O incidente mais espantoso e que
mais nos encheu de temor e preocupação aconteceu depois do último show nesse
fim de semana. Quando fui ao camarim para felicitar os garotos e em especial o
Raymond, pois ele teve vários momentos em que foi ovacionado por suas interpretações,
especialmente "Flor De Coral", de Papo Gely, a qual foi escrita especialmente
para que o Raymond a cantasse. Quando chegava ao camarim Jiménez chegou perto
de mim e me disse que queria falar comigo:
"Olha Acevedo, tenho
uma notícia muito ruim para te dar e o Edgardo está muito ferido para te falar
ele mesmo, mas quer que eu te assegure que ninguém vai saber nada disto. Nós só
queremos que você saiba para que veja que o Raymond é um moleque de duas caras.
Contigo ele é uma coisa e no grupo ele é outra."
"Jiménez, termine de
me contar o que vai me dizer, pois isto está me cheirando muito mau e não estou
gostando nada disso."
"Não se altere que
realmente não é nada tão ruim, mas, se outras pessoas descobrirem, seu filho
poderia prejudicar-se. Olha, o Joselo mandou a Ramona (amiga e ajudante do
Joselo) ver se tinha umas meias da cor preta na bolsa do Raymond. Inadvertidamente
a Ramona encontrou um cone de Maconha na carteira, eu diria que aproximadamente
cinco ou seis “baseados”, dentro da bolsa."
"¡Jiménez veja bem,
pois o que você está me contando é muito sério! ¿Onde está a maconha?"
"Nós a entregamos ao
Edgardo. Não queríamos que ninguém descobrisse."
"Olha, não me faça
falar mal..., Mas isto parece uma cilada. Primeiramente, ¿quem deu permissão para
a Ramona mexer na bolsa do meu filho? E segundo alguém que tem algo assim em sua
bolsa, especialmente se o deixa onde alguém pode encontrá-lo, vai esconder dentro
de alguns sapatos ou de alguma peça de roupa. Assim que por casualidade que a Ramona
vai diretamente à carteira e encontra esse cone, depois sem saber o que é, tira
de lá e o entrega ao Joselo, este em vez de vir até mim, vai dar a “queixinha”
ao Edgardo que apenas te manda vir me contar. ¡ Garoto! Nem o Médico Chinês acreditaria
nisso!"
"Acevedo o que
acontece é que você tem uma fé cega no seu filho e não vê a realidade. Seu
filho tem um problema e não queremos que se queime e que todo mundo saiba, por
isso venho te contar."
"Olha Jiménez, se
quiser ligue para a polícia, ou para a imprensa, ou pra quem te dê na telha. Se
vocês acham que com isso vão me manter preso e submisso estão equivocados. Se
algum dia me der vontade de falar isso não vai me segurar em nada. Eu não me
amedronto facilmente e meu filho também nem um pouco."
"Eu cumpri com minha
obrigação de te comunicar. O resto quem decide é você."
"Vamos deixar assim,
Jiménez, pois isso realmente já chegou muito longe. Eu vou investigar tudo a respeito."
Deixei o Jiménez no corredor da
escada de emergência que dava acesso aos pisos superiores, onde conversamos, e
me dirigi ao camarim. O Raymond estava se vestindo, quando lhe interrompi.
"Raymond, necessito
falar com você."
"Diga papai." Lhe expliquei o que tinha
acontecido e enfurecido ele me disse:
"Papai te juro que
eu não coloquei isso aí. Esta tarde o Papo Tito estava me oferecendo
"Erva" e mencionou que tinha um cone. Assim que eu aposto que foi ele
que a colocou lá dentro. Me dói muito que o Edgardo esteja tentando me chantagear
com algo, já que não tem nada mais para me pegar. Olha papai, primeiramente,
¿quem deu permissão para procurar na minha carteira e segundo se isso estivesse
lá, que demônios lhe disse que era meu e quem acima disso, deu permissão para
tirá-lo da minha carteira? Se estava lá, então, era algo privado meu e não
tinham nenhum direito de tirá-lo de onde estava. ¡Não, papai! Isto é uma "cama
de gato". ¡Querem me pegar em algo, mas não vão conseguir! "
"Eu acredito em você
filho, eu me fiz as mesmas perguntas. Também lhe adverti que nada do que alegam
ter acontecido vai me calar em nada de nada. Olha, não quero que sua mãe saiba
disto porque vai ser motivo de preocupação e ela já está bastante nervosa."
Entrou em mim um temor de que
iam fazer alguma armadilha para o Raymond para poder controlá-lo. Já que eles sabiam
que em setembro o Raymond saía do grupo e não queriam que ele saísse falando tudo
o que sabia. Teria que ter um cuidado imenso com o Raymond, pois sim isto era um
exemplo do que o Edgardo se referiu, "ele não sabe quem eu sou",
então o Raymond tinha que estar alerta. Tentei persuadi-lo pra que ele deixasse
o grupo naquele momento, mas se recusou dizendo que ele queria cumprir o tempo
que o Edgardo havia estipulado para que depois não pudesse dizer que deixou o
grupo para prejudicar o Menudo, como geralmente ele diz nessas ocasiões.
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