Quando chegamos a Orlando
rapidamente fomos ver o Raymond no Peabody Hotel. Enquanto estivemos lá no seu
quarto, todos os garotos se reuniram com o Edgardo, Joselo e Marilyn Pagan. Nós
nos sentamos em duas poltronas confortáveis e nos mantivemos calados. Em um
momento que o Edgardo estava do meu lado lhe disse:
"Oi Edgardo, tu
soubeste que o Rafael está tentando reabrir o caso do Víctor Junquera. Creio
que a justiça se interessou, já que casos de morte não prescrevem."
Edgardo ficou pálido e parecia
que não conseguia falar. Sem dizer nada chamou o Jiménez para o outro quarto
onde estiveram conversando por meia hora. Não voltei a ver o Jiménez e quando
perguntei sobre ele, me disseram que o haviam mandado a Porto Rico para um assunto
importante. Edgardo foi para Miami antes do show do Hotel Peabody. Creio que
sem querer com a minha notícia tinha precipitado inúmeros eventos que
culminaram na próxima semana quando recebemos uma ligação da Genoveva no nosso
hotel, no domingo cedo:
"Magaly, quem esta
falando é a Geno. Olha tenho que te dar uma notícia. Garota acaba de sair no
jornal que o Edgardo vendeu o Menudo para uma companhia Panamenha, por $500.000."
"¡Mas como ele fez
isso!, Geno, se acabamos de estar com o Edgardo aqui em Orlando e ele não nos
disse nada."
"Mas escute outra coisa,
a Padosa acaba de declarar falência, liquidação total, creio que isso é o Capítulo
7 ou algo assim. Eu liguei para a Dona Panchi e ela me assegurou que isto não
vai afetar em nada os bebês e que o dinheiro deles está seguro."
"A verdade é que não
sei o que pensar, isto nos pegou de surpresa. Eu vou passar o telefone para o
meu esposo, pois ele quer te perguntar algo."
"Olá Genoveva, olha
se você tiver o artigo aí, leia-o pra mim, por favor."
Genoveva me leu o artigo
completo. Entre as coisas que mais me chamou a atenção foi o detalhe, de que
esta companhia, Bereford, que "supostamente" tinha comprado o Menudo,
havia feito isto desde o mês de maio de 1987. Já fazia mais de um ano que o
Menudo pertencia a uns investidores estrangeiros. A grande surpresa foi que o
presidente dessa firma de investidores era nada menos que José A. Jiménez. Rapidamente
minha mente começou a calcular. Se a Padosa havia vendido o Menudo há um ano
então ¿Por que nos fizeram mudar a estrutura de pagamento nos contando uma
história triste de ajuda e cooperação com a Padosa? Isso queria dizer que nos
pegaram como uns tontos e nos mentiram novamente. Se a Bereford era realmente a
nova dona do Menudo, ¿por que não houve uma mudança de contrato ou algum tipo
de renegociação? Eu calculei que cada garoto por ter mudado o sistema de pagamento
para a porcentagem havia perdido aproximadamente $60.000,00 em salários. Com a falência
da Padosa, e nossos contratos estando ainda no nome desta, as cláusulas que
protegiam os garotos não eram válidas. Todos os direitos autorais que não haviam
pagado até o momento da falência e que eram muitos, os garotos os perderam
completamente. Toda pessoa que sabe um pouco de negócios sabe que quando se
adquire uma companhia, esta geralmente, está limpa de toda dívida e livre
também para renegociar os contratos existentes e reorganizar completamente a
estrutura dessa companhia. A promessa de seis meses de porcentagem ao sair do
Menudo também era uma grande mentira que o Edgardo utilizou para suavizar os
nossos ânimos e tranquilizar-nos.
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