quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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Com meu álbum na mão cheguei a Padosa. Rapidamente procurei René, mas ele desgraçadamente não estava lá. No momento que estava pronto para sair Rosita Lugo entrou pela porta.
"¿Senhor Acevedo? Oi, ¿o que lhe traz por aqui?"
"Estava tentando ver o René Zayas por um momento, mas ele não está."
"¿Você conhece o René?"
"Eu não, mas minha esposa estudou com ele na Universidade e me mandou para perguntar-lhe algo."
Rosita fixou-se no álbum de fotos e me perguntou o que eram. Disse-lhe que eram do Raymond e ao mesmo tempo entreguei em suas mãos.
"¡Que belas fotos Acevedo! ¿E este artigo é de Estrellitas não?
"Sim, acaba de sair."
"Acevedo, ¿você me emprestaria este álbum para mostrá-lo ao Edgardo? Eu sei que ele vai se encantar com as fotos."
¡BINGO! Sem pedir ela me deu de bandeja de prata. Com tom inocente e fazendo-me de desentendido lhe disse:
Bom, se quiser e cuidar do álbum, não vejo porque não.
Edgardo e os garotos saem hoje para Orlando e, de fato, vou para o aeroporto para levar-lhe uns papeis. Assim lhe farei chegar estas fotos hoje mesmo.
Me despedi e saí daquele escritório muito contente pois sabia que era bem importante essa segunda olhadinha que eu buscava por parte deles, especialmente de Edgardo, que não havia visto o Raymond pessoalmente.
Logo soube que Edgardo e os garotos estiveram olhando as fotos durante todo o vôo para Orlando e fazendo comentários muito positivos sobre Raymond.
Começou o período de silencio, pois haviam passado duas semanas sem uma só palavra. Soube pelo Advogado Agosto que Rosita estava de férias e que Edgardo ainda não havia escolhido ninguém. Pelo menos a noticia não era ruim, exceto a angustiosa espera. Raymond, pelo contrario, recebia as noticias serenamente e estava especialmente muito confiante.
Chegou o Natal e com ele a celebração do aniversário do Raymond (21 de dezembro). Comemoramos o grande dia em casa com uns familiares em Dorado Porto Rico onde Raymond lhes ofereceu um Pocket Show de presente para todos. Não sabíamos que esse momento ia ser seu último Show como solista. Descobrimos em Dorado que o Menudo tinha uma apresentação em 2 de Janeiro pela noite em praça pública e claro que, fizemos planos para assistir. Chegando este dia fomos para Dorado cedo de tarde para poder estacionar nosso carro na casa de minha tia que vivia perto da praça pública. As 8:00 da noite. Dorado já tinha mais de 5.000 pessoas aglomeradas ao redor do palco colocado no telhado de uma parte do edifício de esportes da cidade. Assim todo mundo podia ver o Menudo sem dificuldade. Era minha primeira experiência direta com este quinteto. Parecia mentira pensar que eles tivessem o magnetismo que tinham para poder atrair uma multidão tão grande. O entusiasmo da multidão era incrivelmente contagioso. O público ansioso gritava ¡Menudo! ¡Menudo!.. Senti-me por um momento assustado, pois só de pensar que meu filho poderia ser parte dessa magia me arrepiava os pelos. Se todos ali presentes soubessem que do seu lado assistindo o espetáculo como qualquer admirador, mas com a chama da euforia ardendo em seu peito, estava o possível próximo Menudo. Só bastou um instante para que eu fosse contagiado pelo "Vírus da MENUDITIS".
Por duas horas consecutivas aqueles meninos nos presentearam com sua música maravilhosa. Suas interpretações ao vivo eram superiores aos seus discos. O que se via naquele cenário era verdadeiros profissionais muito bem disciplinados. Podiam mudar de gênero musical com grande facilidade e em nenhum momento demonstravam cansaço apesar de seu suor intenso.
Olhei para o Raymond e perguntei: ¿Você acredita que possa chegar às botas de um desses integrantes?
Depois de uns instantes de profundo pensamento, ele deixou sair um suspiro do lugar mais profundo de sua alma e sem olhar-me respondeu:
Claro que sim. Não acredito que eu suportaria se me dissessem que não. Eu já os sinto como sendo parte de mim e eu como sendo parte de eles.
Isto era o que eu temia passar desde que começou todo este assunto de Menudo. As palavras de meu filho refletiam a depressão psicológica que poderia ocorrer caso houvesse uma negativa por parte do Menudo. Notei algumas lágrimas em seus olhos e certa palidez. Pela primeira vez refletiram duvida; condição de todo ser humano antes de receber noticias de uma decisão a favor ou contra ele. Por mais confiantes que estejamos sempre nos vem esses momentos de duvidas.

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