quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

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O incidente mais espantoso e que mais nos encheu de temor e preocupação aconteceu depois do último show nesse fim de semana. Quando fui ao camarim para felicitar os garotos e em especial o Raymond, pois ele teve vários momentos em que foi ovacionado por suas interpretações, especialmente "Flor De Coral", de Papo Gely, a qual foi escrita especialmente para que o Raymond a cantasse. Quando chegava ao camarim Jiménez chegou perto de mim e me disse que queria falar comigo:
"Olha Acevedo, tenho uma notícia muito ruim para te dar e o Edgardo está muito ferido para te falar ele mesmo, mas quer que eu te assegure que ninguém vai saber nada disto. Nós só queremos que você saiba para que veja que o Raymond é um moleque de duas caras. Contigo ele é uma coisa e no grupo ele é outra."
"Jiménez, termine de me contar o que vai me dizer, pois isto está me cheirando muito mau e não estou gostando nada disso."
"Não se altere que realmente não é nada tão ruim, mas, se outras pessoas descobrirem, seu filho poderia prejudicar-se. Olha, o Joselo mandou a Ramona (amiga e ajudante do Joselo) ver se tinha umas meias da cor preta na bolsa do Raymond. Inadvertidamente a Ramona encontrou um cone de Maconha na carteira, eu diria que aproximadamente cinco ou seis “baseados”, dentro da bolsa."
"¡Jiménez veja bem, pois o que você está me contando é muito sério! ¿Onde está a maconha?"
"Nós a entregamos ao Edgardo. Não queríamos que ninguém descobrisse."
"Olha, não me faça falar mal..., Mas isto parece uma cilada. Primeiramente, ¿quem deu permissão para a Ramona mexer na bolsa do meu filho? E segundo alguém que tem algo assim em sua bolsa, especialmente se o deixa onde alguém pode encontrá-lo, vai esconder dentro de alguns sapatos ou de alguma peça de roupa. Assim que por casualidade que a Ramona vai diretamente à carteira e encontra esse cone, depois sem saber o que é, tira de lá e o entrega ao Joselo, este em vez de vir até mim, vai dar a “queixinha” ao Edgardo que apenas te manda vir me contar. ¡ Garoto! Nem o Médico Chinês acreditaria nisso!"
"Acevedo o que acontece é que você tem uma fé cega no seu filho e não vê a realidade. Seu filho tem um problema e não queremos que se queime e que todo mundo saiba, por isso venho te contar."
"Olha Jiménez, se quiser ligue para a polícia, ou para a imprensa, ou pra quem te dê na telha. Se vocês acham que com isso vão me manter preso e submisso estão equivocados. Se algum dia me der vontade de falar isso não vai me segurar em nada. Eu não me amedronto facilmente e meu filho também nem um pouco."
"Eu cumpri com minha obrigação de te comunicar. O resto quem decide é você."
"Vamos deixar assim, Jiménez, pois isso realmente já chegou muito longe. Eu vou investigar tudo a respeito."
Deixei o Jiménez no corredor da escada de emergência que dava acesso aos pisos superiores, onde conversamos, e me dirigi ao camarim. O Raymond estava se vestindo, quando lhe interrompi.
"Raymond, necessito falar com você."
"Diga papai." Lhe expliquei o que tinha acontecido e enfurecido ele me disse:
"Papai te juro que eu não coloquei isso aí. Esta tarde o Papo Tito estava me oferecendo "Erva" e mencionou que tinha um cone. Assim que eu aposto que foi ele que a colocou lá dentro. Me dói muito que o Edgardo esteja tentando me chantagear com algo, já que não tem nada mais para me pegar. Olha papai, primeiramente, ¿quem deu permissão para procurar na minha carteira e segundo se isso estivesse lá, que demônios lhe disse que era meu e quem acima disso, deu permissão para tirá-lo da minha carteira? Se estava lá, então, era algo privado meu e não tinham nenhum direito de tirá-lo de onde estava. ¡Não, papai! Isto é uma "cama de gato". ¡Querem me pegar em algo, mas não vão conseguir! "
"Eu acredito em você filho, eu me fiz as mesmas perguntas. Também lhe adverti que nada do que alegam ter acontecido vai me calar em nada de nada. Olha, não quero que sua mãe saiba disto porque vai ser motivo de preocupação e ela já está bastante nervosa."
Entrou em mim um temor de que iam fazer alguma armadilha para o Raymond para poder controlá-lo. Já que eles sabiam que em setembro o Raymond saía do grupo e não queriam que ele saísse falando tudo o que sabia. Teria que ter um cuidado imenso com o Raymond, pois sim isto era um exemplo do que o Edgardo se referiu, "ele não sabe quem eu sou", então o Raymond tinha que estar alerta. Tentei persuadi-lo pra que ele deixasse o grupo naquele momento, mas se recusou dizendo que ele queria cumprir o tempo que o Edgardo havia estipulado para que depois não pudesse dizer que deixou o grupo para prejudicar o Menudo, como geralmente ele diz nessas ocasiões.

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