Diante
destas palavras de ânimo, eu que faltava pouco para fazer o que quisesse, fui
atrás dele. Todos os rostos viraram-se quando me viram e tão rápido quanto me
viram, mais rápido esconderam os papeis que estavam em cima das mesas. Qualquer
um diria que entrou o espião dos espiãos. Eu achei graça de tudo isso, pois
eram tão previsíveis que pareciam meninos atuando em um drama. Não olhei para
ninguém e segui o Joselo até o salão de conferências onde eu tinha assinado o
contrato. Sobre a mesa estavam uns cartazes alusivos a Pepsi Cola, mas a parte
do retrato ainda não estava feita. Parecia que esta sessão de fotos era para a
Pepsi. As fotos também eram para a 5 Kids, pois tinham que fazer posters do
Raymond. Depois de um minuto Dona Panchi
entrou no salão e se dirigiu a mim:
"¡Oi
Sr Raymond! ¿O que lhe traz por aqui?"
Nessa
hora eu vi o que teria que fazer para que Dona Panchi me atendesse.
"Bom
dia Dona Panchi, só vim trazer o Raymond, mas decidi ficar um pouco e conhecer os
garotos. Creio que vão tirar umas fotos e eu queria tirar algumas fotos do
Raymond, pois desde que ele está no Menudo não tirei nenhuma foto dele."
"Se
precisar de mim eu estarei no meu escritório."
"Obrigado,
mas não se preocupe que não a perturbarei."
"Antes
de sair vá ver o Advogado Agosto, pois acho que tem alguns papeis que você tem
que assinar sobre as permissões para o professor poder conseguir as lições do
Raymond na sua escola. Também acho que tem as permissões de viagem para assinar."
"Se
a senhora vê-lo diga que estou aqui."
"Até
logo então."
Se
tem algo que eu aprendi nas forças armadas norte americanas foi o dom da observação
e do ouvido refinado. Pode ter muita gente conversando, mas eu consigo
distinguir as conversas individuais e além disso retê-las. De fato a maioria das
conversas descritas neste livro ficaram guardadas na minha mente até o momento
de escrevê-las. Observei com o canto do olho que Dona Panchi foi ao escritório
de Sara, a contadora, e lhe disse algo. Esta olhou disfarçadamente para mim e
voltou a tirar os documentos que tinha escondido quando eu entrei. Realmente me
intrigava o que estas pessoas me escondiam. Mas como disse antes, havia me determinado
a averiguar tudo e em especial estar atento ao meu filho. Na sessão de fotos
conheci Río Hernández, o fotógrafo oficial do Menudo. Estabelecemos uma amizade
imediata e tivemos muito tempo para conversar. A primeira coisa que falamos foi
de minha experiência até agora com a Padosa e sua atitude de isolamento. Río me
disse:
"Acevedo
meu conselho é o seguinte. Vigie o seu filho e se esqueça dos outros Menudos.
Você vai se dar conta que esses pais só se preocupam com o filho deles e se
tiverem que te afogar pelo filho deles , eles vão fazer. Esta gente se alimenta
disto (*aqui dá a entender que os pais dos outros menudos não tinham emprego e
sobreviviam com os salários dos garotos) e o utilizam a seu favor."
"Cara
isso é uma coisa difícil de visualizar. ¿ Você quer me dizer que não há união
entre os pais com metas e interesses em comum?"
"¡
Você vai ver cara, você vai ver!"
"Mas
eu vou te dizer uma coisa, eu vou unir esta gente. Temos que ajudar o Edgardo no
que se refere ao Menudo e ao mesmo tempo nós teremos a oportunidade de velar pelo
bem estar dos meninos."
"Olha
Acevedo, antes o grupo sempre viajava com uma dama de companhia (*babá) que era
uma das mães do grupo. Esta viajava com todos os gastos pagos. Quando o professor
Lauriano entrou este substituiu a dama de companhia. Pelo que entendi, e por
experiência própria, ele favorece aos garotos e cuida do seu bem estar."
"Pelo
menos tenho esse fator para tranquilizar-me. Eu ainda não o conheci , mas
imagino que o conhecerei logo."
"Mas
a melhor coisa que você pode fazer é cuidar do seu próprio filho e fazer com
que ele mantenha uma boa comunicação contigo."
"Vejamos o que
acontece."
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