Raymond tinha deixado uma roupa
na Loma em sua última estadia e queria levá-la em sua viagem. Assim fomos para lá
buscá-la. Nunca tinha entrado na mansão do Edgardo e estávamos muito intrigados
e ansiosos para vê-la. Quando chegamos Raymond quis rapidamente dar una
excursão por toda a casa. Realmente era preciosa e muito bem decorada. Eu, que
sou um pintor, me senti atraído pela paisagem. Tudo era tranquilo e bonito. O
vale de Caguax como chamavam os indígenas que habitavam nossa ilha, os Taínos,
e se via em sua totalidade desde a grande piscina exterior. Dentro tinha a outra
piscina, menor, mas não menos luxuosa. O salão de jogos com sua mesa de bilhar tinha
um ambiente acolhedor. Fomos com o Raymond até a cozinha onde estavam Dona Panchi,
Edgardo, Senhor Nacho, o pai deste, Edwin Fonseca e nosso grande personagem
Osvaldo Rivera, mais conhecido como "Papo Tito", do qual estaremos falando
consideravelmente durante este livro.
Todos estavam jantando e quando
entramos Dona Panchi, sem levantar-se, nos cumprimentou:
"Oi Sr Raymond, Dona
Magaly. ¿O que é que os traz por aqui?"
"A gente veio buscar
uma roupa do Raymond para sua viagem."
Edgardo que nem sequer tinha tirado
os olhos do seu prato disse:
"Vê se não leva muita
coisa, já que o Joselo leva a maioria das roupas que vão usar. O Menudo gasta
mais de $100.000,00 por ano só em roupa e eles continuam levando um montão de
roupa que nos custa dinheiro de sobre peso."
"Fico feliz de você
ter dito isso, porque se deixar ele leva até os móveis de casa;" Lhe respondi em forma de piada,
mas as paredes riram mais do que eles.
Minha esposa me deu uma olhada
que entendi rapidamente, era de um "vamos", ¡agora! Ela, assim como
eu se sentiu tão deslocada e tão intrusa que abaixou cabeça de tanta vergonha que
sentia. Esta gente com a frieza de um cubo de gelo continuou copiando e conversando
entre eles, deixando-nos parados no meio da salinha que tinha lá.
No caminho até nossa casa minha
esposa Magaly que tinha ficado em silêncio por fim me disse:
"Eu sabia que não
devia ter vindo nessa casa, olha, te juro que jamais pisarei nela outra vez.
¿Mas, o que é que essa gente tem contra nós? Você viu que nem por cortesia nos
convidaram nem para sentar ou ofereceram um suco nem nada. Não sei se você me
entende, mas me senti um lixo."
"Eu também senti o
mesmo, mas estou me dando conta que todos estão autorizados a maltratar os novos
pais. Parece que é como um objetivo que nos rendamos e não nos metamos em nada.
Parece que querem nos colocar o temor de que podemos prejudicar o nosso filho
em sua carreira para assim então nos manterem a margem de tudo e bem calados."
"Pois comigo eles já
conseguiram, porque eu não volto mais lá."
"Não diga isso mamãe
(*apelido carinhoso usado pelo pai de Raymond referindo-se a sua esposa Magaly),
é precisamente isso que eles buscam. Agora sim é que eu vou me meter em tudo e
vou aparecer até nas sopas. A mim não vão afugentar ou intimidar. É o meu filho
que estou dando para que ele preste seus serviços, não um cachorro da rua. Eu não
quero a comida deles, mas juro pela minha mãe que da próxima vez entro na cozinha
e eu mesmo me sirvo, só para aborrecê-los."
"Ai papai (*apelido
carinhoso usado pela mãe de Raymond referindo-se a seu marido e autor deste
livro Ramón Acevedo), ¡não vá fazer isso que eu morro de vergonha!"
"Estou falando sério,
as pessoas gostam de mim por bem ou por mal, mas gostam de mim, como dizia Muhammad
Ali. Eu não vou permitir que me amedrontem, me separem e me isolem do meu
filho. De agora em diante quando o Raymond vir para Porto Rico, onde quer que
ele vá eu vou e te garanto que vou fazer isso de cabeça erguida. Onde ele tiver
que ir eu vou levá-lo e buscá-lo, ou melhor ainda eu vou ficar esperando ele. Você
verá."
Você tem razão, não
podemos render-nos tão rápido, temos que continuar lutando. Vou ligar para a
mãe do Rey Reyes que me deu seu telefone no Bellas Artes e vou lhe perguntar se
isso é normal e se já aconteceu com eles.
¡Olha!, Mas eu ainda estou
perplexo, de lembrar como eles nos ignoraram. ¡Isto é incrível!
Nessa noite Magaly falou com a
mãe do Rey Reyes e assim como nós eles receberam o mesmo tratamento. Ela disse que
eles queriam nos alienar e não fazerem coisas tão atrativas para que não déssemos
conta de todas as suas riquezas.
A verdade era que estávamos
aprendendo algo novo todos os dias, mas a vida é assim, uma escola, e eu ia a
ser um bom estudante neste assunto. Penetrar e romper esta barreira ia a ser
algo muito difícil, mas eu estava determinado a fazê-lo. Não conseguia compreender
o porquê de tudo isso, mas ninguém ia me deter.
