“¿Você sabe o que o filho
da grande mãe acaba de me fazer?”
“¿Quem, Edgardo?”
“Sim esse. Acaba de
piratear um dos meus garotos.”
“¿Como piratear?”
“Bom, acontece que um dos
meus garotos, o Tico, me pediu que lhe deixasse sair do grupo, pois ia se mudar
para Nova York. Eu pensei que era verdade, já que sua mãe me disse que tinham
que ir por assuntos de família. Eu como sou boa pessoa, concordei. ¿ Você sabe o
que descobri? Que em Nova York ele era esperado pelo Joselo, que lhe comprou roupa,
e o levaram para Orlando Florida e lá o apresentariam como o novo Menudo.”
Olhei para Raymond e notei que
ele ficou um pouco de triste, mas mantinha sua postura.
“O que acontece é que ele
pensou que eu cairia nessa. Se ele assinasse com o Menudo eu pararia o grupo
indefinidamente por ordem judicial e lhe paro pelo tempo que dure essa demanda.
O processo de milhões de dólares vai fazê-lo ter diarreia por muitos anos. Esse indivíduo acredita que pode fazer tudo que lhe vem na cabeça e que ninguém vai fazer nada com ele. Algum
dia um dos integrantes ou ex integrantes vai dizer tudo o que sabe e vai se
formar uma revolução. Só falta que a imprensa deixe de defende-lo todo o tempo
e passe para o lado dos meninos de uma vez. Praticamente todos os que saem do
Menudo fazem isso decepcionados com uma coisa ou outra mas geralmente por dinheiro.
Não sei porque mas a imprensa de Porto Rico sempre fica do lado do Edgardo e
condena os meninos.”
“¿Você acredita que algum
integrante diga algo?” Lhe
perguntei com interesse já que meu filho queria pertencer a este grupo que tão melancolicamente
descrevia Carlos Alfonso.
“¡Oxalá garoto! pois esse
tipo tem algo de cada um deles e os têm mantido presos num lugar para que não
possam falar e ele fica sempre como uma prima-dona.”
Era bem óbvio que Carlos Alfonso
não era fã de Edgardo Díaz e meu filho não via desenrolar nenhum tipo de simpatia
com esta pessoa que pisoteava seus ídolos.
”Bom Carlos Alfonso já vou
indo antes de dar três horas.”
“Acevedo foi um prazer, eu
te chamo se surgir uma vaga em Los Chicos, ainda que não acredite que o Raymond
goste muito da nossa conversa. Ele está determinado a ser um Menudo. Vou te dar
um conselho. Se escolherem teu filho para o Menudo, não o solte, sempre deves
estar perto e ensina que confie em ti para que qualquer coisa que aconteça ele
te conte e que não tenha medo de expressar-se. Ensina-lhe o que é ser um
homenzinho completo e que não se deixe convencer de fazer nada que não seja
moral. Sei que não acredita em mim, mas um dia dirás que meu conselho salvou teu
filho.”
Despedimo-nos e saímos para
Bayamón. No caminho Raymond que havia permanecido em silencio todo o tempo
disse:
“Papai, esse tipo está louco,
¿Como pode dizer tantas coisas más do Menudo?”
“Bom Raymond, muitas coisas
pode ser que sejam ciúmes profissionais e muitas coisas podem ser que sejam mentiras,
mas tem um refrão que diz "Quando o rio faz barulho é porque esconde pedras"
e este rio está fazendo muito, muito mais barulho do que estou gostando.”
“Pois eu não acredito em
nada e não acredito que eu vou entrar em nenhum Chicos, isso jamais vai acontecer.”


Nenhum comentário:
Postar um comentário