Já estavam gravando o novo LP em
inglês "Sons Of Rock" com o Blue Dog Label de David Maldonado e o LP "Los
hijos del Rock" vendia muitíssimo. A Padosa ficava cada dia pior. Tinham
saído todos os empregados exceto Sara e o Tony, os contabilistas. Rosita Lugo
tinha aceitado uma redução em seu salário para poder permanecer com seu querido
Menudo até que se retirou completamente da Padosa. Os pagamentos por
porcentagem eram realmente ridículos. Nos contracheques que a companhia nos
entregava, quando nos pagava "trimestralmente", apareciam gastos que
ninguém sabe de onde saíram. Geralmente quando o Menudo ia fazer um show em
qualquer lugar, o promotor do evento pagava todos os gastos e pelo grupo
também. Todos estes gastos apareciam nos contracheques e eram cobrados como
gastos da Padosa reduzindo as porcentagens de ganhos, assim que os garotos
ficavam com menos.
Havia um ponto muito curioso que
me chamou a atenção. Aparecia sempre um gasto, uma cifra alta, de "Engenheiro
de som". Por mais que eu procurasse este engenheiro de som não o
encontrava. Esta era uma quantidade de fantasmas que paravam no bolsinho do
Edgardo. "Ele era o engenheiro de som". Papo Gely me contou, mais de uma
vez, que o Edgardo lhe pediu que inflacionasse as faturas dos músicos para
refletir mais gastos. Papo se negou, mas ainda assim, eles as inflaram como
quiseram. Arriscavam-se já que nós os pais não tínhamos acesso as faturas onde
estas cifras apareciam. Estavam tão seguros de que tinham nos dominado, que
arriscavam. Era uma armadilha atrás da outra e cada dia mais abertamente.
A educação parou por completo e as
autoridades não demonstravam interesse em fazer nenhum tipo de correção. Em uma
ligação feita ao Departamento de Instrução Pública de Porto Rico, na divisão de
estudos livres me disseram que a responsabilidade da educação não era deles,
nem da Padosa. Diziam que era o estudante que teria que querer estudar. Eles distribuíam
os materiais e as provas. Não quiseram colocar responsabilidades na Padosa
alegando que o estudante não era a Padosa. Agora, a Padosa podia utilizar estes
meninos para ganhar dinheiro fazendo com eles o que quisesse, mas não era
responsável por sua educação. Nós os pais, ficamos muito indignados com este
detalhe que a cada dia ficava mais sério. Raymond chegou a completar a primeira
parte do seu décimo ano e já tinha 16 anos de idade. Para qualquer lado que se virasse
dava de cara com uma parede de desculpas esfarrapadas e explicações sem sentido
especialmente a do Departamento de Instrução Pública. Dona Panchi ficou bem
magra devido a uma doença e uma operação, fazendo com que tivéssemos menos aceso
a ela. Cada vez que alguém lhe abordava o tema educacional ou econômico ela
começava a chorar. Por respeito a sua idade e condição de enfermidade, nós os
pais procuramos guardar nossas queixas até que ela se recuperasse. Soube que o edifício
da Padosa estava sendo penhorado pelo Banco Popular de Porto Rico e que a
mansão de Orlando seria vendida. Tudo parecia indicar que a Padosa já não agonizava,
mas sim que tinha entrado em coma.
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