domingo, 15 de janeiro de 2017

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Edgardo chegou à nossa casa em companhia de Papo Tito, perto das 8:40 da noite. Depois de comermos bife e batatas "A La Páprika", uma receita própria, nos continuamos a mesa tomando café. O Edgardo ainda não tinha tocado no tema e eu o deixei para que ele relaxasse, já que aparentava estar um pouco nervoso.
"Olha Acevedo, eu, como vocês sabem, tenho me dedicado ao Menudo pelos últimos 9 anos de alma, coração e vida. Nunca tirei umas férias. Estou à beira de um colapso nervoso com um "Estresse" que me deixa louco."
"Mas vou te dizer uma coisa Edgardo, tu tens que levar as coisas com mais tranquilidade, pois o Menudo acaba, o dinheiro também e a única coisa que sobra é a sua saúde." Lhe disse em forma de apoio, pois me dei conta que ele estava buscando primeiro cativar nossa simpatia para depois soltar a bomba.
"Às vezes quando alguém se sente assim, diz ou faz algumas coisas que depois não sabe por que fez ou não se lembra. Eu tive um problema com os garotos maiores, ou seja, Robby e Charlie. Por isso é que eu não gosto de ter integrantes tão grandes porque eles vêm e prejudicam os menores."
"Mas, ¿o que foi que aconteceu?"
"O que aconteceu, foi uma bobagem e não tem importância. O que é importante é que os menores estão rebeldes comigo por causa do Robby e do Charlie. Deixa-me dizer que pra mim não custa nada demitir todos eles, conseguir 5 garotos novos e começar outra vez. Me preocupa em especial o Raymond, porque ele promete muito e sei que vai chegar a ser um grande artista e seria uma pena que por causa de umas maçãs podres estraguem as outras maçãs do cesto."
"Olha Edgardo, comigo tu tens que falar mais claro. Se meu filho fez algo que esteja fora de ordem ou tenha te ofendido, diga-me agora. E eu o corrijo, mas não compreendo o que isso tem a ver com os maiores."
Olha foi o seguinte, eu peguei o Charlie e o Robby escapando dos quartos para ir a uma festa em outro quarto de umas garotas. Quando se viram encurralados até me empurraram e o Robby por pouco não me bate.
"¿Robby?" Lhe disse muito incrédulo. Robby sempre tinha demonstrado ser muito gentil e obediente.
"Sim Acevedo, mas eu os perdoo, pois suspeito que tenha algo mais escondido do que uma simples fuga. Eu não vi, mas senti o cheiro de maconha." Quando Edgardo pronunciou estas palavras meu coração disparou. Este era meu maior temor e motivo de pânico para minha esposa. Edgardo continuou:
"Eu não digo nada, mas seu comportamento era bem diferente. Mas o importante é que me preocupo com os pequenos."
Edgardo continuava fazendo referencia aos maiores e aos pequenos e estranhei isso. Nunca o vi diferenciar de forma tão marcante entre as idades dos garotos. Sempre dizia que eram Menudos sem qualquer diferença que os individualizassem. Para mim pareceu que queria que quando terminasse seu relato, deixasse gravado nas nossas mentes essa diferença. Não quis adiantar-me até que escutar o outro lado da história, em especial ouvir o que o Raymond tinha para dizer quando conversássemos com ele. Nunca tomei decisões sobre meus filhos sem antes conversar com eles e dar-lhes a oportunidade de dar-me sua versão. Esta tem sido à base da comunicação em minha casa que até o dia de hoje, graças a Deus, existe.
De toda a conversa com o Edgardo o que pude deduzir foi que algo tinha acontecido e que o Charlie e o Robby haviam se rebelado contra ele. Aparentemente os menores, ou seja, Ricky, Raymond e Sergio tinham tomado partido dos maiores. Edgardo aparentemente veio para Porto Rico correndo na frente dos garotos para preparar uma cama confortável. Em outras palavras preparar o terreno com os pais para combater qualquer eventualidade.

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