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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

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Assim que escutei de outra pessoa, um expert na matéria, que confirmou o que, eu como pai, com todos meus prejulgamentos, havia determinado na noite anterior ao ouvi-lo cantar pela primeira vez. Foi neste instante que pela primeira vez me veio à ideia de que meu filho realmente poderia fazer parte desta lenda. Subiu-me um frio na costa arrepiando-me todos os cabelos, sentindo uma mistura de orgulho e medo ao mesmo tempo.
 Minha esposa Magaly e eu nos acostumamos a falar de diversos assuntos quando nos deitamos. Ficamos às vezes uma ou duas horas nesta pratica. Esta foi uma pratica altamente saudável para nosso casamento já que discutimos assuntos importantes do dia e assuntos que vamos lidar no outro dia com toda a privacidade. Nessa noite claro que o tema foi nosso filho e o Menudo. Falamos de como se complicavam as coisas de um momento para o outro e sem realmente ter buscado isso. Eu me fixei que Magaly demonstrava um pouco de negatividade apesar de não haver expressado. Notei uma preocupação profunda. Finalmente disse:
 “Não acredito que devamos dar-lhe muita importância a este assunto do Menudo, creio como você, que isso de Menudo é distante e improvável. Penso que se ele se entusiasma demais vai sofrer uma grande desilusão. ¿Você acredita que o bebê realmente possa chegar a fazer teste com esse grupo?” Me disse com lágrimas nos olhos:
 “Não sei meu amor, realmente, não sei, mas sim, que ele realmente canta lindamente.”: respondi-lhe, porém ainda pensando muito.
 Magaly se sentou na cama e me olhou firmemente e disse com voz forte:
 “¡Sim! Canta lindamente e mais, mas eu vou te dizer uma coisa, eu não acredito que possa suportar a ausência de meu filho nesta casa. Você imagina se ele  realmente chegar a ser aceitado no Menudo, eu acredito que morro de tanto orgulho, como de tristeza. Preocupam-me os rumores de que existem pessoas homossexuais de reputação duvidosa ao redor deles, e mais ainda, dentro da organização que os administra.”
“Bom negra, isso nós não sabemos, o ambiente artístico em Porto Rico e de onde saíram esses rumores homossexuais, pedófilos e drogas. Eu não descarto a possibilidade, mas são apenas rumores e vamos acabar com uma ilusão do nosso filho. Eu conheço alguns homossexuais que são pessoas muito decentes e amigáveis. A maioria mantém suas preferências muito escondidas.
 “Deixo o assunto nas tuas mãos, mas você sabe que não estou muito de acordo. Não estou muito feliz com todo este assunto, embora não queira que Ramoncito saiba.”
“Magaly você sabe que Ramoncito é um menino muito obstinado e quando ele se propõe a  fazer uma coisa ou outra, não descansa até conseguir fazer. Se ele está determinado a tornar-se um Menudo, eu temo que ele vai conseguir.”
 Continuamos falando sobre o tema durante duas horas. Não sabíamos neste momento que um ano e meio depois tudo o que conversamos, se transformaria em realidade. Este ponto marcou uma grande mudança em nossas vidas, uma mudança realmente drástica. Começou uma vida cheia de ilusões e emoções em massa. Nossas vidas se preencheram de um imenso orgulho por nosso filho e pelo Menudo.

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