quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

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Com a euforia do momento não havíamos percebido que estava virando rotina o Raymond dormir na Loma (*casa do Edgardo). Primeiro foi com a desculpa de que estavam gravando uma canção para que o Raymond cantasse no Centro de Bellas Artes onde o Menudo ia estar no fim de semana do dia 8 de fevereiro de 1985. Edgardo queria apresentar o Raymond como o novo Menudo com uma canção. Pouco a pouco começamos a sentir sua ausência em especial quando não nos ligava. Sua desculpa era que estava muito ocupado e não podia telefonar. Quando eu falava que ia ir ao estúdio de Alberto Carrión (Alfa Studios) ele ficava alterado e me dizia que Edgardo não gostava dos pais e que se eu fosse lá poderia aborrecê-lo e este que por consequência o tiraria do grupo. Apesar de saber que ele não ia fazer isto não quis entrar em polêmicas com meu filho.
Esta situação começou a criar em mim um sentimento de angustia e também um pouco de ciúmes. Era duro para mim, pensar que eu já não servia para nada e que havia perdido o timão deste barco. Me senti abandonado e como é natural comecei a ter pena de mim mesmo. Eram momentos de ajuste e confusão. De um lado a Padosa que nos tratava como se fôssemos leprosos e agora meu filho também. Quando lhe perguntava o que estava fazendo ele mudava de assunto e a informação que me dava era o mesmo que nada. Minha angustia se transformou em coragem e cheguei até a pensar tirá-lo de tudo isto como castigo. Magaly intercedeu com seus conselhos e me fez ver que era natural que ele tivesse estes momentos, pois tinha sido muito grande e emocionante o que tinha acontecido com ele e tínhamos que lembrá-lo que ainda era uma criança e não tinha o controle sobre suas emoções como nós.
As coisas continuaram do mesmo jeito por aproximadamente uma semana até que um dia o Raymond chegou para buscar roupa para ir à loma. Entrou pela porta e disse:
"¡Mamãe pegue minha roupa que eu vou passar o fim de semana na Loma!"
"¿O que você disse?;" Sua mãe lhe perguntou com um notável desgosto na sua voz."
"Edgardo quer que eu fique para entrar na piscina e curtir um pouco com eles."
¿E os outros garotos? Perguntei-lhe também um pouco alarmado.
"¡Ai pai, eu não sei! ¿O que isso tem haver?"
"¡Olha Raymond! Você não vai para nenhum lugar;" Disse sua mãe já nervosa.
¡"Mamãe! ¿Mas por quê? ¡O que acontece é que vocês estão com ciúmes!"
Magaly ficou vermelha de coragem, agarrou o Raymond pelo braço e o levou para seu quarto. Raymond tinha sido um menino muito respeitoso e nunca tinha levado uma surra, mas ao ver sua mãe, pensei que tinha chegado sua hora. Quando chegaram ao quarto ela o sentou na cama e lhe disse em voz alta:
"Olha pirralho, eu vou dizer uma coisa. Aqui não tem piscina, aqui não tem luxo e aqui não tem nada que tem na casa do Edgardo. A única coisa que se parece com uma piscina é a banheira da casa e se quiser eu a encho para que você mergulhe nela porque quem sabe assim acaba a mal criação e cuidado para que esse negócio de novo Menudo não termine de uma vez por todas. Você nos abandonou e logo o teu pai que tanto te ajudou e te aconselhou está a ponto de te tirar do grupo aconteça o que aconteça. Por que este negócio de Menudo não quer dizer que você vai fazer o que te der na telha e se você pensa que é assim está muito enganado. De agora em diante você dorme aqui, na sua casa. Teu pai e eu vamos te buscar a qualquer hora que seja, mas vai dormir aqui e não na casa de ninguém."
"¡Mamãe me escuta, por favor!" Suplicou com voz de desespero.
"Olha Raymond cale-se que não quero ouvir mais nada. Você é um mal agradecido e se é isso que você vai fazer no Menudo ¡Acabou! A única coisa que nós temos feito é sacrificar nossos sentimentos para te ajudar nesta coisa do Menudo. Olha me arrependo um milhão vezes e creio que a linha deste trem chegou ao fim."
Raymond chorando sem parar tratou de falar;
"Mamãe, por favor, não me tire do Menudo. Eu fico aqui Mamãe, mas, por favor, não me tire do Menudo."
Eu não havia intervindo nesse assunto, pois se um está corrigindo não vejo o porquê dos dois nos juntarmos contra ele. Mas naquele momento eu disse:
"Olha, filho o Menudo subiu a sua cabeça e nós entendemos isso, mas antes que as coisas se compliquem vamos chegar a um acordo para que este tipo de discussão não volte a acontecer. Você quer estar no Menudo e nós estamos muito orgulhosos disso, mas você não pode abandonar a sua família por eles. Lembre-se que sua família é para sempre e o Menudo é por um curto período de tempo e nada mais. Não vejo por que você não pode ter as duas coisas sem abandonar uma ou outra. ¿Me diga uma coisa o Edgardo te disse que não nos fale algo ou que não nos dê nenhuma informação?"
"Bom papai, não me disse nada diretamente, mas vive dizendo que "os pais lhe aborrecem" e também escutei ele dizer "Os pais não sabem o dano que fazem a vocês com suas queixas, são eles que devem pagar pra mim por ter colocado vocês no Menudo e não eu pagar para eles". Estou com medo que você vá lá, e ele venha me dizer que eu saia do grupo."
"Olha Raymond, nem ele, nem ninguém vai te tirar do Menudo independente deu interferir ou não. Edgardo está te doutrinando indiretamente e sem que você se dê conta. Se ele pode romper o nexo familiar assim você fica do lado dele e nós então ficaríamos isolados. Estou entendendo que foi isso que o pai do Rey tentou impedir."
"Edgardo não quer saber desse senhor e ignora o Rey e eu não quero que isso aconteça comigo."
Raymond se levantou e se jogou nos braços de sua mãe e chorando lhe disse:
"Me perdoa Mamãe, eu te prometo que não vai acontecer de novo."
"Meu amor você sabe que te amamos e que não faremos nada para te machucar. É duro saber que logo você vai ter que ir para longe de nós e que quando você estiver em Porto Rico também vai preferir morar na Loma."
Fiz um sinal para Magaly para que déssemos o assunto por terminado e sustentamos nossa decisão de que ele ficaria em casa. Ele ficou de acordo e para romper a tensão os convidei para comer fora de casa em um restaurante.

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