Na quinta-feira dessa semana o
Professor Lauriano deu permissão para que os garotos pudessem fazer o que
quisessem, pois não iam ter aulas até a segunda-feira em Porto Rico. Falei com o
Edgardo pelo telefone e ele me deu permissão para levar o Raymond junto comigo
para Porto Rico, claro que quem pagaria as despesas seria eu. Fizemos uma grande
surpresa para a Magaly,o Raymond escondeu-se na poltrona traseira do táxi que
nos levou para nossa casa.
Enquanto o Raymond conversava
com sua mãe no nosso quarto, fui ao quarto dele e quando fui mexer no seu bolso
observei que de um lado do bolso sobressaía algo na superfície deste que
parecia que ia arrebentar esse lado. Abri o bolso e ao tirar o objeto encontrei
um maço de cigarros finos procedentes da América Latina. Nunca tinha tido indícios
de que o Raymond fumasse, pois ele entrou no Menudo sem nenhum vício. Eu tinha
deixado de fumar quando ele tinha 3 anos de idade para não dar-lhe o mau
exemplo, assim não era por minha influência. Voltei a introduzir o maço dentro
do bolso sem mencionar nada.
Busquei a oportunidade de estar
só com o meu filho, me assegurando que sua mãe não estivesse escutando, para
abordar o tema dos cigarros com ele:
"Bom Raymond, eu vou
te fazer uma pergunta e quero que ao respondê-la você se lembre que as bases da
nossa relação de pai e filho, e de amigos que sempre tivemos, tiveram como
requisito primordial a verdade. Por favor, responda-me honestamente."
Seu rosto ficou pálido enquanto
eu falava como se estivesse antecipando algo espantoso. Sem deixá-lo falar
continuei:
"Raymond, ¿desde
quando você está fumando?"
"¡Papai, eu não!"
"Olha Raymond já
sabe o que eu te disse, você não vai me iludir mentindo."
"Papai, eu realmente
não tenho o vício de fumar, só que de vez em quando eu fumo um."
"Mas ¿por quê? Se eu
nunca te dei esse exemplo. Você sabe que faz mais de 10 anos que eu deixei de fumar
para que precisamente você não seguisse o mau exemplo. Fiz o mesmo com a
bebida, sabe que você jamais me viu porre. Nunca me viu ser infiel a sua mãe ou
abusar dela física ou verbalmente. Sabe que eu nunca coloquei as mãos em cima
de você pela indisciplina e nem na sua irmã. ¿Onde então adquiristes esses
exemplos?"
Raymond, já com os olhos cheios
de lágrimas, abaixou a cabeça em sinal de respeito, pois aparentemente não se atrevia
a olhar-me nos olhos, me disse:
"Você tem razão papai,
eu não tenho desculpas. É uma dessas coisas que a gente faz porque os outros
fazem também. Todos os garotos fumam incluindo o Ricky que é o menor. Muitas
vezes é a única coisa que nos sobra para fazer passar o tempo em um hotel.
Fumar é o nosso passatempo favorito, mas temos que tomar cuidado para que o Joselo
não nos pegue fumando.”
"¿Joselo e não o Edgardo?"
"Ai papai, esse daí não
se importa com nada, exceto fazer dinheiro e cultuar o gênio que ele é. Sempre
diz "como eu fiz isso bem" e "como eu fiz aquilo bem", mas nunca
diz ¡como você cantou bem ou dançou bem! Qualquer um diria que é ele que sobe
no palco, sua até na cabeça e passa duas horas em constante movimento dançando
e cantando. Ele fica louco por qualquer um, quando esse demonstra muito carinho
e atenção. Por isso que o Ricky se dá tão bem com o Edgardo, assim como o
Sergio também. Sempre estão metidos no quarto dele ouvindo suas sandices e
rindo das suas piadas idiotas."
"Bem Raymond, ¿mas
que fobia você pegou do Edgardo?"
"Papai, é a pura
verdade, no grupo cada um está buscando seu próprio melhoramento artístico e
eles acreditam que lambendo o olho do Edgardo eles vão conseguir. Por mim que
eles se danem, porque eu não sou um lambe olho e não vou servir de alcoviteiro
pra ninguém. Eu faço o meu trabalho e o faço da melhor maneira que posso e
ponto final. Se pra ser um artista é preciso rir das piadas idiotas do Edgardo
então eu me ferrei."
"¿Você não acredita
que esta atitude vai criar uma inimizade entre você e o Edgardo que poderá te
prejudicar?"
"Já começou papai,
ele já começou a guerra comigo. Se danço ele diz que não canto e se canto ele
diz que não danço. Minha voz começou a mudar e ele não me deixa baixar os tons
para acomodá-los a minha voz. Cada vez que desafino, me critica. Mas eu
continuo cantando como consigo, mas tenho medo que prejudique minhas cordas vocais
por estar subindo tons neste período de mudança. O que sei é que ele não se
interessa se prejudica minha voz ou se isso prejudicará o meu futuro artístico,
só se importa em ganhar dinheiro agora. Ele já disse varias vezes que “que quando
qualquer um de nós sair do Menudo não seremos nada especialmente sem ele”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário