terça-feira, 31 de julho de 2018

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Porém, nas lembranças, nos corações, nas ilusões de uma juventude que cresceu e viveu com o Menudo, esta empresa, seus integrantes e seu legado fazem parte do seu próprio ser. Para eles a aventura chamada Menudo nunca terminou e pra sempre os acompanhará.

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Menudo e Edgardo Díaz como muitos outros quando alcançaram o sucesso e a fama se deterioraram e se corromperam.
O surpreendente foi que apesar de tudo que foi alegado e das sérias acusações que foram feitas contra ele, Edgardo Díaz nunca se apresentou a justiça ou tomou nenhuma ação legal. Talvez porque muito do que ele disse não fosse verdade. Talvez porque ele fez algum acordo financeiro nos bastidores que nunca chegou a luz pública. Possivelmente porque muitos dos que inicialmente falaram ficaram sozinhos em uma luta desigual, onde fortes interesses de todo o tipo foram jogados sem dó, nem piedade e com toda a força. Luta onde sobressaia e implicava o desembolso de grandes recursos econômicos e da geração de grandes emoções e esforços físicos e mentais que não podiam lidar e que quem sabe prefeririam deixar para trás e apagar de seu passado.
Provavelmente nunca saberemos o que foi que realmente aconteceu. Talvez haja um pouco de Edgardo Díaz em tudo o que foi falado sobre ele. Talvez não. As pessoas de sucesso em nosso mundo raramente são unidimensionais e incorruptíveis. São uma diferente caixinha de virtudes assombrosas e defeitos inconcebíveis, que o resto dos seres jamais imaginaria nem poderiam alcançar. Possivelmente o Menudo e as pessoas por trás deste fenômeno tinham a essência de qualquer ser humano, sobre tudo, aqueles que crescem no complicado mundo da fama, com seus talentos, suas paixões e seus impulsos.
A verdade é que depois das revelações e acusações, nem Edgardo, nem o Menudo, nem seus integrantes antigos ou novos seriam os mesmos. A ilusão e a magia tinham desaparecido por completo ou explicando melhor, tinham sido roubados num golpe e nunca mais voltariam a ser recuperadas.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

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mudanças abruptas no seu  temperamento e seu estado de espírito pelas razões mais variadas e imprevisíveis. Um tutor que repetidamente maltratava os meninos que estavam sob sua proteção, tanto fisicamente como mentalmente. Um homem impiedoso que lhes batia e lhes obrigava a trabalhar mesmo quando estavam com a saúde debilitada, e que lhes depreciava e os diminuía para manter seu controle ou interferência sobre eles. Um empresário que utilizava como carta escondida, a ameaça de demissão fulminante contra qualquer integrante que contradissesse as suas ordens. Uma pessoa sem controle de suas paixões que se aproveitou da inocência e da imaturidade de dezenas de jovens que passaram pelo seu grupo para fazer-lhes propostas indecentes, gestos e comentários de mau gosto ou indevidos e em algumas situações abertamente sexuais. Um manipulador que com sua experiência seduzia os meninos que por sua pouca idade e pelo medo de serem expulsos do grupo que significava tudo nas suas vidas, aceitavam as suas propostas indecentes e ficavam calados, guardando tudo para si.
Assim com também temos os pais que com sua ganância desmedida pelo dinheiro empurravam e entregavam seus filhos para o Menudo. Pais que provavelmente conheciam o maltrato que seus filhos eram objetos, mas se faziam de desentendidos. Pais que também foram exploradores de seus filhos e que abdicaram sua função de supervisão e a tutela de seus filhos e que só despertaram de seu “hibernar” quando compreenderam que seus interesses econômicos podiam estar sendo menosprezados.
Mas também neste panorama tenebroso existe um grupo significativo de integrantes que nunca falaram mal de Edgardo, nem se queixaram de sua experiência no Menudo. Sobre tudo aqueles jovens que fizeram parte dos anos iniciais e mais exitosos do grupo. Talvez porque     

