Neste período minha economia
pessoal estava bem precária. Meu negócio estava passando por uma crise
econômica devido à competição com múltiplos centros de cuidados que tinham se
estabelecido na aérea. Eu também tinha deixado meu negócio um pouco de lado por
causa do Menudo. A verdade era que eu tinha me envolvido tanto no Menudo que não
me dei conta que tinha muitos assuntos importantes para resolver. As coisas
ficaram bem difíceis e como eu não era um grande administrador de dinheiro eu
estava assistindo o barco afundar.
Raymond ao saber que estávamos
passando por dificuldades foi por conta própria conversar com Edgardo e lhe
expressou sua preocupação e desejo de ajudar. Recebi uma ligação do Advogado
Agosto que queria me ver e me pediu que eu trouxesse também a minha esposa nos
escritórios da Padosa. Ao chegar entramos no seu escritório e ele rapidamente
nos disse:
"Olha Ray, Edgardo
quer que os garotos estejam livres de pressões e preocupações para que possam
funcionar na sua habilidade máxima. O teu filho está bem preocupado já que vocês
têm uns problemas econômicos. Tem medo que possam perder o que têm e isso lhe
traria muita angustia."
"Tenho problemas,
sim, mas não sabia que ele se preocupava com isso. Parece que ele amadureceu
mais do que eu tenha percebido."
Com tudo isto Magaly começou a
chorar tanto de orgulho pela preocupação do Raymond, como pelo problema em si.
"Olha Ray, o teu
filho nos autorizou ou pelo menos nos expressou seu desejo, já que sendo menor
não pode autorizar, de que queria ajudá-los. O Edgardo autorizou que lhe
adiantássemos o equivalente a 6 meses de salário ou seja uns $18.000,00. Nós
então tiramos do seu salário a metade até que se pague a dívida. Isto também
se aplicará a qualquer regalia. Assim em
mais ou menos 6 meses ficamos em paz (saudamos a dívida)."
"Rapaz nem sei o que
te dizer, pois não era dessa forma que ele deveria usar o dinheiro."
"Teu filho tem
direito de compartilhar o dinheiro com sua família da mesma forma que você
compartilhou com ele e forneceu tudo o que ele é e têm."
"De manhã no aeroporto
eu te levo os papeis para que os assine e o cheque. Não tem más nada que dizer."
"Tá bom, está bem,
obrigado por tudo e diga que estou agradecendo ao Edgardo também."
Magaly estava bem calada. Mas eu
interrompi o seu silêncio;
"¿O que você pensa
de tudo isto?"
"Estou tão orgulhosa
do meu filho que reviravolta. Acho que o Edgardo não é tão mal depois de tudo
isso."
"Bom eu nunca achei
que era mal, ao contrário, eu gosto muito dele, mas são as suas táticas que às
vezes eu questiono. Eu não me deixo levar pelos rumores se ele é ou não é homossexual,
pelo menos eu não vi nenhum sinal. Pra ele convém como disse o Papo, que o Raymond
mantenha sua mente clara e livre de preocupação. Você sabe que ele te prometeu
uma casa nova e esse é seu sonho e se pensar que estamos mal vai se preocupar.
Além disso o Edgardo não está nos dando dinheiro, mas sim adiantando parte do
dinheiro do Raymond ainda que de todo modo eu o agradeça, pois ele não tinha
obrigação de fazer isso."
"Eu prefiro consertar
nossa economia e em vez de comprar uma casa poderíamos reformar a nossa e surpreendê-lo
quando ele voltar."
"Eu também estava
pensando nisso, boa ideia. Sinto-me tão feliz, pois sei que o Raymond vai
gostar de saber que está contribuindo com a família."
Edgardo tinha ganho uns pontos
de popularidade com a gente, mas apesar de ter desconfiado daquela aparente
bondade, não fiz caso.
Menudo saía para a Califórnia
novamente para gravar o famoso programa de televisão norte americano
"Solid Gold". Estes regressaram rapidamente para gravar um vídeo na
casa do Edgardo chamado "Fiesta" aproveitando a comemoração do
aniversário do Robby Rosa. Com muita antecedência eu comprei umas passagens
para ir ao debut do Raymond no Madison Square Garden em Nova York para o mês de
junho. Para mim que me criei em Nova York, o Madison Square Garden significava
a Meca dos artistas, pois só os melhores se apresentavam lá.
O Menudo ia apresentar-se pela
primeira vez com uma banda ao vivo e uma gama de luzes que prometia ser incrível.
Nos preparamos para nossa viagem para finalmente ver o nosso filho e pela primeira
vez um show completo. Este evento completava assim seu grande sonho. Ele já não
tinha que dizer ¡Papai, quero ser um Menudo! Mas sim: "¡PAPAI, EU SOU
UM MENUDO!"
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