terça-feira, 6 de dezembro de 2016

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Raymond esteve fazendo o teste por mais de uma hora e meia o que era um bom sinal. No seu primeiro teste só ficou vinte minutos. Enquanto esperava, fiquei pensando em tudo que aconteceu desde que meu filho disse que queria ser um Menudo até aquele momento histórico. E como as pessoas mudaram muito e como a vida ficou complicada. É tão difícil expressar o que sente uma pessoa num momento assim que não existem palavras para descrevê-lo.
Depois de um tempo saíram do escritório falando e sorrindo Marilyn, Rosita e Raymond. Marilyn apertou minha mão e me disse:
Sr Raymond, você tem um grande filho e ele é muito talentoso. Não prometemos nada, mas sim posso dizer que ele tem uma grande chance. No que diz respeito a nós duas ele nos agrada muito e tem o que buscamos. Seu inglês é bom, mas necessita de fluência.
“Terei que falar muito inglês com ele para que se acostume.”
“Isso seria uma boa ideia. Agora daremos nossa opinião à Edgardo . O próximo passo é dele. Aconteça o que aconteça entraremos em contato com vocês. Raymond, agora vem o mais difícil, que é esperar. Edgardo não escolhe com pressa assim te aconselhamos que não fique ansioso pois passarão três ou quatro semanas antes que saiba de algo. Digo a não ser que Edgardo ache conveniente acelerar o processo.”
Acompanharam-nos até a porta e muito amavelmente se despediram de nós. Entramos no carro e voltamos para nossa casa.
“¡Papai! Você não imagina que me trataram como um rei, me fizeram um monte de perguntas.”
“¡Raymond!, ¿como você se saiu no inglês?”
"Eu parecia um gringo, já que as perguntas que Marilyn Pagan me fez foram precisamente as mesmas que você me ensaiou. Como lhe respondi bem natural ela presumiu que eu sabia inglês. Só travei quando ela começou a falar rápido. Eu entendo um pouco mas não tão rápido. Foi ai que ela disse que necessito falar inglês fluente.”
“E Rosita, ¿O que disse?
"Não sei, papai, ela estava mais ou menos satisfeita comigo, mas realmente não acredito que sou o seu candidato favorito. Dei-me conta que Marilyn tomou o bastão e Rosita quase não disse nada. Notei que Marilyn ficou louca por mim. Eu comecei cantando "Si Tú No Estás" em espanhol e na metade da canção mudei para o inglês. Foi ai que vi o rosto de Marilyn brilhar e demonstrou uma mudança bem positiva para mim. Ouvi Marilyn e Rosita falarem da RCA e de um comercial com a Pepsi Cola. Creio que eles vão a ter algo haver com a escolha do próximo Menudo, que é claro que ¡sou eu!"
Sua alegria era incontrolável, qualquer um diria que já o haviam escolhido. A cada minuto dava um grito que fazia balançar as poltronas do carro. Não existe dinheiro ou bens materiais que substituam um momento como este. Se estamos dispostos a dar a nossa vida por nossos filhos, como não vamos ficar felizes ao vê-los alcançar seus objetivos. Este era um momento de grande vitória tanto para ele como para nossa família não só porque ele seria escolhido para o Menudo ou não, mas sim porque ele estava realmente feliz.
A comemoração em casa foi ainda maior, sua mãe, como sempre, chorou. Ela tinha uma lágrima para tudo, mas realmente chorava mais por momentos de felicidade do que de tristeza. Recebi uma ligação de Néstor Rivera que queria saber como Raymond se saiu na entrevista e no teste. Expliquei-lhe detalhadamente tudo que tinha acontecido e como sempre ficou muito feliz. Explicou-me, ainda, que na próxima edição de Estrellitas sairia o artigo do Raymond com fotos em cinco páginas. Reafirmei-lhe que ele seria o primeiro da Imprensa, a saber, se Raymond seria o próximo Menudo.
Quando alguém se propõe a fazer algo na vida, especialmente se é algo competitivo, um sempre busca alguma vantagem sobre o outro para que esse lhe dê mais oportunidade de chegar primeiro ao podium. Comecei a preparar um álbum com as melhores fotos e planejava incluir nele, o artigo de Estrellitas que ia sair nessa quinta. Meus planos eram fazê-lo chegar às mãos de Edgardo sem que passassem pelas mãos de Rosita Lugo. Eu sabia que dessa forma não chegaria a ele. René Zayas, produtor de espetáculos do Menudo localmente e artista gráfico a cargo do desenho das capas dos discos do grupo, foi colega de classe de minha esposa na Universidade. René praticamente trabalhava com o grupo desde o seu começo assim achei que teria uma melhor oportunidade de fazer o álbum chegar no Edgardo através dele.

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