terça-feira, 31 de janeiro de 2017

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Por causa da nossa preocupação, nós os pais fizemos uma reunião no dia 29 de março de 1988 na casa da Genoveva e Sergio González. Na reunião estavam presentes Nereida a mãe do Ricky, Genoveva, Sergio, Magaly e Eu. Antes de a reunião começar ligamos para Evelyn, a mãe do Rubén. Eu lhe expliquei tudo que dizia respeito marcação da reunião, ela e seu esposo estiveram de acordo em tudo. Devido ao fato do Ángelo ter entrado recentemente no grupo não incluímos os pais dele na reunião. Nós imaginamos que eles, assim como aconteceu com todos nós, estavam na etapa de começo na banda numa espécie “de lua de mel” com o Menudo, por isso não estariam muito receptivos a nada negativo. Aproveitamos por votação unânime, para falar com a Evelyn sobre o caso do Rubén. Evelyn não quis falar e pôs seu esposo que a seu entender sabia mais destes assuntos do que ela. Eu fiquei responsável por falar:
"Nós chegamos a um consenso e chegamos à conclusão de que está acontecendo alguma coisa com o Rubén. Não sabemos o que é, mas todos estão preocupados e em especial a Magaly e eu. Rubén virou um filho em meu lar, assim que posso te garantir que o que eu te digo, tenho observado pessoalmente."
"Acevedo, nós estamos muito agradecidos por toda a bondade que sua esposa e você tem tido com o Rubén, sempre estaremos agradecidos."
"Olha, o Rubén teve uma mudança incrível. Demonstra ser uma pessoa que teve o espírito roubado. Como se alguém lhe tivesse feito algo horrível e ele não se atrevesse a dizer. Você já deve estar consciente dos rumores de que o Edgardo e até o Jiménez sejam homossexuais. Eu não quero levantar calúnias ou declarar que eu de meu próprio conhecimento te certifique que isto seja ou não verdade. Eu me baseio na mudança do Rubén e acho pertinente, se me permitires o atrevimento, que vocês façam uma investigação com o garoto antes que seja tarde. Eu estou seguro que se você lhe assegurar que independente do que tiver acontecido isso não vai afetar o amor de sua mãe ou o seu e que ninguém saberá o que aconteceu, ele lhes confessaria. Da mesma forma que te digo que não asseguro a certeza de que estes tipos são ou não homossexuais, te digo que sim são bem astutos e sabem penetrar na mente destes meninos de tal forma que os colocam contra seus próprios pais. O dia a dia de viver rodeado de sem vergonhas faz qualquer um transformar o assunto em algo normal. Eu estou a ponto de tirar o Raymond, pois não aguento mais abusos. Meu filho quer terminar a próxima turnê e então me disse que em setembro ele sai. Pelo menos eu estou seguro que o Raymond já sabe se cuidar e nenhum destes viados se atrevem a tocá-lo."
"Acevedo, eu nem sei o que te dizer. Eu vou discutir esse assunto com a mãe dele e te asseguro que vamos investigar tudo. Nós estamos loucos para tirar o Rubén de tudo isto, mas, cara, eu não sabia que seria tão difícil fazê-lo. Nosso filho até nos ameaçou se nós o tirarmos e temos medo que ele cometa uma loucura."
"É o que eu te digo, eles fazem uma "Brainwashed" (lavagem cerebral) e quando chegam a esta etapa perdemos o controle e eles se sentem livres para fazer o que quiserem com os meninos e seu dinheiro."
Esta conversa chegou aos ouvidos do Edgardo. Tinham me dito que quem contou foram os próprios pais do Rubén. Depois descobri que não tinham sido eles, mas sim uma pessoa que estava na reunião, a mãe de um dos meninos. Depois lhe direi o seu nome, pois o incluo nas muitas outras coisas que esta pessoa nos fez.

