quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

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Na quinta-feira dessa semana o Professor Lauriano deu permissão para que os garotos pudessem fazer o que quisessem, pois não iam ter aulas até a segunda-feira em Porto Rico. Falei com o Edgardo pelo telefone e ele me deu permissão para levar o Raymond junto comigo para Porto Rico, claro que quem pagaria as despesas seria eu. Fizemos uma grande surpresa para a Magaly,o Raymond escondeu-se na poltrona traseira do táxi que nos levou para nossa casa.
Enquanto o Raymond conversava com sua mãe no nosso quarto, fui ao quarto dele e quando fui mexer no seu bolso observei que de um lado do bolso sobressaía algo na superfície deste que parecia que ia arrebentar esse lado. Abri o bolso e ao tirar o objeto encontrei um maço de cigarros finos procedentes da América Latina. Nunca tinha tido indícios de que o Raymond fumasse, pois ele entrou no Menudo sem nenhum vício. Eu tinha deixado de fumar quando ele tinha 3 anos de idade para não dar-lhe o mau exemplo, assim não era por minha influência. Voltei a introduzir o maço dentro do bolso sem mencionar nada.
Busquei a oportunidade de estar só com o meu filho, me assegurando que sua mãe não estivesse escutando, para abordar o tema dos cigarros com ele:
"Bom Raymond, eu vou te fazer uma pergunta e quero que ao respondê-la você se lembre que as bases da nossa relação de pai e filho, e de amigos que sempre tivemos, tiveram como requisito primordial a verdade. Por favor, responda-me honestamente."
Seu rosto ficou pálido enquanto eu falava como se estivesse antecipando algo espantoso. Sem deixá-lo falar continuei:
"Raymond, ¿desde quando você está fumando?"
"¡Papai, eu não!"
"Olha Raymond já sabe o que eu te disse, você não vai me iludir mentindo."
"Papai, eu realmente não tenho o vício de fumar, só que de vez em quando eu fumo um."
"Mas ¿por quê? Se eu nunca te dei esse exemplo. Você sabe que faz mais de 10 anos que eu deixei de fumar para que precisamente você não seguisse o mau exemplo. Fiz o mesmo com a bebida, sabe que você jamais me viu porre. Nunca me viu ser infiel a sua mãe ou abusar dela física ou verbalmente. Sabe que eu nunca coloquei as mãos em cima de você pela indisciplina e nem na sua irmã. ¿Onde então adquiristes esses exemplos?"
Raymond, já com os olhos cheios de lágrimas, abaixou a cabeça em sinal de respeito, pois aparentemente não se atrevia a olhar-me nos olhos, me disse:
"Você tem razão papai, eu não tenho desculpas. É uma dessas coisas que a gente faz porque os outros fazem também. Todos os garotos fumam incluindo o Ricky que é o menor. Muitas vezes é a única coisa que nos sobra para fazer passar o tempo em um hotel. Fumar é o nosso passatempo favorito, mas temos que tomar cuidado para que o Joselo não nos pegue fumando.”
"¿Joselo e não o Edgardo?"
"Ai papai, esse daí não se importa com nada, exceto fazer dinheiro e cultuar o gênio que ele é. Sempre diz "como eu fiz isso bem" e "como eu fiz aquilo bem", mas nunca diz ¡como você cantou bem ou dançou bem! Qualquer um diria que é ele que sobe no palco, sua até na cabeça e passa duas horas em constante movimento dançando e cantando. Ele fica louco por qualquer um, quando esse demonstra muito carinho e atenção. Por isso que o Ricky se dá tão bem com o Edgardo, assim como o Sergio também. Sempre estão metidos no quarto dele ouvindo suas sandices e rindo das suas piadas idiotas."
"Bem Raymond, ¿mas que fobia você pegou do Edgardo?"
"Papai, é a pura verdade, no grupo cada um está buscando seu próprio melhoramento artístico e eles acreditam que lambendo o olho do Edgardo eles vão conseguir. Por mim que eles se danem, porque eu não sou um lambe olho e não vou servir de alcoviteiro pra ninguém. Eu faço o meu trabalho e o faço da melhor maneira que posso e ponto final. Se pra ser um artista é preciso rir das piadas idiotas do Edgardo então eu me ferrei."
"¿Você não acredita que esta atitude vai criar uma inimizade entre você e o Edgardo que poderá te prejudicar?"
"Já começou papai, ele já começou a guerra comigo. Se danço ele diz que não canto e se canto ele diz que não danço. Minha voz começou a mudar e ele não me deixa baixar os tons para acomodá-los a minha voz. Cada vez que desafino, me critica. Mas eu continuo cantando como consigo, mas tenho medo que prejudique minhas cordas vocais por estar subindo tons neste período de mudança. O que sei é que ele não se interessa se prejudica minha voz ou se isso prejudicará o meu futuro artístico, só se importa em ganhar dinheiro agora. Ele já disse varias vezes que “que quando qualquer um de nós sair do Menudo não seremos nada especialmente sem ele”.

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