quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

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Diante destas palavras de ânimo, eu que faltava pouco para fazer o que quisesse, fui atrás dele. Todos os rostos viraram-se quando me viram e tão rápido quanto me viram, mais rápido esconderam os papeis que estavam em cima das mesas. Qualquer um diria que entrou o espião dos espiãos. Eu achei graça de tudo isso, pois eram tão previsíveis que pareciam meninos atuando em um drama. Não olhei para ninguém e segui o Joselo até o salão de conferências onde eu tinha assinado o contrato. Sobre a mesa estavam uns cartazes alusivos a Pepsi Cola, mas a parte do retrato ainda não estava feita. Parecia que esta sessão de fotos era para a Pepsi. As fotos também eram para a 5 Kids, pois tinham que fazer posters do Raymond.  Depois de um minuto Dona Panchi entrou no salão e se dirigiu a mim:
"¡Oi Sr Raymond! ¿O que lhe traz por aqui?"
Nessa hora eu vi o que teria que fazer para que Dona Panchi me atendesse.
"Bom dia Dona Panchi, só vim trazer o Raymond, mas decidi ficar um pouco e conhecer os garotos. Creio que vão tirar umas fotos e eu queria tirar algumas fotos do Raymond, pois desde que ele está no Menudo não tirei nenhuma foto dele."
"Se precisar de mim eu estarei no meu escritório."
"Obrigado, mas não se preocupe que não a perturbarei."
"Antes de sair vá ver o Advogado Agosto, pois acho que tem alguns papeis que você tem que assinar sobre as permissões para o professor poder conseguir as lições do Raymond na sua escola. Também acho que tem as permissões de viagem para assinar."
"Se a senhora vê-lo diga que estou aqui."
"Até logo então."
Se tem algo que eu aprendi nas forças armadas norte americanas foi o dom da observação e do ouvido refinado. Pode ter muita gente conversando, mas eu consigo distinguir as conversas individuais e além disso retê-las. De fato a maioria das conversas descritas neste livro ficaram guardadas na minha mente até o momento de escrevê-las. Observei com o canto do olho que Dona Panchi foi ao escritório de Sara, a contadora, e lhe disse algo. Esta olhou disfarçadamente para mim e voltou a tirar os documentos que tinha escondido quando eu entrei. Realmente me intrigava o que estas pessoas me escondiam. Mas como disse antes, havia me determinado a averiguar tudo e em especial estar atento ao meu filho. Na sessão de fotos conheci Río Hernández, o fotógrafo oficial do Menudo. Estabelecemos uma amizade imediata e tivemos muito tempo para conversar. A primeira coisa que falamos foi de minha experiência até agora com a Padosa e sua atitude de isolamento. Río me disse:
"Acevedo meu conselho é o seguinte. Vigie o seu filho e se esqueça dos outros Menudos. Você vai se dar conta que esses pais só se preocupam com o filho deles e se tiverem que te afogar pelo filho deles , eles vão fazer. Esta gente se alimenta disto (*aqui dá a entender que os pais dos outros menudos não tinham emprego e sobreviviam com os salários dos garotos) e o utilizam a seu favor."
"Cara isso é uma coisa difícil de visualizar. ¿ Você quer me dizer que não há união entre os pais com metas e interesses em comum?"
"¡ Você vai ver cara, você vai ver!"
"Mas eu vou te dizer uma coisa, eu vou unir esta gente. Temos que ajudar o Edgardo no que se refere ao Menudo e ao mesmo tempo nós teremos a oportunidade de velar pelo bem estar dos meninos."
"Olha Acevedo, antes o grupo sempre viajava com uma dama de companhia (*babá) que era uma das mães do grupo. Esta viajava com todos os gastos pagos. Quando o professor Lauriano entrou este substituiu a dama de companhia. Pelo que entendi, e por experiência própria, ele favorece aos garotos e cuida do seu bem estar."
"Pelo menos tenho esse fator para tranquilizar-me. Eu ainda não o conheci , mas imagino que o conhecerei logo."
"Mas a melhor coisa que você pode fazer é cuidar do seu próprio filho e fazer com que ele mantenha uma boa comunicação contigo."
"Vejamos o que acontece."

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