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Já estavam gravando o novo LP em inglês "Sons Of Rock" com o Blue Dog Label de David Maldonado e o LP "Los hijos del Rock" vendia muitíssimo. A Padosa ficava cada dia pior. Tinham saído todos os empregados exceto Sara e o Tony, os contabilistas. Rosita Lugo tinha aceitado uma redução em seu salário para poder permanecer com seu querido Menudo até que se retirou completamente da Padosa. Os pagamentos por porcentagem eram realmente ridículos. Nos contracheques que a companhia nos entregava, quando nos pagava "trimestralmente", apareciam gastos que ninguém sabe de onde saíram. Geralmente quando o Menudo ia fazer um show em qualquer lugar, o promotor do evento pagava todos os gastos e pelo grupo também. Todos estes gastos apareciam nos contracheques e eram cobrados como gastos da Padosa reduzindo as porcentagens de ganhos, assim que os garotos ficavam com menos.
Havia um ponto muito curioso que me chamou a atenção. Aparecia sempre um gasto, uma cifra alta, de "Engenheiro de som". Por mais que eu procurasse este engenheiro de som não o encontrava. Esta era uma quantidade de fantasmas que paravam no bolsinho do Edgardo. "Ele era o engenheiro de som". Papo Gely me contou, mais de uma vez, que o Edgardo lhe pediu que inflacionasse as faturas dos músicos para refletir mais gastos. Papo se negou, mas ainda assim, eles as inflaram como quiseram. Arriscavam-se já que nós os pais não tínhamos acesso as faturas onde estas cifras apareciam. Estavam tão seguros de que tinham nos dominado, que arriscavam. Era uma armadilha atrás da outra e cada dia mais abertamente.
A educação parou por completo e as autoridades não demonstravam interesse em fazer nenhum tipo de correção. Em uma ligação feita ao Departamento de Instrução Pública de Porto Rico, na divisão de estudos livres me disseram que a responsabilidade da educação não era deles, nem da Padosa. Diziam que era o estudante que teria que querer estudar. Eles distribuíam os materiais e as provas. Não quiseram colocar responsabilidades na Padosa alegando que o estudante não era a Padosa. Agora, a Padosa podia utilizar estes meninos para ganhar dinheiro fazendo com eles o que quisesse, mas não era responsável por sua educação. Nós os pais, ficamos muito indignados com este detalhe que a cada dia ficava mais sério. Raymond chegou a completar a primeira parte do seu décimo ano e já tinha 16 anos de idade. Para qualquer lado que se virasse dava de cara com uma parede de desculpas esfarrapadas e explicações sem sentido especialmente a do Departamento de Instrução Pública. Dona Panchi ficou bem magra devido a uma doença e uma operação, fazendo com que tivéssemos menos aceso a ela. Cada vez que alguém lhe abordava o tema educacional ou econômico ela começava a chorar. Por respeito a sua idade e condição de enfermidade, nós os pais procuramos guardar nossas queixas até que ela se recuperasse. Soube que o edifício da Padosa estava sendo penhorado pelo Banco Popular de Porto Rico e que a mansão de Orlando seria vendida. Tudo parecia indicar que a Padosa já não agonizava, mas sim que tinha entrado em coma.

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O novo integrante que entrou no lugar do Ralphy era um garotinho que tinha uma voz incrível, Ángelo García.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

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Quando o Robby abandonou abruptamente o Menudo, entrou em cena um dos Menudos mais simpático e bom em minha experiência com o grupo, o Rubén Gómez.
Rubén se tornou como um filho para nós, pois éramos a única família que sua mãe permitia que ele ficasse. Chegamos a conhecer bem o Rubén e sua alegre disposição. Por esta razão começamos a dar-nos conta que o Rubén estava mudando. Tornou-se introvertido e não queria sair do quarto quando nos visitava, ficava todo o tempo jogando Nintendo. Tentei perguntar varias vezes o que estava acontecendo, mas ele sempre se evadia na resposta. Preocupava-me muito, pois eu achava bem suspeito o cuidado imenso que existia de parte do Edgardo e do Jiménez para com ele. Não o deixavam sozinho nunca ou lhe permitiam ficar muito tempo com os outros garotos. Estava sempre acompanhado pelo Edgardo ou pelo Jiménez. Quando se celebrava alguma festinha que convidavam os Menudos, ele não era permitido ir a menos que estivesse ficando em minha casa. Nunca tínhamos visto tanta devoção e cuidado com um Menudo nos três anos desde que o Raymond entrou no grupo.

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O Raymond continuou no Menudo tentando destacar-se como cantor e o Edgardo fazendo todo o possível para que ele não conseguisse. Ele dizia para muitas pessoas que o Raymond não tinha domínio de palco e pra outros que simplesmente ele não cantava. Havia começado uma guerra fria entre o Edgardo e o Raymond da qual o Jiménez se uniu. Raymond se mantinha afastado do Edgardo e este dele. Já não ficava na Loma para nada e quando chegava em casa não queria que se falasse nada do Menudo. Raymond, tendo já tanta experiência com o Menudo, começou a pensar seriamente em seu futuro como cantor. Assim que o Menudo agora era só um trampolim para sua carreira. O único problema agora era o Edgardo e sua tática de fechar as portas para os Ex-integrantes. Eu tinha esperanças de que a promoção que o escritório do Raymond estava levando a cabo com o Fã Clube, pudesse manter essas portas abertas e não afetá-lo.
Seu aniversário foi celebrado mais uma vez e novamente com muito êxito. Quem foi a essa festa jamais se deu conta de que havia problemas internos no Menudo. Os shows de Natal também aconteceram com grande colorido apesar de ter chovido. A quantidade de fãs não era a mesma que tinha tido em outras ocasiões, mas ainda preenchia bastante o espaço do estádio. Raymond tinha pegado o hábito de levantar pesos, fazer exercícios e havia se desenvolvido bastante e ao mesmo tempo havia crescido incrivelmente. Nós acreditávamos que quando o Raymond completasse os três anos de contrato com o Menudo o Edgardo ia tirá-lo do grupo. Passou dessa data e o Raymond permanecia e sem notificação de extensão. O contrato indicava que tinham que dar a notificação escrita trinta dias com antecedência da intenção de reter o integrante por mais um ano. A extensão tinha que ser por um ano, de acordo as cláusulas do contrato. Ao não receber a dita notificação nós consideramos que o Raymond estava livre para ficar ou sair. Se ficasse era por atrevimento, mas se saísse não poderia considerar como uma violação do contrato. Raymond se sentia muito melhor com essa situação, pois ele podia tomar essa decisão livremente.