O Edgardo estava no México e a Dona
Panchi me disse que não poderia fazer nada até a segunda-feira. Acrescentou
dizendo que ela achava difícil que isso fosse verdade, porque tinha fartura de
comida para eles. Genoveva a mãe do Sergio, também tinha falado com o Sergito e
ele havia lhe contado o mesmo. Não havia forma de mandar dinheiro até a
segunda-feira nem por Federal Express. Assim que tomei uma decisão bem rápida.
Liguei para o aeroporto e reservei uma passagem para Argentina para o domingo
as 5:00 da manhã. Minha esposa e eu compramos itens de comida Porto riquenha. Arroz,
habichuelas, sofrito, recado, cubitos de frango; enfim duas malas de compra e
uma de roupa. Os pais me deram envelopes com dinheiro para seus filhos e parti
para a Argentina. A passagem custou $1.400,00 de ida e volta, mas se era para o
bem dos garotos não me importava.
Cheguei as 9:00 da noite, o
Raymond e o Danny me esperavam no aeroporto. Foi só mencionar o Menudo que não
abriram minhas malas e me deixaram passar apressadamente na frete de todos os outros
passageiros. Raymond me abraçou muito forte e me disse que todos os garotos
estavam ansiosamente esperando para que eu lhes fizesse algo de comer que fosse
da culinária porto riquenha. Danny me explicou a situação do dinheiro para a
compra dizendo-me além do mais que ele tinha mencionado o assunto para o
Edgardo antes deste partir do país e que sua resposta foi que:
"O estúdio é que tem
que se ocupar desse assunto e não eu, porque se ponho dinheiro nisto eles não o
devolverão".
Danny me explicou muitas coisas
sobre o que estava acontecendo. E terminou dizendo:
“Assim, que ele foi
embora e não me disse mais nada. Eu sou só um empregado e não me atrevi a dizer
outra palavra.”
Quando cheguei ao edifício onde
estava o apartamento a primeira coisa que notei foram a surpreendente quantidade
de táxis que estacionavam ao redor da saída do edifício onde o Menudo ficava.
Estes táxis eram alugados pelas centenas de fãs que faziam a fiel vigília na
calçada da frente do edifício. Alugavam os táxis para seguir os veículos que
transportavam o Menudo aos diferentes lugares. Quando nos viram chegar reconhecendo
o carro em que viajávamos, 500 jovenzinhas de todas as idades correram para
cima do carro e começaram a gritar e se jogar na frente deste. Foi uma incrível
sensação, pois até medo eu senti.
“Agora você vê porque os
garotos são virtualmente prisioneiros do apartamento, pois estas
"Maluquinhas" são perigosas. No outro dia conseguiram arrancar uma
manga da camisa do Ricky quando este tentava entrar no carro em um teatro.”
A recepção dos garotos foi muito
calorosa, mas o que menos eles queriam era me cumprimentar, o que queriam era a
"Comida". Enquanto eu cozinhava uma carne guisada com arroz branco e
tostones, lhes entreguei as respectivas cartas de seus pais. O único que não mandou
nada foi o pai do Ralphy, pois ele entendia que a responsabilidade era do
Edgardo e que seu filho não necessitava de dinheiro para nada. Cada qual cria e
vê as situações de seus filhos de diferentes formas, assim não o questionei.
Mas de qualquer forma eu lhe dei $50.00 do meu dinheiro dizendo-lhe que seu pai
tinha mandado para ele, o que o fez muito feliz. O Ralphy era um menino que
necessitava de muita atenção e conselho, pois o seu jeito de ser estava lhe
trazendo problemas com os outros garotos do grupo que já estavam lhe rejeitando.
A quantidade de comida que estes
garotos comeram nessa noite foi incrível, pois não deixaram sobrar nem o "Farelo".
Me deu muito gosto e grande satisfação vê-los tão satisfeitos. Logo que entrei
no apartamento me deu um "Choque" ao ver a forma que eles estavam
vivendo. A bagunça era indescritível. Roupa suja por todos os lados, caixas de
Pizza vazias em cima das mesas bem enfim e como dizem os americanos "A Mad
House" (um hospício). Os garotos estavam tão loucos para saber de suas
famílias que não me deixavam terminar uma frase que já estavam me fazendo outra
pergunta. Ricky chorou muito, pois de todos era o que mais se sentia só naquele
momento.
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