Edgardo chegou à nossa casa em
companhia de Papo Tito, perto das 8:40 da noite. Depois de comermos bife e
batatas "A La Páprika", uma receita própria, nos continuamos a mesa
tomando café. O Edgardo ainda não tinha tocado no tema e eu o deixei para que
ele relaxasse, já que aparentava estar um pouco nervoso.
"Olha Acevedo, eu,
como vocês sabem, tenho me dedicado ao Menudo pelos últimos 9 anos de alma, coração
e vida. Nunca tirei umas férias. Estou à beira de um colapso nervoso com um
"Estresse" que me deixa louco."
"Mas vou te dizer
uma coisa Edgardo, tu tens que levar as coisas com mais tranquilidade, pois o
Menudo acaba, o dinheiro também e a única coisa que sobra é a sua saúde." Lhe disse em forma de apoio,
pois me dei conta
que ele estava
buscando primeiro cativar nossa simpatia para depois soltar a bomba.
"Às vezes quando
alguém se sente assim, diz ou faz algumas coisas que depois não sabe por que fez
ou não se lembra. Eu tive um problema com os garotos maiores, ou seja, Robby e
Charlie. Por isso é que eu não gosto de ter integrantes tão grandes porque eles
vêm e prejudicam os menores."
"Mas, ¿o que foi que
aconteceu?"
"O que aconteceu,
foi uma bobagem e não tem importância. O que é importante é que os menores estão
rebeldes comigo por causa do Robby e do Charlie. Deixa-me dizer que pra mim não
custa nada demitir todos eles, conseguir 5 garotos novos e começar outra vez.
Me preocupa em especial o Raymond, porque ele promete muito e sei que vai chegar
a ser um grande artista e seria uma pena que por causa de umas maçãs podres estraguem
as outras maçãs do cesto."
"Olha Edgardo,
comigo tu tens que falar mais claro. Se meu filho fez algo que esteja fora de
ordem ou tenha te ofendido, diga-me agora. E eu o corrijo, mas não compreendo o
que isso tem a ver com os maiores."
Olha foi o seguinte, eu
peguei o Charlie e o Robby escapando dos quartos para ir a uma festa em outro quarto
de umas garotas. Quando se viram encurralados até me empurraram e o Robby por
pouco não me bate.
"¿Robby?" Lhe disse muito incrédulo. Robby
sempre tinha demonstrado ser muito gentil e obediente.
"Sim Acevedo, mas eu
os perdoo, pois suspeito que tenha algo mais escondido do que uma simples fuga.
Eu não vi, mas senti o cheiro de maconha." Quando Edgardo pronunciou estas
palavras meu coração disparou.
Este era meu
maior temor e motivo de pânico para minha esposa. Edgardo continuou:
"Eu não digo nada,
mas seu comportamento era bem diferente. Mas o importante é que me preocupo com
os pequenos."
Edgardo continuava fazendo referencia
aos maiores e aos pequenos e estranhei isso. Nunca o vi diferenciar de forma
tão marcante entre as idades dos garotos. Sempre dizia que eram Menudos sem
qualquer diferença que os individualizassem. Para mim pareceu que queria que quando
terminasse seu relato, deixasse gravado nas nossas mentes essa diferença. Não
quis adiantar-me até que escutar o outro lado da história, em especial ouvir o
que o Raymond tinha para dizer quando conversássemos com ele. Nunca tomei decisões
sobre meus filhos sem antes conversar com eles e dar-lhes a oportunidade de dar-me
sua versão. Esta tem sido à base da comunicação em minha casa que até o dia de
hoje, graças a Deus, existe.
De toda a conversa com o Edgardo
o que pude deduzir foi que algo tinha acontecido e que o Charlie e o Robby
haviam se rebelado contra ele. Aparentemente os menores, ou seja, Ricky,
Raymond e Sergio tinham tomado partido dos maiores. Edgardo aparentemente veio
para Porto Rico correndo na frente dos garotos para preparar uma cama confortável.
Em outras palavras preparar o terreno com os pais para combater qualquer eventualidade.
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