terça-feira, 31 de janeiro de 2017

página 181



Já estavam gravando o novo LP em inglês "Sons Of Rock" com o Blue Dog Label de David Maldonado e o LP "Los hijos del Rock" vendia muitíssimo. A Padosa ficava cada dia pior. Tinham saído todos os empregados exceto Sara e o Tony, os contabilistas. Rosita Lugo tinha aceitado uma redução em seu salário para poder permanecer com seu querido Menudo até que se retirou completamente da Padosa. Os pagamentos por porcentagem eram realmente ridículos. Nos contracheques que a companhia nos entregava, quando nos pagava "trimestralmente", apareciam gastos que ninguém sabe de onde saíram. Geralmente quando o Menudo ia fazer um show em qualquer lugar, o promotor do evento pagava todos os gastos e pelo grupo também. Todos estes gastos apareciam nos contracheques e eram cobrados como gastos da Padosa reduzindo as porcentagens de ganhos, assim que os garotos ficavam com menos.
Havia um ponto muito curioso que me chamou a atenção. Aparecia sempre um gasto, uma cifra alta, de "Engenheiro de som". Por mais que eu procurasse este engenheiro de som não o encontrava. Esta era uma quantidade de fantasmas que paravam no bolsinho do Edgardo. "Ele era o engenheiro de som". Papo Gely me contou, mais de uma vez, que o Edgardo lhe pediu que inflacionasse as faturas dos músicos para refletir mais gastos. Papo se negou, mas ainda assim, eles as inflaram como quiseram. Arriscavam-se já que nós os pais não tínhamos acesso as faturas onde estas cifras apareciam. Estavam tão seguros de que tinham nos dominado, que arriscavam. Era uma armadilha atrás da outra e cada dia mais abertamente.
A educação parou por completo e as autoridades não demonstravam interesse em fazer nenhum tipo de correção. Em uma ligação feita ao Departamento de Instrução Pública de Porto Rico, na divisão de estudos livres me disseram que a responsabilidade da educação não era deles, nem da Padosa. Diziam que era o estudante que teria que querer estudar. Eles distribuíam os materiais e as provas. Não quiseram colocar responsabilidades na Padosa alegando que o estudante não era a Padosa. Agora, a Padosa podia utilizar estes meninos para ganhar dinheiro fazendo com eles o que quisesse, mas não era responsável por sua educação. Nós os pais, ficamos muito indignados com este detalhe que a cada dia ficava mais sério. Raymond chegou a completar a primeira parte do seu décimo ano e já tinha 16 anos de idade. Para qualquer lado que se virasse dava de cara com uma parede de desculpas esfarrapadas e explicações sem sentido especialmente a do Departamento de Instrução Pública. Dona Panchi ficou bem magra devido a uma doença e uma operação, fazendo com que tivéssemos menos aceso a ela. Cada vez que alguém lhe abordava o tema educacional ou econômico ela começava a chorar. Por respeito a sua idade e condição de enfermidade, nós os pais procuramos guardar nossas queixas até que ela se recuperasse. Soube que o edifício da Padosa estava sendo penhorado pelo Banco Popular de Porto Rico e que a mansão de Orlando seria vendida. Tudo parecia indicar que a Padosa já não agonizava, mas sim que tinha entrado em coma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário