segunda-feira, 13 de agosto de 2018

166


familiares e amigos quisessem ficar perto deles e contassem com recursos e tempo para isto, este trabalho contínuo na prática impossibilitava que isto acontecesse. Nos seus momentos de maior auge, eles só podiam ver seus pais e familiares, em média, dois meses ao ano.   
De maneira que estes jovens tinham que enfrentar sozinhos a ausência de seus lares e de seu país, as tensões e o rigor de seu trabalho e, além disso, as frustrações e problemas que se derivam destas atividades. Não tinham ninguém conhecido que pudessem recorrer e que pudessem confiar. Desde que se levantavam de manhã até a hora de retirar-se para descansar, seus movimentos tinham sido rigidamente calculados e ordenados pela administração do Menudo. O que se relacionava com as suas lições escolares, sua alimentação, sua vestimenta, seus momentos de repouso ou trabalho, era determinado para eles com uma rígida precisão. Nesse sentido a administração do Menudo e sobre tudo Edgardo Díaz se transformou na sua única família, na sua única amizade, no seu único pilar, enfim num ser prepotente e indispensável sem o qual seu amanhã não poderia existir. Como acontece em outras facetas da vida aquela pessoa que concentra muito poder pode utilizá-lo para fazer muito bem, mas também, está exposta a um grande risco de que tal poder lhe corrompa e termine sendo veículo para cometer os maiores abusos e arbitrariedades. O Menudo aparentemente não foi exceção.
Como examinamos em outro capítulo, alguns dos ex-integrantes em união com seus pais denunciaram um esquema onde os jovens eram objetos de todo o tipo de maus tratos, abusos e falta de consideração. Desde a ocultação e desvio das notas fiscais de valores que legalmente lhe correspondiam, até a suposta exploração física mediante a submissão a horários excessivos de trabalho muito maior que o recomendável. Além disso, foram feitos mais comentários do uso de má alimentação, falta de educação e

Nenhum comentário:

Postar um comentário