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domingo, 5 de fevereiro de 2017

página 193

No dia 2 de agosto de 1988, enviamos ao Edgardo a carta de renúncia pelo Joselo que ia para a Loma. Não teve nenhum tipo de comunicação do Edgardo nessa noite. Isso me preocupou um pouco, pois temia que ele se adiantasse e declarasse aos meios de comunicação que ele tinha eliminado o Raymond por alguma razão ou por outra. Para evitar que isto acontecesse liguei para a United Press International (*agência de notícias internacional que foi a pioneira em muitas áreas na cobertura e distribuição de notícias em todo o mundo) as 5:00 da manhã e lhes li um comunicado de imprensa:
"Por este meio desejamos comunicar-lhes que a partir de hoje, 2 de agosto de 1988, nosso filho Raymond Acevedo, deixa de ser um integrante ativo do grupo Menudo. Os eventos que ocorreram nas últimas semanas, junto com nosso interesse de que o Raymond se reintegre a seus estudos, que neste momento se encontram seriamente atrasados, nos motiva a tomar esta decisão que é de caráter imediato".
Rapidamente a notícia começou a espalhar-se como fogo por todos os meios. Na rádio se divulgou quase imediatamente o comunicado. O telefone começou a tocar as 7:00 da manhã. A imprensa queria saber mais e buscava conseguir entrevistas. O canal 24 de televisão, canal de noticias, me convidou para a uma da tarde fazermos uma entrevista ao vivo. Aproximadamente as 9:00 da manhã recebi uma ligação do Edgardo.
"Acevedo, ¿por que tu fizeste isto comigo?"
"Edgardo foi tu mesmo que fez não eu. Eu só sigo os desejos do meu filho. É ele que tu tens ofendido e maltratado psicologicamente e é com ele que tu tens que se entender."
"¿Tu já comunicou na imprensa?"
"Sim, esta manhã cedo." Nesse instante ouvi um suspiro e um "AHHH".
"Olha Edgardo conheço bem as tuas táticas e a forma que pensa, porque se tem algo que eu fiz foi aprender a te conhecer bem. Se eu não me adianto tu vais fazer alguma declaração negativa sobre meu filho ou de nós como família. Esse é o seu costume e não vou permitir que nos difames."
"Eu não faria isso, Acevedo. Diga-me, ¿que razão tu deste a imprensa?"
"Até este momento estou sustentando que nos retiramos por diferenças administrativas. Se nossa transição se levar a cabo em paz e harmonia então manteremos esta posição. Se tu ou um dos teus falar ou difamar o meu filho em alguma coisa e/ou os assuntos e o dinheiro que lhe correspondem não forem liquidados então me verei obrigado a dizer a verdade e tu sabes o que aconteceria se muitas dessas verdades viessem à tona. Só quero que meu filho se reintegre a seus estudos e a vida normal sem nenhum tipo de dificuldade e retaliação."
"Acevedo, nós já tínhamos planejado fazer uma despedida para ele e íamos lhe dar de presente um automóvel."
"Edgardo o Raymond não necessita de nenhum automóvel ou coisas materiais; o que ele necessita é ter sua tranquilidade e o respeito que ele merece. Necessita do reconhecimento por sua arte e a remuneração correta por seu trabalho, nem mais, nem menos. Eu sinto muito que isto tenha chegado a este extremo, mas vocês empurraram bem forte para que isto ocorresse."
”Bem Acevedo, o que se pode fazer."
Com estas palavras desligou o telefone sendo esta a última vez que falei com o Edgardo até um programa de televisão em Miami, Flórida, alguns anos depois. Só o vi uma vez frente a frente, e foi na inauguração de uma discoteca em Santurce, Porto Rico onde fomos convidados.


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