¡Papai, um Menudo, eu quero me transformar em um dos integrantes do
grupo Menudo! Na verdade, eu liguei para a Padosa, para ver quando vão ter
testes para o grupo, pois li no jornal que Ricky Meléndez sairá em breve.
Ele me respondeu, com seus olhos bem abertos e expressando toda sua animação.
¡Espera um momento filho, que não sei de que raios você está falando! Respondi
um pouco confuso.
Minha mente, pelo menos neste momento, não
podia nem sequer imaginar o Menudo e meu filho no mesmo lugar. Mesmo sem querer menosprezar meu filho e/ou suas habilidades,
na minha mente Menudo era indicativo do inalcançável, um dez na escala de um a dez,
era o impossível, simplesmente a maior lenda que Porto Rico havia feito. Assim
vocês podem imaginar qual foi a minha surpresa ao ouvir meu filho pretender
pertencer ou pensar que pudesse ser escolhido para um grupo como o que era o
Menudo. Eu, como muitos porto- riquenhos, havia elevado o grupo à um nível inalcançável
e na minha mente meu filho era um simples mortal.
Por uma casualidade, dessas que
ocorrem uma só vez na vida, conversava com um advogado que era meu amigo a
muitos anos e cliente do meu negócio, (um centro de cuidado diário e escola pré
escolar), o Licenciado José (Papo) Agosto Vélez, sobre o exato momento em que
meu filho me expressou sua petição sobre o Menudo. O Licenciado me contava em um
dos momentos que foi recentemente nomeado como advogado da companhia Padosa
América, que por casualidade eram precisamente os controladores do grupo
Menudo.
“Olha
Rey, eu vou trazer uns papeis de testes para
seu filho para que ele peça uma oportunidade”. Foi o que indicou meu amigo
ao ouvir as palavras de Jamoncito (Ramonzinho) , como carinhosamente chamávamos
meu filho: “Agora mesmo não estão tendo
testes mas é, por sua vez para quando acontecer, em uma
ocasião futura ".
Isso realmente foi demais para mim.
Meu filho querendo ser um impossível e meu amigo lhe dando corda. Já com
um pouco de impaciência e com muito pouca psicologia eu disse para meu filho:
“¡Ramoncito! ¿De onde você tirou isso de Menudo, se você nem sequer
canta ou dança?”
“Papai, não penses tão pouco de mim. O que acontece é que você nunca me
ouviu cantar.” Ele me respondeu com o olhar fixo e profundo.
A verdade era que nunca tinha escutado ele
cantar e com toda sinceridade eu achava que ele era muito tímido e calado para se
apresentar e muito menos enfrentar um público. Minha mente não podia nem sequer
considerar uma remota possibilidade de um teste com o Menudo e muito menos
pertencer a ele. A realidade é que nós, os pais, muitas vezes, nos envolvemos
em nossos negócios e vidas de tal forma que não nos damos conta que nossos
filhos tem também uma vida própria. Passamos por cima do fato de eles tem
também suas próprias ilusões e metas e queremos impor-lhes as nossas e pensamos
que as nossas são suas ilusões. Nossa super-proteção conduz a imposição,
muitas vezes mais até que o devido, para evitar os tropeços e desilusões da vida.
Quando a noite chegou, Ramoncito chegou perto
de mim e com um brilho em seus olhos me perguntou.
“Papai, ¿você quer me ouvir cantar?”
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