sexta-feira, 27 de julho de 2018

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oportunidade de realizar um sonho, uma fantasia e foi quem lhes abriu as portas para conhecer o mundo e gerar benefícios econômicos significativos para eles e para suas famílias. Um homem disciplinado, porque definitivamente tem ser assim para poder chegar alto e obter o que se deseja na vida. Um mentor exigente, que tinha que ser forte para engajar e obter o melhor dos jovens que com aquela idade eram naturalmente rebeldes e imaturos.
Simultaneamente também surge uma imagem totalmente diferente de Edgardo Díaz: a de um homem de negócios inescrupuloso que assim como os grandes barões do café do século passado eram movidos pela ânsia desmedida de lucro e poder. Um homem que construiu um império artístico baseado na exploração do trabalho de crianças que ele via como meros objetos de decoração. Meninos que deslumbrados pela fantasia do meio artístico e pela inexperiência, características de sua tenra idade, confiavam piamente nele, para que depois fossem “passados para trás” na sua boa fé. Um empresário que menosprezava suas responsabilidades e obrigações para com os demais. Um influente personagem do meio artístico que podia fazer uso com facilidade das estruturas de poder e da ordem pública do país para adiantar seus interesses. Uma pessoa que manipulava os valores dos ingressos vendidos nos shows para não pagar os ganhos e porcentagens que seriam pagos aos Menudos, ingressos que ao se subfaturarem não eram pagos na sua totalidade a receita federal. Um operador astuto que tinha como prática criar uma série de frentes corporativas das quais depois de explorar as levava a falência e deixava deste jeito, sem pagar o que devia nem para os integrantes, nem para os seus credores e contratantes.
Também surge um Edgardo Díaz como um ser com sérios distúrbios emocionais. Uma pessoa que tinha

quarta-feira, 25 de julho de 2018

154 - Existem muitas perguntas e poucas respostas


Qual é a verdade de tudo que aconteceu nesta polêmica? Quem tinha razão: os integrantes do grupo ou os administradores do Menudo? Estas acusações eram legitimas ou eram motivadas pelo desejo de vingança e o interesse econômico? Quem é o verdadeiro Edgardo Díaz? Foi ele uma vítima ou o algoz dos fatos? Muitas perguntas e poucas respostas.
O sucesso e a fama acarretavam inevitáveis invejas. Para chegar ao auge do sucesso no mercado artístico ou em qualquer atividade que se queira desenvolver, não são poucos, nem insignificantes os ressentimentos que “mesmo sem querer” são gerados. Pelo seu sucesso, Edgardo Díaz era considerado uma “persona non grata” por muitas pessoas da indústria do entretenimento. Muitos também esperavam ansiosamente a oportunidade de “dar-lhe um golpe” e vê-lo cair de seu pedestal. O Menudo como empresa não era uma coisa só. Todos: a administração, os jovens e os pais tinham certamente interesses em comum, mas também muitos interesses desencontrados e diferentes. Eram pessoas diferentes, com egos particulares, com complexos e inseguranças, a ambição desmedida e a inveja são elementos comuns no mundo artístico, que cedo ou tarde podem fazer sucumbir o mais renomado dos artistas ou a mais bem sucedida das empresas. E com o Menudo não foi diferente.
Ao analisar a trajetória do Menudo e o que aconteceu durante a polêmica, surge um retrato de um Edgardo Díaz complexo e contraditório. De um lado, temos um jovem empresário bem sucedido, de grande visão e dinamismo. Um gênio magistral das relações públicas e do manejo dos meios de comunicação. Um bom filho que tem uma extraordinária relação com sua mãe. Uma figura paterna ou pelo menos um irmão mais velho para os jovens que tutelou e levou ao estrelato. Jovens que ele presenteou com a

segunda-feira, 23 de julho de 2018

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B-      Os integrantes foram submetidos a condições de trabalho abusivas e irracionais, sobre tudo quando se tem a consciência de que eles eram crianças.
C-      Edgardo Díaz aproveitava de seu poder e do desejo dos jovens de continuar fazendo parte do grupo para cometer abusos físicos e mentais contra eles, e também para obter favores de natureza sexual.
2. Nenhum dos integrantes que supostamente foram objetos dos abusos e aliciamentos sexuais mais intensos deram sua versão sobre estes assuntos (*este livro foi escrito antes do escândalo que aconteceu quando Roy veio a público e declarou ter sido abusado sexualmente por Edgardo Días, assunto este que abalou o Brasil e a América Latina), nem apresentaram acusações formais perante as autoridades, muito menos naquele momento, nem durante os dez anos transcorridos desde que esta polêmica chegou a luz pública. E isso não foi feito nem mesmo pelos familiares mais próximos dos jovens.
3. Apesar de este caso envolver crianças, e da sensibilidade e rapidez que as autoridades governamentais devem ter diante de casos de maltrato e abuso sexual de menores, ainda mais quando estes casos chegam aos ouvidos da sociedade, a realidade foi que nenhum órgão público: fosse a polícia, Departamento de Justiça, Fiscais, o Departamento do trabalho, nem os Serviços Sociais tomaram nenhuma iniciativa para indagar ou efetuar uma investigação sobre este assunto. Oficialmente as autoridades fizeram um silêncio assombroso que prevaleceu.
4. Tendo em vista a seriedade das acusações e a delicadeza de sua natureza, desde ponto de vista de relações públicas e manejo de crises, Edgardo Díaz e sua equipe de trabalho manejaram de forma magistral toda esta polêmica. Ainda que sem dúvidas, esta polêmica os afetou pessoal e profissionalmente, ao menos no que se refere a responsabilidade civil e criminal eles saíram ilesos, apesar do enorme risco que enfrentaram.