Raymond continuou como solista e
cada dia mais popular. Em 8 de dezembro de 1984 chegou o que tanto Raymond
pacientemente esperava. Os novos testes para a substituição de Rey Reyes. Antes
de dar a notícia para Raymond, que ainda dormia, liguei para a Padosa e pedi
para chamarem Rosita Lugo. Por sorte ela me respondeu.
“Rosita este é Ramón
Acevedo, pai de Raymond Acevedo que fez teste em junho.”
“¿O cantor solista? Sim
como não, me lembro muito bem, ¿como vai você?”
“Muito bem, Rosita, obrigado.
Estou te ligando porque acabo de ler no Nuevo Día que estão começando novos
testes.”
“ Sim precisamente amanhã
na quinta-feira, nós começamos.’’
“Eu queria te perguntar ¿Se
o Raymond tem que fazer o teste de novo ou o teste anterior será considerado?”
“Acevedo ele tem que
fazer o teste de novo, pois desta vez Marilyn Pagán estará comigo nos testes,
pois é indispensável que o candidato seja bilíngue. ¿Raymond, é bilíngue?”
“Claro que sim. ”Não era nesse momento que eu ia
dizer que o garoto não falava um pingo de inglês.
“Olhe Acevedo, tenho
muito interesse em ver o Raymond, traga ele amanhã na quinta a partir das 3:00
da tarde. Que eu prometo que não terá que esperar. “
Essas palavras foram as mais
positivas que eu já tinha escutado em muito tempo. Depois de assegurar a Rosita
que estaríamos lá acordei o Raymond e contei tudo para ele. Começou a gritar de
alegria.
“Chegou o meu momento,
papai; agora sim que ninguém me para.”
Na realidade era assombrosa a
segurança que ele expressava sobre o Menudo. Eu gostaria de ter essa mesma fé nos
assuntos de minha vida diária, não havia nada que não pudesse fazer. Temia
muito que tudo isso fosse lhe causar algum tipo de trauma no caso de uma rejeição,
mas com a confiança que ele tinha não quis dar naquele momento pregações psicológicas.
Nesse mesmo dia fomos ao
escritório da revista Estrellitas. Néstor Rivera ia fazer um artigo com o Raymond
nesses dias, mas quando lhe dei a noticia do teste este se alegrou tanto que
mandou fazer imediatamente as fotos com o fotógrafo oficial da TeveGuía e
Estrellitas, Juano Díaz. Raymond começou a ensaiar desde cedo e não me deixava
sair do seu lado. Por outro lado começou a ensaiar para uma entrevista em inglês.
Sabia que as perguntas são mais ou menos iguais. Sempre perguntam sobre o seu
nome, endereço, do que você gosta, seus passatempos etc. O que eu queria era
que quando lhe entrevistassem, suas respostas e pronúncia dessem a entender que
sim ele sabia inglês e assim o deixariam quieto. Em outras palavras se te perguntarem,
“What is your name? Você responde "My name is Raymond", demonstra que
sabe a mecânica do inglês, mas não é bilíngue. Um bilíngue lhe responderia sem
vacilar "Raymond" sem passar por "My name is". Assim que lhe
ensaiei e pratiquei seu inglês até tarde da noite.
Chegou o momento e para isso uma
hora da tarde fomos ao salão de beleza Coffieur em Plaza Río Hondo. Seus donos
Germán e sua senhora mãe foram colaboradores do Raymond desde seu começo. Nunca
me cobraram um só corte de cabelo e jamais pediram nada em troca. Ao chegar
Germán ficou bem contente ao receber a noticia e rapidamente chamou seu melhor cabeleireiro
para que pentear o Raymond. Raymond tinha o cabelo preto e bem volumoso.
Para o seu teste vestia calça de
coro camisa preta e jaqueta de coro preta e em volta do pescoço um laço de couro
finito também de coro sem laço. Quando saímos do Coffieur me olhou e com seus
olhos brilhantes me disse: “Sem
você eu não tinha chegado a nenhum lugar, obrigada.”
Eu o abracei e não pude conter as
lágrimas de alegria que invadiram meus olhos. Vivemos para nossos filhos e tem
prazer maior do que vê-los felizes e lhes asseguro que este garoto sim estava
bem feliz.
“Vamos filho que uma grande
aventura te espera e que a vontade de Deus que nos guie, não a nossa”. E com estas últimas palavras
paramos o carro e fomos rumo a "PADOSA".
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