A turnê de verão começou. Iam cobrir
27 cidades através dos Estados Unidos. David Maldonado havia alugado dois
ônibus gigantescos altamente luxuosos. Estes tinham cozinha, geladeira, camas, televisão,
rádio etc. O segundo ônibus era para os músicos e sua equipe. Segundo nos
informava a turnê ia muito bem com grande resposta das fãs americanas.
Um domingo pela manhã estava
pintando em meu negocio quando recebi uma ligação do Edgardo direto de Nova
York. Com tom de alarme Edgardo me disse:
“Olha Acevedo, eu te
disse que se acontecesse algo na disciplina do Raymond eu ia te ligar primeiro.”
“Essa noite o Raymond
escapou do quarto aproximadamente a uma da manhã e quem o ajudou a escapar foi
um garoto que trabalha aqui, e que de tarde tinha oferecido drogas para o Ricky.”
Meu coração por pouco para de
susto, pois não sabia o que pensar. Depois desligar o telefone minha esposa e eu
choramos de emoção, pois não poderíamos crer que o Raymond nos fizesse algo
assim. Veio-nos a mente o pior e só pensamos na droga. Não perdi tempo e liguei
para a linha aérea e reservei uma passagem para Nova York para as 5:00 da tarde
e as 10:00 da noite estava no Hotel onde o Menudo ficava. Todos se surpreenderam
ao ver-me, em especial o Edgardo. Raymond ainda não tinha me visto. Falei um
pouco com o Edgardo e reparei que sua história havia suavizado um pouco quanto
à forma alarmante com que tinha me falado pela manhã.
“Não precisava ter vindo
a New York cara, eu só queria que tu soubesses o que tinha acontecido, mas não
que viesse.”
“Te disse que viajaria para
qualquer parte do Mundo com o propósito de assegurar-me que meu filho se
mantenha na linha e que saiba também que não importa o quão longe ele esteja,
eu estarei.”
“Eu creio que tua
presença aqui será castigo o suficiente para ele, não gostaria que tu tivesses
que ter uma discussão ou batesse nele.”
“Jamais coloquei uma mão em cima do meu filho e não penso em começar agora. Há uma forma melhor resolver
essa situação. Não te preocupes que eu me encarrego.”
Nesse momento o Raymond descia
no elevador junto com o Sergio e o Ricky. Ao ver-me ficou pálido, não sei se
pela surpresa ou pelo susto.
“¿Papai, mas, o que você
faz aqui?”
“Nós conversaremos
depois, vamos para o seu quarto.”
Subimos no quarto que ocupava o
Raymond junto com o Sergio. Raymond me olhou espantado e me disse:
“¿O Edgardo mandou te buscar?”
“Bom, ele me ligou esta
manhã e me contou o que aconteceu.”
“Você quer me dizer que
esse estúpido te fez vir a Nova York por uma besteira.”
Raymond começou a chorar, mas não
de sofrimento, mas sim de coragem. Estava furioso, quando se incorporou me disse:
“Se não fosse pelo fato
de eu não estar mentalmente preparado para sair do Menudo te diria que me
tirasse agora mesmo. Esse sem vergonha sabe que eu não fiz nada de mau, pelo
menos o que imagino que ele te disse. Eu só fui ao Lobby para esperar uma
garota que ia me levar a uma Party no mesmo hotel. Todos os músicos estavam lá
embaixo no Club e me viram o tempo todo no Lobby. Quando a garota não apareceu
voltei ao quarto e me deitei. É verdade que escapei do quarto, mas eu te juro
que não fiz nada de mau. ¿O que ele te disse, te falou de drogas? Papai eu estou
disposto a fazer um exame de sangue se você achar necessário.”
“Ligue para a sua mãe, conte
a história e depois me deixe falar com ela. Não omita nada lhe diga tudo.”
Raymond esteve falando com
Magaly por aproximadamente uma hora. Depois de terminar me deu o telefone.
Oi mamãe (*forma
carinhosa de chamar sua esposa Magaly), ¿O que você acha?
”Papai (*forma
carinhosa de Magaly chamar seu esposo Ramón Acevedo), veja bem, como mãe e
conhecendo meu filho sei de coração que ele não está mentindo para mim.”
“Estava esperando ouvir a
sua opinião porque não queria ser injusto, mas eu também estou convencido de sua
sinceridade. Vou falar com o Papo Gely e os músicos para ver o que eles me
dizem a respeito.”
Falamos um pouco e depois de
desligar o telefone fui com o Raymond embaixo no Lobby e junto com ele falamos com
todos os músicos incluindo o Papo. Todos me falaram a mesma história que o
Raymond me contou.
Bom Raymond acabou o assunto,
não quero que você vá dizer nada ao Edgardo e deixa a coisa aqui onde está. Não
dê mais cor ao assunto. Eu me encarrego dessa situação. Você me provou sua
palavra e restituiu a minha confiança. Agora, diga-me, ¿como eles souberam
disso se estavam dormindo?
“Papai, só pode ter sido
o Sergio, ele foi o único que me viu sair. Se o Joselo chegasse a me ver
saindo, ele iria atrás de mim. Parece que o Sergio foi ao quarto do Joselo e me
"Dedurou". Não vejo outra forma de que alguém pudesse me ver. ¿Você acredita
que assim do nada alguém estivesse olhando através do buraco da fechadura?”
No outro dia os garotos saíram
para o Kansas. No caminho, o ônibus me deixou no aeroporto. Ao chegar a Porto
Rico me dirigi a Padosa, conversei com a Dona Panchi e lhe disse que os garotos
poderiam ter levado o professor junto com eles nessa viagem, pois eles tinham
muito tempo ocioso no caminho de cidade a cidade. Como sempre a resposta foi
que o professor supostamente tinha um plano e que não me preocupasse. Minha preocupação
a este respeito aumentou, pois parecia que estavam tentando ganhar tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário