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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

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Apesar da alegria, estávamos envolvidos numa nuvem de incertezas e interrogações que não conseguíamos dissipar. Mesmo sem dizer nada cada um de nós sabia o que o outro pensava. Não foi preciso muito tempo e nós rompemos o silêncio.
¿"Você acredita que a Padosa nos explique detalhadamente tudo o que temos que conseguir (buscar ou comprar) para o Raymond usar em suas viagens e o que vão fazer com seus estudos?" Perguntou Magaly.
"Eu imagino que sim. Vou descansar hoje e amanhã estarei grudado como chiclete no escritório da Padosa averiguando tudo. Pra falar a verdade não vi nenhuma tentativa de explicação sobre esse ponto da educação."
"É isso que te digo, me sinto como se fôssemos uns estranhos intrometidos e não os pais de um Menudo e ainda mais do novo Menudo."
"Não podemos colocar a carroça na frente dos bois, vamos esperar para ver o que acontece, mas te garanto que as coisas têm que ser bem claras, pois não vou a aceitar nada menos que isso."
Já eram 8:30 da noite quando Raymond ligou para dizer que chegaria bem tarde pois iam gravar uma canção ou pelo menos pôr a voz em uma. Nós demos a notícia de que havíamos assinado o contrato e ele me disse que o Edgardo já havia dito isso a ele.
"Ligue-me quando estiver quase pronto para sair para eu ir te buscar."
"Papai não sei se eles vão me levar ou se você tem que vir me buscar, se precisar eu te ligo."
Pela primeira vez senti um pouco de ciúme desta situação. Meu filho sempre dependeu de mim e era difícil pensar que agora ele dependia de outras pessoas e que eu passava para o segundo plano. Afastei esse pensamento e continuei vendo televisão.
Meu pensamento havia tomado um rumo independente, pois não podia deixar de pensar na pouca importância que esta gente do Menudo havia dado para nós que éramos novos nisso. Pensei que pelo menos seria legal receber uma ligação do Edgardo ou de Marilyn Pagan. Estranhei que Rosita Lugo também não nos ligou. Era como se o que aconteceu fosse uma coisa tão normal que não tinha a menor importância. Realmente comecei a sentir-me confuso e frustrado diante disso tudo. Parece que o ciúme junto com a falta de orientação haviam me deprimido um pouco. Não quis demonstrar para minha esposa ainda que ela tenha percebido.
Raymond ligou perto de uma hora da manhã e nos disse que Joselo o levaria para casa, pois iam gravar bem tarde até amanhecer. Nós não gostamos dessa ideia de que nessa hora da noite nosso filho estivesse na rua, mas este era um novo jogo com novas regras e nós éramos os novos jogadores. Minha esposa e eu não pudemos dormir já que era bem difícil assimilar tanta mudança em pouco tempo e ao mesmo tempo tanta incerteza.

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