Edgardo não era realmente nada
parecido à pessoa que eu havia idealizado na minha mente. Eu tinha imaginado
uma pessoa mais forte e com aparência agressiva. Era alto, magro e vestiu-se
com roupa bem simples. Seus olhos grandes e expressivos exibiam grande
serenidade. Seu sorriso dava a impressão de ser um estudante desses bem
dedicados que em inglês chamam de "Nerd" (CDF). Pra mim era difícil
assimilar que esta pessoa tão simples fosse o responsável por revolucionar
tantas pessoas ao redor do mundo com sua criação supostamente genial. Mandou-me
sentar e Raymond se sentou ao seu lado.
"Sr. Acevedo, quero
dizer-lhe algo primeiro para no caso da possibilidade de que eu escolha o
Raymond como novo integrante não tenhamos maus entendidos. Tenho vários
candidatos que estou considerando e todos estão como o Raymond, aqui, na etapa
final deste processo. Raymond, assim como o Sr, devem se sentir muito
orgulhosos deste fato já que nesta etapa só chegam os melhores. Foram
entrevistados e fizeram testes aproximadamente 1.500 aspirantes e só escolhemos
como finalistas aproximadamente uns quatro. Primeiramente quero avisar que o
Menudo é como uma grande família e como toda família, acontecem coisas boas e
coisas não tão boas. Mas devemos manter os assuntos dentro da família. Os vizinhos não devem
ver “as roupas sujas", eles só devem ver as limpas. O que quero dizer é
que o que acontecer daqui a diante deve ser discutido e solucionado dentro do
núcleo desta família. Sendo eu o chefe de nossa família correspondem a mim as
decisões finais dentro dela e sou o responsável de dar solução aos problemas.
Sr, Como regra estrita, Raymond ou sua família não devem fazer declarações à imprensa
sem consultar o nosso consentimento primeiro. Qualquer comentário aos meios de
comunicação pode por em perigo a posição do Raymond em nossa organização e forçar-me
a tomar umas decisões que não necessariamente podem ser favoráveis ao seu filho.
"Para um bom entendedor, meia palavra basta" e acredito que você,
pelo que tenho ouvido tem compreensão suficiente. “Não digo isto para ofender,
mas sim para que nos entendamos bem desde o começo.”
"Não acredito que você
tenha problemas com a gente neste aspecto." Lhe respondi rapidamente sem
haver realmente analisado suas palavras por completo, mas sabia do que ele
falava.
"Não me chame de
você, eu gosto que me chamem de tu e Edgardo."
"Muito bem Edgardo
será. ¿O que vai acontecer agora?"
"Bem Acevedo estou
interessado no Raymond e quero iniciá-lo na próxima etapa que é a convivência com
a gente por uns dias. Eu sempre levo os candidatos finalistas para conviver uns
dias com o resto do grupo para que possa observar sua personalidade mais de
perto e sua adaptação. Ser um Menudo requer que o garoto seja uma pessoa muito
especial. Tem que ser forte emocionalmente e muito estável, pois apesar da emoção,
isto é muito traumatizante no princípio. Nós não temos muito tempo para consolar
a ausência dos pais, pois tem danças e canções para aprender e múltiplos
compromissos que continuam no dia a dia. Assim pode ver o porquê de ter que
escolher muito cuidadosamente. Não é só o talento, mas sim uma junção de
diferentes qualidades que fazem realmente um Menudo. O simples fato de levar o Raymond
para a convivência não significa que é o escolhido ou que faço promessas."
"¿Quando mais ou
menos espera tomar uma decisão?"
"Bem espero que seja
dentro de uma ou duas semanas. Quero que no dia 6 de janeiro (1985) leve o
Raymond ao Estádio Hiram Bithorn onde vamos dar o show tradicional de Natal.
Leve um embrulho pequeno e se vista o mais confortável possível. Traga roupas e
coisas assim. Também leve roupa de banho (roupa de piscina sunga, ou shorts de
banho)."
Olhou para o Raymond, e pôs a mão
no ombro dele e disse:
“Já sabe nem uma palavra
a ninguém e nos vemos no dia 6.”
Marilyn Pagan me deu quatro ingressos
para o show e me disse que estivesse lá a partir das 3:00 da tarde.
"No caso de que
tenha alguma dúvida aqui está meu telefone."
"Bem, obrigada por
tudo e nos vemos no dia 6."
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