familiares e amigos quisessem ficar perto deles e contassem
com recursos e tempo para isto, este trabalho contínuo na prática impossibilitava
que isto acontecesse. Nos seus momentos de maior auge, eles só podiam ver seus
pais e familiares, em média, dois meses ao ano.
De maneira que estes jovens tinham que enfrentar sozinhos a ausência
de seus lares e de seu país, as tensões e o rigor de seu trabalho e, além
disso, as frustrações e problemas que se derivam destas atividades. Não tinham
ninguém conhecido que pudessem recorrer e que pudessem confiar. Desde que se
levantavam de manhã até a hora de retirar-se para descansar, seus movimentos
tinham sido rigidamente calculados e ordenados pela administração do Menudo. O
que se relacionava com as suas lições escolares, sua alimentação, sua
vestimenta, seus momentos de repouso ou trabalho, era determinado para eles com
uma rígida precisão. Nesse sentido a administração do Menudo e sobre tudo
Edgardo Díaz se transformou na sua única família, na sua única amizade, no seu
único pilar, enfim num ser prepotente e indispensável sem o qual seu amanhã não
poderia existir. Como acontece em outras facetas da vida aquela pessoa que
concentra muito poder pode utilizá-lo para fazer muito bem, mas também, está
exposta a um grande risco de que tal poder lhe corrompa e termine sendo veículo
para cometer os maiores abusos e arbitrariedades. O Menudo aparentemente não
foi exceção.
Como examinamos em outro capítulo, alguns dos ex-integrantes
em união com seus pais denunciaram um esquema onde os jovens eram objetos de
todo o tipo de maus tratos, abusos e falta de consideração. Desde a ocultação e
desvio das notas fiscais de valores que legalmente lhe correspondiam, até a
suposta exploração física mediante a submissão a horários excessivos de
trabalho muito maior que o recomendável. Além disso, foram feitos mais comentários
do uso de má alimentação, falta de educação e
Nenhum comentário:
Postar um comentário