quinta-feira, 6 de setembro de 2018

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já que a organização empresarial que organizava o Menudo estava totalmente endividada e era assediada por seus credores. Ao continuar o mesmo conceito de um conjunto musical juvenil, com outro nome e com uma empresa diferente, os lucros gerados ficariam fora do alcance dos antigos credores. Edgardo por sua parte assegurou que a mudança simplesmente respondia ao fato de que ele tinha transferido a outra empresa os direitos sobre o Menudo e que existia uma cláusula do contrato que lhe impedia de criar um grupo similar ao Menudo pelo período de dez anos venceria em 1997.
Ainda que Edgardo empreendesse nesta nova aventura musical, sua aguçada mente comercial          não estava “por fora” do fato de que dentro de pouco tempo completariam 20 anos da criação do Menudo. Como um bom homem de negócios ele sabia melhor que ninguém que esta data representava uma estupenda oportunidade comercial. Isto em nada contradiz a realidade de que para Edgardo os vinte anos do Menudo tinham um significado muito especial. Até porque antes de tudo, ele foi o seu gênio criador que o desenvolveu e o transformou em um conceito e quem melhor que ninguém viveu os seus triunfos e as suas dificuldades. Nesse sentido o que aconteceria posteriormente o afetou de forma muito particular.
No mundo da fama se conta que numa das apresentações do MDO na América do Sul, Edgardo convidou quatro dos ex-integrantes do Menudo para iniciar as negociações com ganas de realizar um evento artístico em celebração ao vigésimo aniversário do grupo. Edgardo aparentemente ofereceu uma compensação ou um salário a cada um dos ex-integrantes que participariam do espetáculo que ele planejava produzir.
Ao agir assim Edgardo se esqueceu de um pequeno detalhe. Aqueles meninos que ele uma vez tinha dirigido e tutelado, já tinham se tornado

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

175 - A verdadeira história do reencontro


O Menudo se desintegrou como conceito em 1991. Ainda que posteriormente a esta data, Edgardo Diaz tentou continuar trabalhando com o nome Menudo com jovens que não eram de Porto Rico, os resultados foram demais desanimadores. A magia que caracterizava o grupo tinha desaparecido, para não voltar nunca mais. Ainda sim, Edgardo aproveitou o máximo das glórias passadas e a passos largos chegaram até 1997. Nesse ano por motivos “não claros” reorganizou seus esforços e anunciou o surgimento de um novo grupo musical chamado MDO.
Algumas pessoas afirmam que esta mudança de nome obedecia a motivos de pura conveniência legal e comercial,

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e até da loucura, seus colegas de grupo e aliados nessa solidão desesperante que caracterizava seus dias como ex-menudos.
Afortunadamente muitos destes últimos se encontram em estado de franca recuperação. A medicina que criou este milagre se chama: público. Ao escutar o barulho de um aplauso e o calor das fãs que pensaram terem perdido, sem duvida alguma revitalizou os que de algum modo sucumbiram e tanto estes como os demais, lhes brindaria uma ilusão, uma oportunidade, uma nova esperança por que lutar e dar sentido a suas vidas.
Ainda que segundo Gardel, “vinte anos não é nada” para Charlie, Ricky, Miguel, Johnny, René, Ray e cada um dos ex-menudos, vinte anos é toda uma vida. Uma vida esperando pelo retorno daquele grande momento.
Na sexta-feira, 30 de janeiro de 1998 o Coliseo Roberto Clemente de Porto Rico serviu de palco para o evento que se imortalizou como um dos maiores sucessos da história musical de nosso país: O REENCONTRO.

sábado, 1 de setembro de 2018

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já não esperava por eles e que talvez nunca mais pisariam de novo em um palco. E tentaram de tudo para poder regressar ao mundo viciante do qual tinham saído, mas, a sorte não foi companheira para a maioria deles.
Enquanto o tempo passava, o Menudo continuava o seu caminho ascendente. Depois de cada partida, de cada retiro, a administração do Menudo mantinha seu curso normal. Como se diz no negócio da fama: “the show must go on”, ou seja, o show tem que continuar. Assim um jovem se retirava e outro imediatamente se incorporava ao grupo. O grupo continuava colecionando êxitos com os novos integrantes e com tal facilidade que fariam esquecer aqueles outros que tinham abandonado o grupo recentemente.
A frustração se fez presente nas vidas destes jovens. Nem todos enfrentaram essa fase de forma similar, nem com tal efetividade. Alguns aproveitaram a experiência e o reconhecimento ganho com o grupo para lançar-se de novo no mundo da fama. Destes somente um conseguiu brilhar com luz própria e conseguiu desenvolver-se como um artista de dimensão e calibre internacional. Seu nome: Ricky Martin. Um segundo muito singular e de grande talento começou a ser escutado pelos jovens ele se chama: Robi Rosa, para quem a vida adquiriu um novo e revolucionário giro.
Outros menos afortunados alcançaram certa aceitação criando grupos ou conceitos junto a alguns ex-companheiros. Teve quem sem opção, decidiu enfrentar novos caminhos em outros gêneros musicais de menor “glamour” ou simplesmente permaneceram no anonimato, trabalhando por trás dos palcos. O pior dos casos foi o daqueles que se desiludiram com a vida, não encontraram o que fazer com ela e deprimidos correram o risco de perdê-la. Em sua ânsia por substituir de algum modo tudo aquilo que sentiam que tinham perdido: fizeram das drogas, do álcool

