domingo, 25 de dezembro de 2016

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Estive nos escritórios da Padosa por uma hora e conheci todos os outros garotos do grupo. Instantaneamente senti carinho por todos. Eram uns garotos encantadores. Realmente pareciam especiais, sem duvida este foi um grupo que refletia grande sucesso. Deixei as coisas que o advogado pediu com a sua secretaria e fui embora.
Nessa noite quando cheguei em casa, minha esposa estava bem agitada e chateada.
"¿O que aconteceu hoje na Padosa porque o Advogado Agosto acaba de vir aqui com 4 pedras na mão?"
"¿Mas, o que ele disse?"
"Me disse que você teria que ter cuidado com o que falava, porque os repórteres que estavam na Padosa por pouco viram o Raymond. Disse que Edgardo está muito chateado com o assunto."
"Olha Magaly que o Edgardo e a Padosa vão para o inferno, pois eu não fiz nada mais do que o que eles me mandaram que fizesse. Olha eu vou ir agora mesmo a casa do Agosto para esclarecer este assunto e se ele me aborrecer eu trago o Raymond hoje mesmo para casa e acabo com tudo isso. Já estou cansado dele ficar me dando bronca e me marginalizando como se eu fosse um menino."
"Você tem que ter cuidado, pois nós não queremos arruinar isto para o Raymond."
"Olha Magaly, estas pessoas não são loucas. Eles já estão investindo no Raymond, com fotos e gravações. Já está convocada a coletiva de imprensa para terça-feira dia 22 de janeiro e eu não acredito que vão mudar de ideia. Vejo que o que eles estão tentando fazer é deixar a gente com medo de arruinar esse negócio para nosso filho, para nos controlar e nos marginalizar como aparentemente fazem com os outros pais. ¿Quantos deles nos ligaram para nos felicitar e nos conhecer? ¡Nenhum!, ¿Não é verdade? Eles não vão me marginalizar ou me separar do Raymond nem sequer por um minuto de agora em diante, eu te garanto."
Sem dizer nada mais saí para a casa do Advogado Agosto. Este estava sentado na mesa do jantar lendo um jornal e quando percebeu minha presença me disse:
"Pode entrar Ray."
"Olha Papo, vou te dizer uma coisa de uma vez por todas. Eu não sou um menino para que você, Edgardo, Dona Panchi ou outra pessoa da Padosa fiquem me dando bronca. Eu não sei de bulhufas do que aconteceu com esses repórteres, eles já estavam lá quando eu cheguei. Em segundo lugar se vocês acham que só porque eu deixei meu filho entrar no Menudo significa que eu tenho que me afastar dele e deixá-lo nas mãos de vocês, podem tirar o cavalinho da chuva. Eu não vendi, nem cedi meus direitos de pai para vocês e nem para ninguém e tão pouco penso em fazê-lo. Eu assinei um contrato para ele oferecer seus serviços profissionais ao Grupo Menudo, mas ele não vendeu a sua alma e vida exclusivamente para vocês."
"Calma cara, não foi isso que eu quis dizer para a Magaly, parece que ela não entendeu bem."
"Não, Agosto, minha esposa sabe muito bem o que vocês da Padosa pretendem fazer, e garanto para vocês que comigo não vai funcionar. Pode ser que os outros pais estejam dominados como cordeirinhos, mas eu não. Se tiver que tirá-lo hoje mesmo eu faço, mas não vou permitir que quebrem o sentido de família que ele tem. Ele vai continuar sendo meu filho e te prometo que ele continuará sendo em todo o sentido da palavra e que Deus Livre que algo aconteça com ele por minha posição em todo isto, pois vocês não são os únicos que podem fazer uma coletiva de imprensa."
"Olha, Ray, esqueça disso que tudo está bem, eu só queria me assegurar de que vocês mantivessem tudo isto em segredo até a coletiva de imprensa, pois o Edgardo têm planos publicitários específicos."
"Te garanto que não me meto nessas questões artísticas do Edgardo e seguirei suas ordens ao pé da letra, mas não ensinarei meu filho a fazer o mesmo. Igualmente te digo que se mexerem com o meu filho, aí serei como a praga das moscas sobre os Egípcios. "
"Vá tranquilo Ray que tudo está bem."
"Nos vemos então, Agosto."
Sem dizer mais nenhuma palavra fui embora com a impressão de que havia estourado uma veia. Dei-me conta de que não estavam acostumados com nenhum tipo de fiscalização. Estavam acostumados a fazerem o que quisessem com os meninos, e os pais só sabiam o que os garotos lhes contavam, que por sua vez estavam doutrinados a não contar nada. Teria que trabalhar o ângulo da comunicação com meu filho e não deixar que este se rompesse por nada. O barômetro era ele, pois a Padosa tinha um sistema de segurança informativa incrivelmente afinado e funcionando com perfeição. Tive também a impressão que o pai do Rey Reyes havia criado uma grande dor de cabeça a Padosa e eles não queriam arriscar-se comigo.

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