1986, O
Evidente Declínio
Capítulo 11
No meu empenho para unir a esta
gente ao redor do grupo, Magaly e eu planejamos cuidadosamente o aniversário do
Raymond. Com nossa casa recém decorada não havia desculpa para não comemorá-lo.
Também tínhamos feito planos para “formar trullas para dar de asaltos navideños”
para o pessoal do Menudo (*Em Porto Rico existe a tradição de fazer “La
parranda navideña”, conhecida como uma “trulla” é um presente musical que os
músicos e trovadores cantam para seus amigos durante o período natalino/ resumindo
são musicas de natal regionais com ritmo caribenho que lembra a banda calypso). Começamos a ver um pouco de
entusiasmo em todo mundo, inclusive no Edgardo havia expressado que queria que
lhe dedicassem um “asalto navideño”.
Recentemente tinha acontecido um
incidente com o Roy, onde ele reclamou que um carro tinha lhe perseguido
enquanto ele corria de moto e lhe jogou para fora da estrada. O resultado foi
uma queda que afetou sua perna esquerda (*me lembro de ter visto o Roy falar
sobre esse incidente em um programa de TV aqui no Brasil, ele reclamou que o
Edgardo mandou que arrancassem o gesso da perna dele para que ele gravasse um
vídeo ou comercial, mas com certeza isso deve ser detalhado no livro do Roy). A
história foi posta em duvida por Edgardo, pois ele pensou que o Roy inventou o incidente
porque sabia que tinha sido proibido o uso de motos para os garotos do Menudo.
Alguns dias antes do aniversário do Raymond, estando na loma com este, Edgardo
me disse em uma de nossas raras conversas:
"Alguma coisa está
acontecendo com o Roy, pois ultimamente ele está impossível. Está muito
desobediente e desafiador. ¡Olha!, Isso da moto é um maldito desafio e uma
estupidez. Sorte que não se machucou muito, mas poderia ter morrido."
"Mas, ¿A mãe dele não
o controla. Esse negócio de moto é muito perigoso? Lembre-se que ele é um Menudo
e os homens ficam com inveja e o Roy não é muito difícil de se reconhecer."
"Essa é a minha
ladainha. Eu digo para todos que ser querem ser garotos normais e andar por aí fazendo
o que lhe dá na telha não tenham nenhum negócio com o Menudo. Eles não compreendem
que estão limitados por sua posição e esse é um dos preços da fama. Além do mais
as pessoas não pagam para ver alguém que eles veem todos os dias andando pelas
ruas. Tem que manter-se afastados das festas e lugares muito frequentados. Mas o
que eu falo para eles entra por um lado e sai pelo outro."
"Eu acredito que são
etapas e quando chegam à idade do Roy creio que é quando fica pior."
"É por isso que eu tiro
eles quando chegam nessa idade, pois não há quem os controle. Eu lhe pago um
bom salário, mas se ele não se importa um dia destes vai receber uma surpresa.
Eu não tenho muita paciência ou tempo para brigar com os rebeldes."
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