sábado, 3 de dezembro de 2016

página 51



“¿Você sabe o que o filho da grande mãe acaba de me fazer?”
“¿Quem, Edgardo?”
“Sim esse. Acaba de piratear um dos meus garotos.”
“¿Como piratear?”
“Bom, acontece que um dos meus garotos, o Tico, me pediu que lhe deixasse sair do grupo, pois ia se mudar para Nova York. Eu pensei que era verdade, já que sua mãe me disse que tinham que ir por assuntos de família. Eu como sou boa pessoa, concordei. ¿ Você sabe o que descobri? Que em Nova York ele era esperado pelo Joselo, que lhe comprou roupa, e o levaram para Orlando Florida e lá o apresentariam como o novo Menudo.”


Olhei para Raymond e notei que ele ficou um pouco de triste, mas mantinha sua postura.


“O que acontece é que ele pensou que eu cairia nessa. Se ele assinasse com o Menudo eu pararia o grupo indefinidamente por ordem judicial e lhe paro pelo tempo que dure essa demanda. O processo de milhões de dólares vai fazê-lo ter diarreia por muitos anos. Esse indivíduo acredita que pode fazer tudo que lhe vem na cabeça  e que ninguém vai fazer nada com ele. Algum dia um dos integrantes ou ex integrantes vai dizer tudo o que sabe e vai se formar uma revolução. Só falta que a imprensa deixe de defende-lo todo o tempo e passe para o lado dos meninos de uma vez. Praticamente todos os que saem do Menudo fazem isso decepcionados com uma coisa ou outra mas geralmente por dinheiro. Não sei porque mas a imprensa de Porto Rico sempre fica do lado do Edgardo e condena os meninos.”
“¿Você acredita que algum integrante diga algo?” Lhe perguntei com interesse já que meu filho queria pertencer a este grupo que tão melancolicamente descrevia Carlos Alfonso.
“¡Oxalá garoto! pois esse tipo tem algo de cada um deles e os têm mantido presos num lugar para que não possam falar e ele fica sempre como uma prima-dona.”
Era bem óbvio que Carlos Alfonso não era fã de Edgardo Díaz e meu filho não via desenrolar nenhum tipo de simpatia com esta pessoa que pisoteava seus ídolos.
”Bom Carlos Alfonso já vou indo antes de dar três horas.”
“Acevedo foi um prazer, eu te chamo se surgir uma vaga em Los Chicos, ainda que não acredite que o Raymond goste muito da nossa conversa. Ele está determinado a ser um Menudo. Vou te dar um conselho. Se escolherem teu filho para o Menudo, não o solte, sempre deves estar perto e ensina que confie em ti para que qualquer coisa que aconteça ele te conte e que não tenha medo de expressar-se. Ensina-lhe o que é ser um homenzinho completo e que não se deixe convencer de fazer nada que não seja moral. Sei que não acredita em mim, mas um dia dirás que meu conselho salvou teu filho.”
Despedimo-nos e saímos para Bayamón. No caminho Raymond que havia permanecido em silencio todo o tempo disse:
“Papai, esse tipo está louco, ¿Como pode dizer tantas coisas más do Menudo?”
“Bom Raymond, muitas coisas pode ser que sejam ciúmes profissionais e muitas coisas podem ser que sejam mentiras, mas tem um refrão que diz "Quando o rio faz barulho é porque esconde pedras" e este rio está fazendo muito, muito mais barulho do que estou gostando.”
“Pois eu não acredito em nada e não acredito que eu vou entrar em nenhum Chicos, isso jamais vai acontecer.”
 


Nenhum comentário:

Postar um comentário