Quando
Raymond chegou disse que no outro dia viriam Repórteres e fotógrafos da revista
Vea (*Ver) para fazer uma reportagem com nossa família. Ao perguntar se a revista
Estrellitas tinha sido convidada me disseram que não e que tiveram muito
cuidado com Néstor Rivera porque ele não gostava do Edgardo e sempre estava
procurando coisas ruins sobre o Menudo. Imaginem que eu já tinha dado a reportagem
exclusiva, ainda que o artigo dele saísse tarde comparado aos outros meios de
noticia.
No
outro dia de manhã chegou à repórter Helda Rivera Chevremont da revista Vea com
seu fotógrafo. Fez-nos uma extensa entrevista e depois tirou fotos da família e
do Raymond sozinho. Duas semanas depois na edição número 811, nas páginas 40 a
44 apareceu o artigo intitulado "Estavam Emocionados".
Bem, se não
estávamos na realidade, de certo lhes asseguro que agora sim estávamos. Ser
notícia em uma revista de famosos era algo grande para nós e aumentava a febre
de celebridade que nos invadia. Rapidamente mandei plastificar esse artigo e
assim começou minha coleção de artigos e retratos de meu filho no Menudo.
Na
entrevista que Helda fez com o Raymond lhe perguntou o que ele pensava de seus
pais. Esta pergunta ela fez por conta própria independente e sem o nosso
conhecimento e presença. A resposta dele foi espontânea, algo que caracterizou
o Raymond durante sua carreira artística. A nota estava escrita assim:
“Raymond
Acevedo Kercadó explica que sempre recebeu conselhos muito sábios de seu pai.
Segundo o novo Menudo, as drogas e o desvio sexual são as maiores preocupações
de seus progenitores”. Neste mesmo artigo Raymond expressa:
"Meu
pai me disse que isso é como uma modalidade. Mas eles me ensinaram princípios
básicos sobre a estrutura e o restabelecimento da união familiar"
Ao
ler estas linhas me deu um pouco mais de confiança no meu filho. Estas
expressões demonstravam que meus conselhos e esforços pelo menos haviam sido
gravados no interior de sua mente. Confiava que no momento que ele tivesse
algum tipo de contratempo ou dificuldade na tomada de decisão, estas palavras
viriam à sua mente tão rápido como lhe vieram diante das perguntas da repórter.
Nessa mesma semana saiu o artigo de Néstor Rivera na revista Estrellitas.
Também foi recebido com a mesma emoção que o da revista Vea. Este também foi plastificado
e se juntou a coleção de artigos plastificados que ficavam pendurados em uma
das paredes do corredor de nossa casa. Em pouco tempo já tínhamos mais de 8
plastificados e uma placa, orgulhosamente pendurados ali.
As
coisas começaram a acontecer mais rápido. Raymond conseguiu seu passaporte. Foi
só dizer que precisávamos do passaporte rapidamente porque o menino era o novo
Menudo, que se moveu meio mundo nos escritórios do Departamento do Estado Norte
Americano. As secretarias correram para ver este afortunado menino e conseguir
autógrafos para suas filhas. Era incrível, mas só de mencionar a palavra Menudo
todas as portas se abriam de par em par.
Numa
ocasião fomos aos escritórios da Padosa para levar uns papeis de permissão de
trabalho, outorgados pelo departamento do Trabalho, e encontramos mais de 200 garotas
aglomeradas em torno da porta de entrada da Padosa. Ao ver o Raymond todas “caíram
matando” sobre o pobre garoto, que me olhava com pânico. Consegui levá-lo até a
porta e colocá-lo dentro do prédio, mas não sem que algumas de suas peças de roupa
fossem rasgadas pelas fãs. Tudo era muito emocionante. Até o fato de entrar nos
escritórios da Padosa se transformava numa aventura. Só de me ver, as pessoas
que trabalhavam lá, mudavam suas expressões faciais. Pareciam feras prontas
para atacar ou pelo menos para defender-se. Era incrível o ar de desprezo que eu
respirava nesse escritório. Toda pergunta que eu fazia se respondia com um
"Eu não sei" ou "O Edgardo não me disse nada" etc. Dona
Panchi sempre estava ocupada ou em reunião. A única pessoa que sempre me
atendeu e de verdade sempre muito atenciosa foi Rosita Lugo.
Outra
pessoa que foi muito atenciosa e que se transformou rapidamente em um amigo da família
foi Tito Fuentes. Tito, como mencionei anteriormente, começou a trabalhar com a
fábrica de camisetas Granna. Neste momento era sócio da loja adjacente dos
escritórios da Padosa chamada, "5 Kids". Neste momento a Padosa já havia
se desligado da venda de produtos do Menudo e havia cedido os direitos a Héctor
Cruz e Tito Fuentes. Estes tinham a licença de distribuição e venda e eram os
que agora cuidavam de tudo o que significasse produtos a nível mundial. Héctor
Cruz, apesar de ser uma pessoa muito atenciosa, mas no seu caráter, fazia
qualquer um ter mais cautela com sua confiabilidade, pois ele se blindava, pois
sua lealdade era cega e absoluta ao Edgardo e Dona Panchi. Total, mas foi
traído pela mesma maquinaria que tanto defendeu.
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