quinta-feira, 24 de novembro de 2016

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¡Papai, um Menudo, eu quero me transformar em um dos integrantes do grupo Menudo! Na verdade, eu liguei para a Padosa, para ver quando vão ter testes para o grupo, pois li no jornal que Ricky Meléndez sairá em breve. Ele me respondeu, com seus olhos bem abertos e expressando toda sua animação.
¡Espera um momento filho, que não sei de que raios você está falando! Respondi um pouco confuso.
 Minha mente, pelo menos neste momento, não podia nem sequer imaginar o Menudo e meu filho no mesmo lugar. Mesmo sem querer menosprezar meu filho e/ou suas habilidades, na minha mente Menudo era indicativo do inalcançável, um dez na escala de um a dez, era o impossível, simplesmente a maior lenda que Porto Rico havia feito. Assim vocês podem imaginar qual foi a minha surpresa ao ouvir meu filho pretender pertencer ou pensar que pudesse ser escolhido para um grupo como o que era o Menudo. Eu, como muitos porto- riquenhos, havia elevado o grupo à um nível inalcançável e na minha mente meu filho era um simples mortal.
Por uma casualidade, dessas que ocorrem uma só vez na vida, conversava com um advogado que era meu amigo a muitos anos e cliente do meu negócio, (um centro de cuidado diário e escola pré escolar), o Licenciado José (Papo) Agosto Vélez, sobre o exato momento em que meu filho me expressou sua petição sobre o Menudo. O Licenciado me contava em um dos momentos que foi recentemente nomeado como advogado da companhia Padosa América, que por casualidade eram precisamente os controladores do grupo Menudo.
 “Olha Rey, eu vou  trazer uns papeis de testes para seu filho para que ele peça uma oportunidade”. Foi o que indicou meu amigo ao ouvir as palavras de Jamoncito (Ramonzinho) , como carinhosamente chamávamos meu filho: “Agora mesmo não estão tendo testes mas é, por sua vez para quando acontecer, em uma ocasião futura ".
 Isso realmente foi demais para mim. Meu filho querendo ser um impossível e meu amigo lhe dando corda. Já com um pouco de impaciência e com muito pouca psicologia eu disse para meu filho:
“¡Ramoncito! ¿De onde você tirou isso de Menudo, se você nem sequer canta ou dança?”
“Papai, não penses tão pouco de mim. O que acontece é que você nunca me ouviu cantar.” Ele me respondeu com o olhar fixo e profundo.
 A verdade era que nunca tinha escutado ele cantar e com toda sinceridade eu achava que ele era muito tímido e calado para se apresentar e muito menos enfrentar um público. Minha mente não podia nem sequer considerar uma remota possibilidade de um teste com o Menudo e muito menos pertencer a ele. A realidade é que nós, os pais, muitas vezes, nos envolvemos em nossos negócios e vidas de tal forma que não nos damos conta que nossos filhos tem também uma vida própria. Passamos por cima do fato de eles tem também suas próprias ilusões e metas e queremos impor-lhes as nossas e pensamos que as nossas são suas ilusões. Nossa super-proteção conduz a imposição, muitas vezes mais até que o devido, para evitar os tropeços e desilusões da vida.
 Quando a noite chegou, Ramoncito chegou perto de mim e com um brilho em seus olhos me perguntou.
“Papai, ¿você quer me ouvir cantar?”

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