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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

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Quando Raymond chegou disse que no outro dia viriam Repórteres e fotógrafos da revista Vea (*Ver) para fazer uma reportagem com nossa família. Ao perguntar se a revista Estrellitas tinha sido convidada me disseram que não e que tiveram muito cuidado com Néstor Rivera porque ele não gostava do Edgardo e sempre estava procurando coisas ruins sobre o Menudo. Imaginem que eu já tinha dado a reportagem exclusiva, ainda que o artigo dele saísse tarde comparado aos outros meios de noticia.
No outro dia de manhã chegou à repórter Helda Rivera Chevremont da revista Vea com seu fotógrafo. Fez-nos uma extensa entrevista e depois tirou fotos da família e do Raymond sozinho. Duas semanas depois na edição número 811, nas páginas 40 a 44 apareceu o artigo intitulado "Estavam Emocionados". Bem, se não estávamos na realidade, de certo lhes asseguro que agora sim estávamos. Ser notícia em uma revista de famosos era algo grande para nós e aumentava a febre de celebridade que nos invadia. Rapidamente mandei plastificar esse artigo e assim começou minha coleção de artigos e retratos de meu filho no Menudo.
Na entrevista que Helda fez com o Raymond lhe perguntou o que ele pensava de seus pais. Esta pergunta ela fez por conta própria independente e sem o nosso conhecimento e presença. A resposta dele foi espontânea, algo que caracterizou o Raymond durante sua carreira artística. A nota estava escrita assim:
“Raymond Acevedo Kercadó explica que sempre recebeu conselhos muito sábios de seu pai. Segundo o novo Menudo, as drogas e o desvio sexual são as maiores preocupações de seus progenitores”. Neste mesmo artigo Raymond expressa:
"Meu pai me disse que isso é como uma modalidade. Mas eles me ensinaram princípios básicos sobre a estrutura e o restabelecimento da união familiar"
Ao ler estas linhas me deu um pouco mais de confiança no meu filho. Estas expressões demonstravam que meus conselhos e esforços pelo menos haviam sido gravados no interior de sua mente. Confiava que no momento que ele tivesse algum tipo de contratempo ou dificuldade na tomada de decisão, estas palavras viriam à sua mente tão rápido como lhe vieram diante das perguntas da repórter. Nessa mesma semana saiu o artigo de Néstor Rivera na revista Estrellitas. Também foi recebido com a mesma emoção que o da revista Vea. Este também foi plastificado e se juntou a coleção de artigos plastificados que ficavam pendurados em uma das paredes do corredor de nossa casa. Em pouco tempo já tínhamos mais de 8 plastificados e uma placa, orgulhosamente pendurados ali.
As coisas começaram a acontecer mais rápido. Raymond conseguiu seu passaporte. Foi só dizer que precisávamos do passaporte rapidamente porque o menino era o novo Menudo, que se moveu meio mundo nos escritórios do Departamento do Estado Norte Americano. As secretarias correram para ver este afortunado menino e conseguir autógrafos para suas filhas. Era incrível, mas só de mencionar a palavra Menudo todas as portas se abriam de par em par.
Numa ocasião fomos aos escritórios da Padosa para levar uns papeis de permissão de trabalho, outorgados pelo departamento do Trabalho, e encontramos mais de 200 garotas aglomeradas em torno da porta de entrada da Padosa. Ao ver o Raymond todas “caíram matando” sobre o pobre garoto, que me olhava com pânico. Consegui levá-lo até a porta e colocá-lo dentro do prédio, mas não sem que algumas de suas peças de roupa fossem rasgadas pelas fãs. Tudo era muito emocionante. Até o fato de entrar nos escritórios da Padosa se transformava numa aventura. Só de me ver, as pessoas que trabalhavam lá, mudavam suas expressões faciais. Pareciam feras prontas para atacar ou pelo menos para defender-se. Era incrível o ar de desprezo que eu respirava nesse escritório. Toda pergunta que eu fazia se respondia com um "Eu não sei" ou "O Edgardo não me disse nada" etc. Dona Panchi sempre estava ocupada ou em reunião. A única pessoa que sempre me atendeu e de verdade sempre muito atenciosa foi Rosita Lugo.
Outra pessoa que foi muito atenciosa e que se transformou rapidamente em um amigo da família foi Tito Fuentes. Tito, como mencionei anteriormente, começou a trabalhar com a fábrica de camisetas Granna. Neste momento era sócio da loja adjacente dos escritórios da Padosa chamada, "5 Kids". Neste momento a Padosa já havia se desligado da venda de produtos do Menudo e havia cedido os direitos a Héctor Cruz e Tito Fuentes. Estes tinham a licença de distribuição e venda e eram os que agora cuidavam de tudo o que significasse produtos a nível mundial. Héctor Cruz, apesar de ser uma pessoa muito atenciosa, mas no seu caráter, fazia qualquer um ter mais cautela com sua confiabilidade, pois ele se blindava, pois sua lealdade era cega e absoluta ao Edgardo e Dona Panchi. Total, mas foi traído pela mesma maquinaria que tanto defendeu.

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