamos que fosse paga toda dívida com respeito aos honorários, porcentagem e direitos autorais atrasados durante o primeiro trimestre de 1988.
4. Desejamos uma avaliação de desempenho profissional e por escrito do estado que se encontram nossos filhos com respeito a seus estudos acadêmicos e que se tomem as decisões necessárias para colocá-los em dia.
5. Desejamos solicitar que de agora em diante ao finalizar cada trimestre, nos deem um informe detalhado dos honorários e dos direitos autorais e que se faça o pagamento destes.
6. Desejamos solicitar que ao final de cada trimestre nos dê uma avaliação escrita do professor que estiver cuidado do ensino dos meninos para estar em dia com seus estudos acadêmicos.
7. Desejamos solicitar que nos ponham em dia a respeito de nossos novos contratos e aquelas mudanças e/ou adicionais que correspondam aos acordos tomados na reunião de pais de 30 de setembro de 1987.
Não preciso nem dizer que nenhuma destas solicitações foi respondida. Eu queria usar uma linguagem um pouco mais exigente como demandamos, requeremos etc., mas os outros pais optaram por um enfrentamento mais sutil. Dentro do discutido se falou dos shows do Bellas Artes que se aproximavam. Nereida disse claramente que se a Padosa não pagasse tudo o que devia ao Ricky este não estaria participando destes shows. Unanimemente decidimos dar até um dia antes do primeiro show para cumprirem com a carta ou retiraríamos todos os garotos.