Páginas

sábado, 28 de janeiro de 2017

página 169



Meu filho queria ir a Miami para ver um show da Madona que aconteceria durante este período e estava me pedindo permissão para ir com um guarda-costas. O Edgardo me avisou que este guarda-costas era famoso por usar maconha e que não o recomendava para o evento. Assim peguei um avião e fui a Orlando para levá-lo. Em Orlando percebi que existia um problema com o Raymond que estava muito silencioso e ninguém queria me informar. Depois de exercer muita pressão soube que o Raymond estava saindo de noite sob qualquer pretexto e regressando muito tarde. Aparentemente estava saindo com uma garota mais velha que ele. Isto não era surpresa para mim, pois desde que o Raymond entrou no Menudo absolutamente todas as mulheres que vieram a ter esse tipo de contato com ele eram muito mais velhas que ele. Na Argentina teve uma de 29 anos e outra de 24. Ninguém sabe o porquê, mas tinha essa habilidade de ser atrativo para as mulheres mais velhas. Desta vez era uma Argentina residente em Orlando. Eu vi de duas formas. Primeiramente achei saudável no sentido de que me confirmava que meu filho não tinha tendências homossexuais, e ao contrario ele gostava muito das mulheres. A segunda coisa que eu via era que o controle e a responsabilidade dos passos do meu filho dentro e fora do alcance deles estavam nos ombros do Edgardo. Este deixava todos estes assuntos com o Joselo e a Marilyn que quando se viam em problemas corriam para fazer queixas com ele. Este se incomodava e sua tática era ameaçar de tirá-los do grupo, coisa que já havia expressado sobre o Raymond. Decidi enfrentar o Raymond e a todos os que de uma forma ou outra tinham alguma queixa dele. O Joselo não quis dizer nada na frente do Raymond e voltou atrás em tudo que disse. A Marilyn não disse nada e tão pouco tinha queixas, exceto que o Raymond pegava coisas emprestadas sem pedir. Sobre isto o Raymond respondeu que eles sabiam muito bem que muitas das roupas que usavam nos Shows eram dele e que nunca disse um não para ninguém que queria usar sua roupa e que não tinham que pedi-las a ele. O Edgardo foi o único que teve várias queixas que realmente não tinham muita importância, e todas tinham a ver com o insistente caráter interrogativo do Raymond que tudo questionava e pedia explicações para ele.
“Edgardo tu me perdoas, mas sou eu que tenho que subir no palco e me render ao trabalho. Eu quero fazer bem para que tu não venhas me criticar como costumas fazer. Eu vou perguntar até estar seguro do que é que tu queres e estar completamente seguro antes de fazer qualquer coisa.” Disse o Raymond.
Eu perguntei ao Papo Gely como já tínhamos estabelecido uma boa amizade, o que ele observava que acontecia com o Raymond. Este me respondeu:
“Olha Acevedo, o problema não é o Raymond em si. Mas sim que estas pessoas nunca tiveram um Menudo que tivesse coragem de desafiá-los e de dizer o que sente. O Raymond é um garoto honesto e não é um hipócrita e fala o que pensa sem pensar duas vezes. Você pode ficar muito orgulhoso dele, pois ele é bem “machinho” e não se deixa manipular. Se ele não gosta de algo ele diz na cara e se gosta ele diz também. Ele se veste sozinho e se penteia sozinho, é independente e bem sereno. É bem difícil saber como e o que é que ele está pensando. Ele é o único dos garotos que se demonstra muito interessado no ensaio da banda. Já demonstrou um genuíno interesse na música e seus sentidos. Este vai ser um bom músico, guarde o que eu te digo, pois carrega isso naturalmente.”
“Papo, ¿quero que me faça um favor?”
“O que você quiser Acevedo.”
“Vigie o Raymond quanto às drogas. Não sei se você sabe, mas ele já provou maconha. Você que já está no mundo muitos anos e até já usou drogas na sua juventude, você sabe os sintomas e as condições. Fale com ele e aconselhe-o, como se ele fosse seu irmão.”
“Olha, não se preocupe que disto eu me encarrego. Desde que ele se mantenha longe do Sergio e do Charlie não terá problemas. Este garoto Sergio algum dia vai cair com algo e o Charlie já que esta fora do Menudo acredita que tem uma carreira para recuperar tudo o que não fez enquanto esteve no Menudo e te digo que vai rapidamente. O Charlie começou uma amizade com o pianista Víctor Junquera e o Víctor ainda que não esteja neste momento, têm um fraco no "baseado". Eu me mantenho por perto e te garanto que qualquer coisa que eu detecte eu te direi.”
“Eu vou te agradecer, Papo, isto é algo que tem me deixado muito preocupado. Não me importa tanto as mulheres, ainda que com as doenças de hoje em dia é perigoso, mas é o menor de todos os problemas. O que sim, te peço é que ligue direto para mim em Porto Rico e não fale nada para o Edgardo.”
“Tudo bem, não se preocupe.”
Sentia-me um pouco melhor quanto à vigilância, pois o Edgardo não estava vigiando absolutamente nada e nesta idade os adolescentes necessitam desse tipo de fiscalização. Os outros membros do grupo também me disseram que manteriam o olho aberto se por acaso acontecesse algo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário