sábado, 31 de dezembro de 2016

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Raymond tinha deixado uma roupa na Loma em sua última estadia e queria levá-la em sua viagem. Assim fomos para lá buscá-la. Nunca tinha entrado na mansão do Edgardo e estávamos muito intrigados e ansiosos para vê-la. Quando chegamos Raymond quis rapidamente dar una excursão por toda a casa. Realmente era preciosa e muito bem decorada. Eu, que sou um pintor, me senti atraído pela paisagem. Tudo era tranquilo e bonito. O vale de Caguax como chamavam os indígenas que habitavam nossa ilha, os Taínos, e se via em sua totalidade desde a grande piscina exterior. Dentro tinha a outra piscina, menor, mas não menos luxuosa. O salão de jogos com sua mesa de bilhar tinha um ambiente acolhedor. Fomos com o Raymond até a cozinha onde estavam Dona Panchi, Edgardo, Senhor Nacho, o pai deste, Edwin Fonseca e nosso grande personagem Osvaldo Rivera, mais conhecido como "Papo Tito", do qual estaremos falando consideravelmente durante este livro.
Todos estavam jantando e quando entramos Dona Panchi, sem levantar-se, nos cumprimentou:
"Oi Sr Raymond, Dona Magaly. ¿O que é que os traz por aqui?"
"A gente veio buscar uma roupa do Raymond para sua viagem."
Edgardo que nem sequer tinha tirado os olhos do seu prato disse:
"Vê se não leva muita coisa, já que o Joselo leva a maioria das roupas que vão usar. O Menudo gasta mais de $100.000,00 por ano só em roupa e eles continuam levando um montão de roupa que nos custa dinheiro de sobre peso."
"Fico feliz de você ter dito isso, porque se deixar ele leva até os móveis de casa;" Lhe respondi em forma de piada, mas as paredes riram mais do que eles.
Minha esposa me deu uma olhada que entendi rapidamente, era de um "vamos", ¡agora! Ela, assim como eu se sentiu tão deslocada e tão intrusa que abaixou cabeça de tanta vergonha que sentia. Esta gente com a frieza de um cubo de gelo continuou copiando e conversando entre eles, deixando-nos parados no meio da salinha que tinha lá.
No caminho até nossa casa minha esposa Magaly que tinha ficado em silêncio por fim me disse:
"Eu sabia que não devia ter vindo nessa casa, olha, te juro que jamais pisarei nela outra vez. ¿Mas, o que é que essa gente tem contra nós? Você viu que nem por cortesia nos convidaram nem para sentar ou ofereceram um suco nem nada. Não sei se você me entende, mas me senti um lixo."
"Eu também senti o mesmo, mas estou me dando conta que todos estão autorizados a maltratar os novos pais. Parece que é como um objetivo que nos rendamos e não nos metamos em nada. Parece que querem nos colocar o temor de que podemos prejudicar o nosso filho em sua carreira para assim então nos manterem a margem de tudo e bem calados."
"Pois comigo eles já conseguiram, porque eu não volto mais lá."
"Não diga isso mamãe (*apelido carinhoso usado pelo pai de Raymond referindo-se a sua esposa Magaly), é precisamente isso que eles buscam. Agora sim é que eu vou me meter em tudo e vou aparecer até nas sopas. A mim não vão afugentar ou intimidar. É o meu filho que estou dando para que ele preste seus serviços, não um cachorro da rua. Eu não quero a comida deles, mas juro pela minha mãe que da próxima vez entro na cozinha e eu mesmo me sirvo, só para aborrecê-los."
"Ai papai (*apelido carinhoso usado pela mãe de Raymond referindo-se a seu marido e autor deste livro Ramón Acevedo), ¡não vá fazer isso que eu morro de vergonha!"
"Estou falando sério, as pessoas gostam de mim por bem ou por mal, mas gostam de mim, como dizia Muhammad Ali. Eu não vou permitir que me amedrontem, me separem e me isolem do meu filho. De agora em diante quando o Raymond vir para Porto Rico, onde quer que ele vá eu vou e te garanto que vou fazer isso de cabeça erguida. Onde ele tiver que ir eu vou levá-lo e buscá-lo, ou melhor ainda eu vou ficar esperando ele. Você verá."
Você tem razão, não podemos render-nos tão rápido, temos que continuar lutando. Vou ligar para a mãe do Rey Reyes que me deu seu telefone no Bellas Artes e vou lhe perguntar se isso é normal e se já aconteceu com eles.
¡Olha!, Mas eu ainda estou perplexo, de lembrar como eles nos ignoraram. ¡Isto é incrível!
Nessa noite Magaly falou com a mãe do Rey Reyes e assim como nós eles receberam o mesmo tratamento. Ela disse que eles queriam nos alienar e não fazerem coisas tão atrativas para que não déssemos conta de todas as suas riquezas.
A verdade era que estávamos aprendendo algo novo todos os dias, mas a vida é assim, uma escola, e eu ia a ser um bom estudante neste assunto. Penetrar e romper esta barreira ia a ser algo muito difícil, mas eu estava determinado a fazê-lo. Não conseguia compreender o porquê de tudo isso, mas ninguém ia me deter.

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Penetrando A Barreira
Capítulo 9

Depois do show no Bellas Artes, Raymond e eu voltamos para nossa casa. Nessa noite iam apresentar o Menudo no programa Noche De Gala. Este programa do canal 2 da Telemundo da televisão porto riquenha é um dos mais respeitados e conhecidos de Porto Rico. Sendo produzido por Paquito Cordero, claro que o Menudo sempre teria um lugar garantido. Isto era certo especialmente porque no fim de semana em que o programa era exibido, o Menudo estava no Bellas Artes. Tínhamos muito interesse neste programa em particular, pois sabíamos que iam falar do Raymond.
Eu soube que o Robby não se sentia muito bem e que depois do show, dessa manhã, iam levá-lo ao médico. Quando o programa começou anunciaram que apesar de estar com pneumonia, Robby estava presente. Um médico o acompanhava se por acaso ele piorasse. A fumaça sintética que se usava no programa para os efeitos especiais parece que lhe afetava os pulmões e durante o andamento do programa a saúde de Robby piorou e ele não participou de vários números.
Robby foi hospitalizado e o espetáculo de sexta-feira dia 8 de fevereiro foi cancelado. Foi a primeira vez na história do Menudo que um show foi suspendido pelo fato um de seus integrantes estar doente. No sábado dia 9 de fevereiro anunciaram que o Menudo faria dois shows e no domingo fariam 4 shows. Também anunciaram que Robby Rosa estaria em todos os shows.
Fomos cedo com toda a família para o Bellas Artes, pois não íamos perder nem um show sequer. Novamente tive problemas para entrar pela entrada de trás que dava acesso aos artistas. Ao ver que os outros pais entraram, nós os seguimos e entramos com eles. Votei a mencionar o assunto da minha entrada no Bellas Artes e minha indignação pela falta de interesse deles em colocar meu nome na lista. O produtor Manolito Rodríguez me prometeu que ele se encarregaria do assunto de corrigir a lista. Falei sobre o incidente com o Edgardo, mas, como antes, ele não fez caso, me ignorou e continuou andando.
Raymond nos cumprimentou, mas continuou vestindo-se e penteando-se. Vimos o Robby e para um garoto que estava com pneumonia ele estava bem hiperativo. Não parava quieto e ia de um lado do camarim para o outro como se estivesse desorientado, mas ao mesmo tempo aquecendo sua voz. Apesar de que o Robby sempre foi um jovem bem nervoso, este dava a impressão de que estava sob efeito de algum medicamento que lhe produzia uma condição de hiperatividade. Um médico acupunturista estava presente no camarim. Este médico era amigo do Edgardo. O Doutor ia, mediante a acupuntura, relaxar os garotos depois de cada show. Era este Doutor que tratava o Edgardo em seus frequentes momentos de "Stress" e aparentemente com muito êxito. Para nós era difícil compreender como um jovem com pneumonia queria estar em shows tão desgastantes onde o consumo de energias era imenso. Estes garotos suavam tanto que uma vez ao subirem na balança para registrar seu peso antes de um show e depois do mesmo, eles perderam aproximadamente 2 quilos cada um. Toda esta perda era de líquidos corporais. Assim imaginem em quatro shows em um só dia com duas horas de descanso entre um e outro. Depois de um tempo nos demos conta dessa prática de fazer os meninos trabalharem enquanto estavam doentes e muitas, vezes como esta, com enfermidades serias.
O incrível de tudo isso era que quanto mais você via o Menudo, mais desejava vê-los. Não se cansava e mesmo que já estivesse visto o mesmo show vinte vezes, esse último era melhor que o anterior. Minhas filhas, minha esposa e eu vimos todos os shows desse fim de semana e nos unimos aos gritos e cânticos. Esta foi a primeira vez que em um show do Menudo ouviu-se uma voz de mulher gritando freneticamente:
¡"BRAVO!, ¡BRAVO!, ¡BRAVOOOO!(*grito que significa que a pessoa em questão está aprovando, gostando, achando muito bom)"
¡Sim!, Era a última oportunidade das Super Fãs dispostas a sacrificar sua voz pelo Menudo, ¡MINHA ESPOSA! Esta gritou, chorou, sorriu e praticamente beijou todo mundo do teatro. Sua alegria e emoção foi inspiração para os outros pais que no começo de nossa aventura com o Menudo eram como múmias sem expressão. Como em uma igreja. Aparentemente o medo que eles tinham de que o Edgardo lhes chamasse a atenção impedia que eles se expressassem, mas minha esposa fez renascer o grupo das mães dos Menudos que pouco tempo depois gritavam e cantavam como ela.
Quando terminou o último show no domingo dia 10, minha esposa e eu já tínhamos abandonado a Sala de Festivais e entrado na área dos camarins. Eu fui para a parte de trás do palco para ver os garotos terminarem. Finalizado o show Robby caminhou até mim, mas antes de chegar do meu lado ele caiu. Tinha muita dificuldade para respirar e fazia um ruído ao tentar respirar. Conseguimos sentá-lo em uma cadeira de rodas que tinha sido levada precisamente para ele, caso fosse necessário. Entre as centenas de fãs que se aglomeraram na saída na parte de trás do centro pudemos colocar o Robby em um carro para levá-lo ao hospital. Me senti realmente perturbado, ¿Como é que o Edgardo permite que estes meninos façam, não um mas seis shows estando nesta condição de enfermidade? Minha experiência logo me deu a resposta, pois não era que ele permitisse ou não, mas sim que ele insistia que fosse assim. Disto falaremos mais tarde assim que surjam os casos.
No próximo dia Raymond se preparava para sua primeira viagem com o Menudo. Apesar de que ainda não ocuparia seu lugar no grupo, ia viajar para Los Ángeles, Califórnia para gravar o comercial da Pepsi Cola. Primeiro iam ir ao Havaí para fazer uns shows e na volta iam gravar o comercial. Ele estava bem animado e nos fez comprar roupa nova para sua primeira viagem. Nem tenho que mencionar como a Magaly se sentia, pois havia chegado o angustioso dia tão temido, o dia de se separar de seu filho.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

página 95



As luzes se apagaram e a cortina se abriu. Logo uma luz cegante rodeada de fumaça iluminou o cenário. Entre a luz e a fumaça se notava elevando do piso as silhuetas indistinguíveis de cinco pessoas em diversas poses. Era emocionante este momento, pois pareciam anjos subindo ao céu. A música começou ao mesmo tempo que os garotos saíram das poses. Era realmente espetacular ver o profissionalismo envolto no espetáculo.
Cantaram aproximadamente oito canções entre gritos e aplausos vibrantes. Rey, Charlie, Robby, Roy e Ricky se aproximaram da passarela que chegava até o público e começaram a fazer umas piadas e falar. Charlie então disse:
"Robby, ¿ Você já teve um sonho e esse sonho se tornou realidade?"
"Sim, como nos contos de fadas."
"¡Exatamente, isso mesmo!"
"¡Mas me diga uma coisa! ¿Por que você me perguntou isso?"
"Olha Robby, vou te mostrar um conto sobre um garoto que teve um sonho."
Enquanto falavam o som começou a baixar e eles caminhavam para traz do cenário ao mesmo tempo em que as luzes baixavam em intensidade até ficar completamente escuro. Logo começou a música e uma voz angelical e preciosa começou a cantar.
"Son las seis y media y no has llegado.
Nuestro avión ya tiene que partir.
Nunca me sentí tan desgraciado...”
¡Sim, era meu filho! E só uma luz iluminava seu rosto. Vestia roupa azul água e uma de suas pernas tinha franjas brancas e negras. Os comentários de todos ao meu redor foram incrivelmente favoráveis. Todos se maravilharam com essa voz forte e melódica. Quando veio a parte do refrão pelo lado oposto do palco aparece Rey Reyes que foi o intérprete original dessa canção, cantando em dueto com Raymond. Depois Robby Rosa a gravou em inglês para o álbum "Reaching Out". Não tenho palavras que realmente possam descrever minha reação e meus sentimentos nesse momento. Corri para os bastidores e esperei que terminasse sua canção. Quando se virou para sair ele me viu e correu para abraçar-me. Ambos choramos profundamente de alegria. Logo os outros garotos do grupo estavam nos abraçando junto com as bailarinas e resto do pessoal, todos chorando com a gente. Realmente foi um momento muito bonito ver a demonstração de sensibilidade dos outros membros do grupo e das pessoas ali presentes. Momentos como este e muitos outros foram os que obrigavam qualquer um a fazer omissão de certas coisas que se apresentavam no caminho. Estes eventos e a emoção profunda envolvida com eles, resultaram como sendo os responsáveis das vendas que tapavam os meus olhos e os olhos dos outros pais dos Menudos.
Esta inevitável venda nos deixava ver só o que "Eles" queriam que víssemos "A gloria do Menudo" e nada mais.

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página 94



Enquanto esperava fui para a cafeteria para tomar um refrigerante. Quando cheguei lá me encontrei com o pai do Rey Reyes. Quando este me viu, me cumprimentou calorosamente e me apresentou seu filho Raúl.
"Padosa está atrás deste para o Menudo, mas eu não erro com dois. Com o Rey eu caí porque não sabia de nada, mas não me pegam mais."
"¿O que você quer dizer?"
"Logo você vai ver Acevedo. Olha, vai acontecer com você o que aconteceu comigo. Um amigo de Bayamón quando mencionei que Acevedo era o pai do novo Menudo, me disse: "Agora sim que o caldo entornou, pois esse é mais brabo que você."
"¿Quem será esse?;" Lhe perguntei instintivamente.
"Olha Acevedo, estas pessoas são uns ladrões. Roubaram milhões e milhões de dólares do meu filho e não lhe colocaram no mundo das drogas ou trataram de pervertê-lo sexualmente porque eu estive lá grudado como chiclete. Como não puderam fazer nada inventaram um monte de mentiras para tirar o meu filho. Imagina que chegaram a dizer que eu fazia propostas indecentes para as fãs com a promessa de levá-las para conhecer o Rey. Tem um bando de "loucas" envolvidos nisso tudo e te aconselho que vigie bem o seu filho especialmente desse que chamam de "Papo Tito". Esse é o braço direito do Edgardo em suas tramóias e você tem que ter cuidado com ele."
"O advogado Agosto já tinha me advertido sobre alguém na Padosa chamado Papo Tito, ainda que me dissesse que ele era um agregado desses que se aproximam do Menudo, e não um amigo do Edgardo. Meu filho havia me dito que Papo Tito era bem legal com ele."
"Sim, esse é o seu trabalho, cara, e é isso que ele faz bem. Faz amizade com os garotos e ganha a confiança deles. Proteja-se deste, ele é perigoso. Me diga uma coisa, você, ao entrar na Padosa, ¿não te esconderam os papeis que tem no escritório?"
Sim em varias ocasiões.
"Então eles estão com medo, parece que sabem que você não seguir a cartilha deles."
Eu penso em vigiar bem a situação e ver o que acontece. Estou recebendo muitas mensagens divergentes e confusas. Acreditamos tanto nesse negócio do Menudo que é bem difícil acreditar em tudo o que comecei a ouvir.
"Não vou te falar mais nada, porque no começo eu não quis escutar ninguém. A Celita que é a mãe do  Johnny, conversou comigo e me disse muitas coisas, mas eu não quis ouvir nada."
"Veja bem, não é que eu não te escute, mas já me sinto preso pelo meu filho de um lado e do outro lado pelo Menudo. E vou te dizer mais. Realmente me pergunto: ¿Se tudo o que você diz e outros me disseram for verdade? ¿Por que as autoridades não fizeram nada?"
"O Edgardo tem meio mundo comprado e tem a imprensa 100% a seu favor. Só aquele garoto da Estrellitas é o único que escreve seja o que for do Menudo, o bom e o mal. Mas Edgardo está tratando de desprestigiá-lo. Ele proibiu o meu filho de falar com ele."
"Você está falando de Néstor Rivera, pois pra mim ele já fez essa advertência."
"Você vê, é sempre o mesmo, aquele que não lhes agrada se transforma em um inimigo deles. Logo verás que quando abandonares o grupo você se transformará instantaneamente em um inimigo deles e até os outros pais que você acredita que são seus amigos serão os primeiros a te dar as costas. Não acredite em mim, mas quando tudo isso acontecer com você, a primeira pessoa em que você vai pensar serei eu."
Ele me deu a mão e caminhou para dentro do teatro, pois a amostra já ia começar. Logo depois de desejar boa sorte para o Raymond fui também para dentro da imensa sala de teatro. O teatro estava cheio de estudantes de diferentes escolas públicas da ilha que estavam gritando e esperando o Menudo com grande expectativa. Me uni nesse sentimento, pois a minha expectativa era bem maior.