No outro dia, minha esposa
Magaly e eu partimos para a casa do Edgardo “A Loma” para ter uma conversa com
ele. Durante a noite eu tinha contado para a Magaly o que aconteceu com o
Raymond. Sua reação foi a mesma que a minha, mas depois de várias horas
conseguimos consolar um ao outro e decidimos falar com o Edgardo. Ao nos ver o
Edgardo nos recebeu muito atenciosamente, pois aparentemente tinha recebido
boas notícias e estava louco para compartilhá-las com alguém. Nos contou que o
canal WAPA televisão tinha decidido contratar o Menudo e co financiar ou comprar
(não estou seguro de qual dos dois, ou os dois) a novela. Como parte do
contrato WAPA decidiu alugar vários veículos de motor para o uso de Edgardo e
de sua família. Um destes carros era para o pai do Edgardo o Sr Nacho. Este
carro tinha que ser adaptado, pois ele tinha uma deficiência física. A outra
notícia foi que na próxima semana começava a filmagem da novela na Argentina.
Depois de uma curta conversa, lhe explicamos o propósito de nossa visita. Deu
pra perceber que ele ficou bem assustado com o nosso relato e me disse:
“Olha, o Raymond é um bom
garoto e não acredito que tenham nada para se preocupar. Como eu te disse no
Boquerón, os garotos jovens têm tendência a experimentar o desconhecido por
curiosidade, mas isto não faz deles uns “drogadinhos”. O que realmente tem me
deixado preocupado é o Robby. Eu acho que o que acontece com ele é algo mais forte.”
"¡Meu Deus Edgardo!
Isso é sério."
Lhe disse Magaly.
"Digo, não acredito
que seja um problema de vício, mas ultimamente está com muita insônia, seus olhos
estão cristalinos e excessivamente hiperativo, que são alguns dos indícios. Eu
vou observar o Raymond de perto e te prometo que daqui pra frente vou te ligar
por qualquer coisa que eu note, seja o que for. A única coisa que quero é que
me dê atenção e me respalde na disciplina e não me tire a moral."
"Eu nunca te tirei a
moral, Edgardo."
"Não, mas nunca
confiou em mim para vir falar comigo como tu estás fazendo agora."
"Isso é verdade
Edgardo, mas nunca deste espaço para isso com todas as patadas que levamos."
"Bom Acevedo, dizem
que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura" e em mim caíram
muitas gotas de água. Para a maioria dos pais a única coisa que interessa é um
cheque e quanto o seu neném vai ganhar. Pode acontecer o que seja e nunca
gritam, mas se eles imaginarem que tenha algum problema com seu pagamento
começam a gritar tão alto que se pode até escutá-los no céu."
"Eu não estou precisamente
contente com a parte econômica e nem com a forma que tu administra, especialmente
quanto aos direitos autorais dos discos e mercadorias, que verdade seja dita,
nós nunca vimos nem a sombra deste dinheiro. Nunca me ouviu dizer nada porque
eu assinei um contrato e por mais injusto que seja em seu contexto, eu assinei,
assim eu obedeço ele e ensino meu filho a honrá-lo. Eu sempre espero que vocês
iniciem as mudanças e continuo com a esperança que se faça isso um dia. Edgardo
eu vou te dar um conselho "Take it or leave it" como dizem os
americanos e é este: "Trate bem dos meninos tanto física, como economicamente
e jamais terás problemas com seus pais, porque aquele que trata bem o meu filho
trata bem a mim. Se for verdade o que dizem sobre sua preferência sexual, então
não toques nos meninos ou em qualquer um que seja relacionado a eles e verás
que não haverá quem te derrube com mentiras. O amor que as pessoas sentem pelo
Menudo é tão grande, que te deixarão quieto. Mas se tu mesmo ameaças a estrutura
e a base da tua própria criação, que é o saudável e grandioso exemplo para nossa
juventude, então tua queda vai ser tão grande que jamais conseguirá se levantar.
""
"Ai Acevedo, falam
muitas coisas de mim, mas ninguém pode me tocar, meu poder psíquico e meus protetores
me protegem contra a maldade. Olha como o trabalho do Johnny Lozada e da sua
mãe não pegou em mim. A mãe do Johnny que se consulta com bruxos e espiritismo,
não conseguiu fazer nada contra mim, nem tão pouco podem os outros muitos invejosos."
"É só um conselho de
um pai "intrometido", mas que quer que tudo continue bem com o Menudo
em todos os aspectos."
Continuei lhe explicando tudo
relacionado com a confissão do meu filho tomando cuidado de não dar a entender
que ele me disse ou que sonhou como fofoca, mas sim como genuínas preocupações
nossas. Negou muitas coisas e disse que ia corrigir outras. Com esta esperança
de correção destes assuntos e a garantia de comunicação comigo nos assuntos referentes
ao meu filho me deu um pouco de esperança de que eu ainda podia controlar a
situação e tomar as rédeas quanto ao meu filho e suas circunstâncias.
Depois deste evento Edgardo se
transformou em um "amigo" e começou a utilizar-me como seu
confidente. Me envolveu mais e mais nos assuntos do Menudo e até chegou a
nomear o meu automóvel como "O Menudomóvel" algo que foi grande
orgulho para mim. Estava tanto ao redor do Menudo e dos assuntos do Menudo que
até a minha vestimenta mudou para uma mais juvenil e muitos disseram que eu era
como um Menudo maior. Não me importava porque o orgulho do grupo era maior do
que a crítica ou até que a inveja. Até certo ponto pude visualizar o ponto de
vista do Edgardo quanto ao que a gente podia ou não dizer.
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