No dia 2 de agosto de 1988, enviamos
ao Edgardo a carta de renúncia pelo Joselo que ia para a Loma. Não teve nenhum
tipo de comunicação do Edgardo nessa noite. Isso me preocupou um pouco, pois
temia que ele se adiantasse e declarasse aos meios de comunicação que ele tinha
eliminado o Raymond por alguma razão ou por outra. Para evitar que isto
acontecesse liguei para a United Press International (*agência de
notícias internacional que foi a pioneira em muitas áreas na cobertura e
distribuição de notícias em todo o mundo) as 5:00 da manhã e lhes li um comunicado de imprensa:
"Por este meio desejamos
comunicar-lhes que a partir de hoje, 2 de agosto de 1988, nosso filho Raymond Acevedo,
deixa de ser um integrante ativo do grupo Menudo. Os eventos que ocorreram nas últimas
semanas, junto com nosso interesse de que o Raymond se reintegre a seus estudos,
que neste momento se encontram seriamente atrasados, nos motiva a tomar esta
decisão que é de caráter imediato".
Rapidamente a notícia começou a espalhar-se
como fogo por todos os meios. Na rádio se divulgou quase imediatamente o comunicado.
O telefone começou a tocar as 7:00 da manhã. A imprensa queria saber mais e
buscava conseguir entrevistas. O canal 24 de televisão, canal de noticias, me
convidou para a uma da tarde fazermos uma entrevista ao vivo. Aproximadamente
as 9:00 da manhã recebi uma ligação do Edgardo.
"Acevedo, ¿por que tu
fizeste isto comigo?"
"Edgardo foi tu mesmo
que fez não eu. Eu só sigo os desejos do meu filho. É ele que tu tens ofendido
e maltratado psicologicamente e é com ele que tu tens que se entender."
"¿Tu já comunicou na
imprensa?"
"Sim, esta manhã
cedo." Nesse instante ouvi um suspiro e um
"AHHH".
"Olha Edgardo
conheço bem as tuas táticas e a forma que pensa, porque se tem algo que eu fiz
foi aprender a te conhecer bem. Se eu não me adianto tu vais fazer alguma
declaração negativa sobre meu filho ou de nós como família. Esse é o seu
costume e não vou permitir que nos difames."
"Eu não faria isso,
Acevedo. Diga-me, ¿que razão tu deste a imprensa?"
"Até este momento
estou sustentando que nos retiramos por diferenças administrativas. Se nossa transição
se levar a cabo em paz e harmonia então manteremos esta posição. Se tu ou um dos
teus falar ou difamar o meu filho em alguma coisa e/ou os assuntos e o dinheiro
que lhe correspondem não forem liquidados então me verei obrigado a dizer a
verdade e tu sabes o que aconteceria se muitas dessas verdades viessem à tona.
Só quero que meu filho se reintegre a seus estudos e a vida normal sem nenhum
tipo de dificuldade e retaliação."
"Acevedo, nós já tínhamos
planejado fazer uma despedida para ele e íamos lhe dar de presente um automóvel."
"Edgardo o Raymond não
necessita de nenhum automóvel ou coisas materiais; o que ele necessita é ter sua tranquilidade e o respeito que ele merece. Necessita do reconhecimento por sua
arte e a remuneração correta por seu trabalho, nem mais, nem menos. Eu sinto
muito que isto tenha chegado a este extremo, mas vocês empurraram bem forte para
que isto ocorresse."
”Bem Acevedo, o que se
pode fazer."
Com estas palavras desligou o
telefone sendo esta a última vez que falei com o Edgardo até um programa de
televisão em Miami, Flórida, alguns anos depois. Só o vi uma vez frente a
frente, e foi na inauguração de uma discoteca em Santurce, Porto Rico onde
fomos convidados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário