sábado, 31 de dezembro de 2016

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Penetrando A Barreira
Capítulo 9

Depois do show no Bellas Artes, Raymond e eu voltamos para nossa casa. Nessa noite iam apresentar o Menudo no programa Noche De Gala. Este programa do canal 2 da Telemundo da televisão porto riquenha é um dos mais respeitados e conhecidos de Porto Rico. Sendo produzido por Paquito Cordero, claro que o Menudo sempre teria um lugar garantido. Isto era certo especialmente porque no fim de semana em que o programa era exibido, o Menudo estava no Bellas Artes. Tínhamos muito interesse neste programa em particular, pois sabíamos que iam falar do Raymond.
Eu soube que o Robby não se sentia muito bem e que depois do show, dessa manhã, iam levá-lo ao médico. Quando o programa começou anunciaram que apesar de estar com pneumonia, Robby estava presente. Um médico o acompanhava se por acaso ele piorasse. A fumaça sintética que se usava no programa para os efeitos especiais parece que lhe afetava os pulmões e durante o andamento do programa a saúde de Robby piorou e ele não participou de vários números.
Robby foi hospitalizado e o espetáculo de sexta-feira dia 8 de fevereiro foi cancelado. Foi a primeira vez na história do Menudo que um show foi suspendido pelo fato um de seus integrantes estar doente. No sábado dia 9 de fevereiro anunciaram que o Menudo faria dois shows e no domingo fariam 4 shows. Também anunciaram que Robby Rosa estaria em todos os shows.
Fomos cedo com toda a família para o Bellas Artes, pois não íamos perder nem um show sequer. Novamente tive problemas para entrar pela entrada de trás que dava acesso aos artistas. Ao ver que os outros pais entraram, nós os seguimos e entramos com eles. Votei a mencionar o assunto da minha entrada no Bellas Artes e minha indignação pela falta de interesse deles em colocar meu nome na lista. O produtor Manolito Rodríguez me prometeu que ele se encarregaria do assunto de corrigir a lista. Falei sobre o incidente com o Edgardo, mas, como antes, ele não fez caso, me ignorou e continuou andando.
Raymond nos cumprimentou, mas continuou vestindo-se e penteando-se. Vimos o Robby e para um garoto que estava com pneumonia ele estava bem hiperativo. Não parava quieto e ia de um lado do camarim para o outro como se estivesse desorientado, mas ao mesmo tempo aquecendo sua voz. Apesar de que o Robby sempre foi um jovem bem nervoso, este dava a impressão de que estava sob efeito de algum medicamento que lhe produzia uma condição de hiperatividade. Um médico acupunturista estava presente no camarim. Este médico era amigo do Edgardo. O Doutor ia, mediante a acupuntura, relaxar os garotos depois de cada show. Era este Doutor que tratava o Edgardo em seus frequentes momentos de "Stress" e aparentemente com muito êxito. Para nós era difícil compreender como um jovem com pneumonia queria estar em shows tão desgastantes onde o consumo de energias era imenso. Estes garotos suavam tanto que uma vez ao subirem na balança para registrar seu peso antes de um show e depois do mesmo, eles perderam aproximadamente 2 quilos cada um. Toda esta perda era de líquidos corporais. Assim imaginem em quatro shows em um só dia com duas horas de descanso entre um e outro. Depois de um tempo nos demos conta dessa prática de fazer os meninos trabalharem enquanto estavam doentes e muitas, vezes como esta, com enfermidades serias.
O incrível de tudo isso era que quanto mais você via o Menudo, mais desejava vê-los. Não se cansava e mesmo que já estivesse visto o mesmo show vinte vezes, esse último era melhor que o anterior. Minhas filhas, minha esposa e eu vimos todos os shows desse fim de semana e nos unimos aos gritos e cânticos. Esta foi a primeira vez que em um show do Menudo ouviu-se uma voz de mulher gritando freneticamente:
¡"BRAVO!, ¡BRAVO!, ¡BRAVOOOO!(*grito que significa que a pessoa em questão está aprovando, gostando, achando muito bom)"
¡Sim!, Era a última oportunidade das Super Fãs dispostas a sacrificar sua voz pelo Menudo, ¡MINHA ESPOSA! Esta gritou, chorou, sorriu e praticamente beijou todo mundo do teatro. Sua alegria e emoção foi inspiração para os outros pais que no começo de nossa aventura com o Menudo eram como múmias sem expressão. Como em uma igreja. Aparentemente o medo que eles tinham de que o Edgardo lhes chamasse a atenção impedia que eles se expressassem, mas minha esposa fez renascer o grupo das mães dos Menudos que pouco tempo depois gritavam e cantavam como ela.
Quando terminou o último show no domingo dia 10, minha esposa e eu já tínhamos abandonado a Sala de Festivais e entrado na área dos camarins. Eu fui para a parte de trás do palco para ver os garotos terminarem. Finalizado o show Robby caminhou até mim, mas antes de chegar do meu lado ele caiu. Tinha muita dificuldade para respirar e fazia um ruído ao tentar respirar. Conseguimos sentá-lo em uma cadeira de rodas que tinha sido levada precisamente para ele, caso fosse necessário. Entre as centenas de fãs que se aglomeraram na saída na parte de trás do centro pudemos colocar o Robby em um carro para levá-lo ao hospital. Me senti realmente perturbado, ¿Como é que o Edgardo permite que estes meninos façam, não um mas seis shows estando nesta condição de enfermidade? Minha experiência logo me deu a resposta, pois não era que ele permitisse ou não, mas sim que ele insistia que fosse assim. Disto falaremos mais tarde assim que surjam os casos.
No próximo dia Raymond se preparava para sua primeira viagem com o Menudo. Apesar de que ainda não ocuparia seu lugar no grupo, ia viajar para Los Ángeles, Califórnia para gravar o comercial da Pepsi Cola. Primeiro iam ir ao Havaí para fazer uns shows e na volta iam gravar o comercial. Ele estava bem animado e nos fez comprar roupa nova para sua primeira viagem. Nem tenho que mencionar como a Magaly se sentia, pois havia chegado o angustioso dia tão temido, o dia de se separar de seu filho.

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