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

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sacrifícios que não eram fáceis para qualquer pessoa cumprir e muito menos para uns meninos, não era inimaginável que estas dificuldades eram mais do que compensadas pelo “glamour”, a fama, os ingressos e o reconhecimento que significava ser um Menudo. Porém, ao sair do grupo era como se de repente se apagasse a luz e o brilho intenso da fama e eles fossem lançados ao cotidiano de uma vida comum e talvez pior ainda, a obscuridade de um anonimato não desejado e para o qual que definitivamente não estavam preparados. Por isso, as recordações daqueles tempos de glória não deixavam de perseguir cada um dos ex-integrantes. Não importava onde eles fossem a sombra do Menudo os perseguia. Pelo resto de suas vidas, seriam os ex-menudos. Em alguns casos esta qualidade lhes abriria portas. Em outros seria um estigma que nunca poderiam escapar.
A saída do grupo representava um momento de grande tensão e ansiedade para cada um dos integrantes. Apesar deste fato, os jovens saiam cheios de esperanças e com a ilusão de que uma carreira como cantores solos os devolveria a fama e preencheria o vazio que sua saída do Menudo tinha lhes gerado.
A fama provoca em muitas pessoas o mais embriagante dos efeitos, o mais alienante dos sentimentos, pior que o álcool e inclusive as drogas. Quando alguém foi famoso e deixa de sê-lo, não existe substituto, nem antídoto que cure a sensação de vazio e deslocamento que se experimenta. Como o pior dos vícios, a fama é ave de voo acelerado que te rouba a vida e a juventude.  No caso dos ex-Menudos, sendo crianças, deixaram de sê-lo.
O sentimento que cada um dos componentes experimentava, não é difícil de imaginar. Uma sensação de angustia e ansiedade crescente devia apoderar-se destes jovens quando enfrentavam a realidade de que o mundo

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

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Sua chegada a Nova York foi catalogada pelos meios de comunicação, como uma experiência de tal magnitude que só era comparável com a comoção que os Beatles produziram na mesma cidade em 1964. O Menudo é até este momento o maior dos fenômenos musicais hispânicos. Sua musica transcendeu as barreiras da linguagem e conquistou continentes inteiros. A espontaneidade de cada um dos seus integrantes, sua musica, imagem, loucuras e a magia que os rondava, transformou esse grupo numa verdadeira lenda.
Para seus milhões de fãs, recordar o Menudo é evocar a ilusão, sua infância e a nostalgia. Assim como os seguidores dos Beatles se apaixonaram, cresceram e viveram a musica e a revolução que estes causaram, a “menuditis” contagiou a toda uma geração que cresceu com os acordes da sua musica e das suas canções deles. Mas diferentemente dos Beatles, onde a ilusão de seus fãs de vê-los reunidos novamente ficou precisamente nisso, numa ilusão, os fãs do Menudo veriam seu sonho se tornar realidade depois de um anúncio de um esperado reencontro. Nesse sentido o Menudo tem uma história que ainda hoje ninguém pode prever o final.
A possibilidade de um reencontro não era ilusão exclusiva dos fãs do Menudo. Para os jovens que em algum momento integraram o grupo, o reviver todo aquele conjunto de experiências de êxitos e recordações era uma ilusão que também abrigavam dentro de si. Depois de tudo a experiência no Menudo não só foi parte integrante de seu desenvolvimento como pessoas, mas sim que, além disso, transformou suas vidas por completo. Não devemos perder de vista que ao sair do grupo, estes jovens experimentavam uma sacudida forte em suas vidas. Ainda que sem duvida alguma a integração ao grupo e o que ele significou em términos de viagens, ensaios, disciplina e