quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

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O Edgardo estava no México e a Dona Panchi me disse que não poderia fazer nada até a segunda-feira. Acrescentou dizendo que ela achava difícil que isso fosse verdade, porque tinha fartura de comida para eles. Genoveva a mãe do Sergio, também tinha falado com o Sergito e ele havia lhe contado o mesmo. Não havia forma de mandar dinheiro até a segunda-feira nem por Federal Express. Assim que tomei uma decisão bem rápida. Liguei para o aeroporto e reservei uma passagem para Argentina para o domingo as 5:00 da manhã. Minha esposa e eu compramos itens de comida Porto riquenha. Arroz, habichuelas, sofrito, recado, cubitos de frango; enfim duas malas de compra e uma de roupa. Os pais me deram envelopes com dinheiro para seus filhos e parti para a Argentina. A passagem custou $1.400,00 de ida e volta, mas se era para o bem dos garotos não me importava.
Cheguei as 9:00 da noite, o Raymond e o Danny me esperavam no aeroporto. Foi só mencionar o Menudo que não abriram minhas malas e me deixaram passar apressadamente na frete de todos os outros passageiros. Raymond me abraçou muito forte e me disse que todos os garotos estavam ansiosamente esperando para que eu lhes fizesse algo de comer que fosse da culinária porto riquenha. Danny me explicou a situação do dinheiro para a compra dizendo-me além do mais que ele tinha mencionado o assunto para o Edgardo antes deste partir do país e que sua resposta foi que:
"O estúdio é que tem que se ocupar desse assunto e não eu, porque se ponho dinheiro nisto eles não o devolverão".
Danny me explicou muitas coisas sobre o que estava acontecendo. E terminou dizendo:
“Assim, que ele foi embora e não me disse mais nada. Eu sou só um empregado e não me atrevi a dizer outra palavra.”
Quando cheguei ao edifício onde estava o apartamento a primeira coisa que notei foram a surpreendente quantidade de táxis que estacionavam ao redor da saída do edifício onde o Menudo ficava. Estes táxis eram alugados pelas centenas de fãs que faziam a fiel vigília na calçada da frente do edifício. Alugavam os táxis para seguir os veículos que transportavam o Menudo aos diferentes lugares. Quando nos viram chegar reconhecendo o carro em que viajávamos, 500 jovenzinhas de todas as idades correram para cima do carro e começaram a gritar e se jogar na frente deste. Foi uma incrível sensação, pois até medo eu senti.
“Agora você vê porque os garotos são virtualmente prisioneiros do apartamento, pois estas "Maluquinhas" são perigosas. No outro dia conseguiram arrancar uma manga da camisa do Ricky quando este tentava entrar no carro em um teatro.”
A recepção dos garotos foi muito calorosa, mas o que menos eles queriam era me cumprimentar, o que queriam era a "Comida". Enquanto eu cozinhava uma carne guisada com arroz branco e tostones, lhes entreguei as respectivas cartas de seus pais. O único que não mandou nada foi o pai do Ralphy, pois ele entendia que a responsabilidade era do Edgardo e que seu filho não necessitava de dinheiro para nada. Cada qual cria e vê as situações de seus filhos de diferentes formas, assim não o questionei. Mas de qualquer forma eu lhe dei $50.00 do meu dinheiro dizendo-lhe que seu pai tinha mandado para ele, o que o fez muito feliz. O Ralphy era um menino que necessitava de muita atenção e conselho, pois o seu jeito de ser estava lhe trazendo problemas com os outros garotos do grupo que já estavam lhe rejeitando.
A quantidade de comida que estes garotos comeram nessa noite foi incrível, pois não deixaram sobrar nem o "Farelo". Me deu muito gosto e grande satisfação vê-los tão satisfeitos. Logo que entrei no apartamento me deu um "Choque" ao ver a forma que eles estavam vivendo. A bagunça era indescritível. Roupa suja por todos os lados, caixas de Pizza vazias em cima das mesas bem enfim e como dizem os americanos "A Mad House" (um hospício). Os garotos estavam tão loucos para saber de suas famílias que não me deixavam terminar uma frase que já estavam me fazendo outra pergunta. Ricky chorou muito, pois de todos era o que mais se sentia só naquele momento.

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