sábado, 28 de janeiro de 2017

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A turnê de verão começou. Iam cobrir 27 cidades através dos Estados Unidos. David Maldonado havia alugado dois ônibus gigantescos altamente luxuosos. Estes tinham cozinha, geladeira, camas, televisão, rádio etc. O segundo ônibus era para os músicos e sua equipe. Segundo nos informava a turnê ia muito bem com grande resposta das fãs americanas.
Um domingo pela manhã estava pintando em meu negocio quando recebi uma ligação do Edgardo direto de Nova York. Com tom de alarme Edgardo me disse:
“Olha Acevedo, eu te disse que se acontecesse algo na disciplina do Raymond eu ia te ligar primeiro.”
“Essa noite o Raymond escapou do quarto aproximadamente a uma da manhã e quem o ajudou a escapar foi um garoto que trabalha aqui, e que de tarde tinha oferecido drogas para o Ricky.”
Meu coração por pouco para de susto, pois não sabia o que pensar. Depois desligar o telefone minha esposa e eu choramos de emoção, pois não poderíamos crer que o Raymond nos fizesse algo assim. Veio-nos a mente o pior e só pensamos na droga. Não perdi tempo e liguei para a linha aérea e reservei uma passagem para Nova York para as 5:00 da tarde e as 10:00 da noite estava no Hotel onde o Menudo ficava. Todos se surpreenderam ao ver-me, em especial o Edgardo. Raymond ainda não tinha me visto. Falei um pouco com o Edgardo e reparei que sua história havia suavizado um pouco quanto à forma alarmante com que tinha me falado pela manhã.
“Não precisava ter vindo a New York cara, eu só queria que tu soubesses o que tinha acontecido, mas não que viesse.”
“Te disse que viajaria para qualquer parte do Mundo com o propósito de assegurar-me que meu filho se mantenha na linha e que saiba também que não importa o quão longe ele esteja, eu estarei.”
“Eu creio que tua presença aqui será castigo o suficiente para ele, não gostaria que tu tivesses que ter uma discussão ou batesse nele.”
“Jamais coloquei uma mão em cima do meu filho e não penso em começar agora. Há uma forma melhor resolver essa situação. Não te preocupes que eu me encarrego.”
Nesse momento o Raymond descia no elevador junto com o Sergio e o Ricky. Ao ver-me ficou pálido, não sei se pela surpresa ou pelo susto.
“¿Papai, mas, o que você faz aqui?”
“Nós conversaremos depois, vamos para o seu quarto.”
Subimos no quarto que ocupava o Raymond junto com o Sergio. Raymond me olhou espantado e me disse:
“¿O Edgardo mandou te buscar?”
“Bom, ele me ligou esta manhã e me contou o que aconteceu.”
“Você quer me dizer que esse estúpido te fez vir a Nova York por uma besteira.”
Raymond começou a chorar, mas não de sofrimento, mas sim de coragem. Estava furioso, quando se incorporou me disse:
“Se não fosse pelo fato de eu não estar mentalmente preparado para sair do Menudo te diria que me tirasse agora mesmo. Esse sem vergonha sabe que eu não fiz nada de mau, pelo menos o que imagino que ele te disse. Eu só fui ao Lobby para esperar uma garota que ia me levar a uma Party no mesmo hotel. Todos os músicos estavam lá embaixo no Club e me viram o tempo todo no Lobby. Quando a garota não apareceu voltei ao quarto e me deitei. É verdade que escapei do quarto, mas eu te juro que não fiz nada de mau. ¿O que ele te disse, te falou de drogas? Papai eu estou disposto a fazer um exame de sangue se você achar necessário.”
“Ligue para a sua mãe, conte a história e depois me deixe falar com ela. Não omita nada lhe diga tudo.”
Raymond esteve falando com Magaly por aproximadamente uma hora. Depois de terminar me deu o telefone.
Oi mamãe (*forma carinhosa de chamar sua esposa Magaly), ¿O que você acha?
”Papai (*forma carinhosa de Magaly chamar seu esposo Ramón Acevedo), veja bem, como mãe e conhecendo meu filho sei de coração que ele não está mentindo para mim.”
Estava esperando ouvir a sua opinião porque não queria ser injusto, mas eu também estou convencido de sua sinceridade. Vou falar com o Papo Gely e os músicos para ver o que eles me dizem a respeito.”
Falamos um pouco e depois de desligar o telefone fui com o Raymond embaixo no Lobby e junto com ele falamos com todos os músicos incluindo o Papo. Todos me falaram a mesma história que o Raymond me contou.
Bom Raymond acabou o assunto, não quero que você vá dizer nada ao Edgardo e deixa a coisa aqui onde está. Não dê mais cor ao assunto. Eu me encarrego dessa situação. Você me provou sua palavra e restituiu a minha confiança. Agora, diga-me, ¿como eles souberam disso se estavam dormindo?
“Papai, só pode ter sido o Sergio, ele foi o único que me viu sair. Se o Joselo chegasse a me ver saindo, ele iria atrás de mim. Parece que o Sergio foi ao quarto do Joselo e me "Dedurou". Não vejo outra forma de que alguém pudesse me ver. ¿Você acredita que assim do nada alguém estivesse olhando através do buraco da fechadura?”
No outro dia os garotos saíram para o Kansas. No caminho, o ônibus me deixou no aeroporto. Ao chegar a Porto Rico me dirigi a Padosa, conversei com a Dona Panchi e lhe disse que os garotos poderiam ter levado o professor junto com eles nessa viagem, pois eles tinham muito tempo ocioso no caminho de cidade a cidade. Como sempre a resposta foi que o professor supostamente tinha um plano e que não me preocupasse. Minha preocupação a este respeito aumentou, pois parecia que estavam tentando ganhar tempo.

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