sábado, 17 de dezembro de 2016

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Joselo saiu com o Raymond e eu fiquei sentado sozinho no estúdio. Depois de pouco tempo Edgardo se aproximou e me disse:
"Acevedo, se quiser podemos falar agora. "Disse Edgardo quando Raymond saiu com Joselo.
"¡Ah sim! Obrigado. Se quiser vamos conversar lá fora, pois está mais arejado que aqui dentro."
Caminhamos e paramos no pátio interior da casa de Alberto Carrión. Já estava escuro, pois sendo inverno o sol some mais cedo e fazia uma brisa fresca.
"Tu podes falar Acevedo."
Com cara séria, dessas que eu sei fazer quando tenho algo sério que discutir ou quando tenho coragem e lhe disse:
"Só quero esclarecer algumas coisas que começam há perturbar um pouco a minha tranquilidade. Edgardo primeiro me deixe falar disso claramente para que não existam duvidas no que se refere a minha posição como pai. Estou te entregando um filho, o qual minha esposa e eu amamos com toda nossa alma. Um filho bom, cortês, educado, sem vícios, estudioso e sobre tudo um "Macho completo". Devolva-me um filho igual, ou melhor. Se não puder fazer isso ¡NÃO LEVE ELE! Escolha outro garoto que não te ofereça este desafio. Em segundo lugar e antes que decida, se meu filho é o Próximo Menudo, quero te avisar que jamais vou permitir que me neguem ou me impossibilitem o acesso a meu filho, onde quer que esteja, em qualquer parte do mundo, a qualquer hora do dia ou da noite. Não vou tolerar que me afastem do meu filho. Quero que sempre tenha permissão para ligarmos onde quer que ele se encontre. Nunca te pedirei que pagues meus gastos, mas sim te direi que penso em viajar e estar de vez em quando com meu filho. Terceiro e mais importante, o "Viado", "Bicha", "Homossexual", ou sei lá o nome que você quiser chamar que toque ou tente tocar no meu filho vai virar mulher na hora que eu souber. Dizem que" Guerra avisada não mata soldados", assim te deixo tranquilo com essas palavras. Pra mim tanto faz se você gostar ou não de mim como pessoa, como evidentemente já demonstrou não querer nem me ver, mas não te aceito como pai. Eu entendi que tu cuidas dos garotos e do bem estar deles ou pelo menos isso é que eu acredito ser o certo e o que na realidade esteja acontecendo. Eu não quero ser um fiscalizador, quero que me veja como um colaborador. Comprometo-me contigo de trabalhar pelo grupo sem nenhum interesse e que jamais interferirei nos assuntos artísticos especialmente os relacionados com meu filho no Menudo. Papo Agosto me fez umas advertências sobre como tu gosta que ajam os pais. Eu não aceito essa advertência já que vou seguir sendo seu pai e protetor. Trate bem o meu filho e estará me tratando bem. Trate mal o meu filho e terás que ver-se comigo. É tão simples como isso. Se tiver problemas com sua disciplina e necessitar da minha ajuda eu vou aonde for para ajudar-te. Espero que não se ofenda com isto, mas é como me sinto e penso que é melhor que seja honesto contigo agora."
"Acevedo, obrigada por tua honestidade e confiança. Asseguro-te que eu entendo tudo o que me disse e se escolher o Raymond, como o próximo integrante, te prometo que assim será." Nós demos um aperto de mãos e voltamos para dentro do estúdio.
Raymond voltou uns minutos depois muito feliz.
"¿Papai não imagina quem me fez cantar uma estrofe de uma canção?"
"¿Quem?"
"¡Lucecita Benítez!"
"¡Nossa! ¿Mas o que ela te disse?"
"¡Garoto! Ela disse ao Joselo que se não me escolherem para o Menudo serão uns burros."
Realmente a palavra que usou foi outra, mas significava o mesmo.
Joselo, que falava com Edgardo nesse momento, virou-se e veio até nós.
"Papa olha, nós sairemos amanhã para Nova York, mas regressamos em alguns dias. Enquanto isso Edgardo quer que o Raymond se mantenha absolutamente escondido. Ninguém deve saber de nada, especialmente a imprensa. Agora se meter os pés pelas mãos pode resultar que Edgardo escolha outro garoto."
Não há problema. Assegure ao Edgardo que de nós não saberão nada. Ele disse isso ao mesmo tempo em que estendeu a mão para nos despedirmos.

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