domingo, 1 de janeiro de 2017

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Chegou o tão temido e angustioso dia para nós. Era quarta-feira dia 13 de fevereiro de 1985, dia que o Menudo partia e com ele o nosso filho. A angústia que tomou conta de nós foi maior do que acreditávamos que fosse. Por 13 anos ele nunca havia se afastado de nós desta forma e era um sentimento inconsolável. Reunimo-nos com o resto do grupo na pracinha do Eastern Air Lines no aeroporto Luís Muñoz Marín de San Juan, Porto Rico. Tivemos a oportunidade de conhecer o professor Enrique Lauriano, companheiro de viagens e professor oficial do grupo. Este acabou sendo uma grande pessoa de quem gostamos muito, pois seu trabalho ia mais além do que a mera educação acadêmica. Lauriano se transformou em um conselheiro e um irmão mais velho para os garotos. Os garotos me contaram que o professor caminhava sempre com um apito. A grande aposta entre os garotos do Menudo era quem deles ia desaparecer com esse irritante instrumento de perturbação. Pela manhã apitava para acordá-los, logo depois do café da manhã apitava para o começo das aulas. Pela noite apitava para indicar a hora de dormir e apagar as luzes. Lauriano depois me disse que ele tinha vários apitos para se precaver no acaso de misteriosamente desaparecesse algum.
Edgardo que obviamente nos evitou se movia de grupo em grupo falando um pouco com todos. Como sempre as jovens de que falei anteriormente, as que Tito Fuentes chamou de "As Alegres Três" estavam com Ricky Martin e sua mãe. Em um descuido de Edgardo me aproximei dele com Magaly e lhe abordamos:
"Bom Edgardo, ¿O que tu pensa até agora do Raymond?"
"Ainda é cedo, mas estou seguro que logo ele dará conta."
"¿Como que dará conta?"
"Bom ele acha que sabe tudo, mas isso é normal para um novo integrante."
"Eu acredito que sim, Edgardo, pois tu tens que levar em consideração que tudo isto é muito estimulante para ele e se sente tão lisonjeado por ter sido escolhido que imagino que é esta mesma alegria que ti faz vê-lo assim. Raymond é um garoto bastante humilde e pode conversar com ele.
Eu sei que ele entenderá e se ajustará a sua nova vida. Me disse com um tom autoritário. Como diríamos "Faz o que eu mando ou Faz o que eu mando".
"Tu saberá o que fazer por tua experiência com o grupo, mas te recomendo que para chamar a atenção do Raymond e conseguir uma reação positiva sem resistência deves falar claro e em tom de conversa. Ele gosta de saber o porquê das coisas e envolver-se nelas, não simplesmente aceitar algo porque alguém o disse ou o ordenou."
"Bom Acevedo, é o que nós vamos ver."
Se afastou de nós e notei uma ponta de aborrecimento na sua expressão. Parece que Edgardo não gosta que lhe contrariem ou lhe digam como fazer as coisas. Mas conhecendo o meu filho, achei pertinente advertir-lhe e ensinar a melhor forma de educá-lo. Agora dependia dele, pois poderia evitar um desgosto, pois meu filho não gosta das imposições e não funciona bem com elas.
Começaram as despedidas e prantos, não só da minha esposa, mas sim de todas as mães que estavam ali presentes. Os garotos começaram a passar pela porta de saída e logo desapareceram. Antes de Raymond entrar no avião pedi para ele, por favor, que quando chegasse à Califórnia nos ligasse e assim se estabeleceu o costume dele nos ligar quando chegava a um lugar, depois quando saía de novo e pelo menos uma ou duas vezes durante o meio da viagem. Pelo menos o fato de saber que ele chegou ou que partia nos tranquilizava um pouco. Sabendo quanto tempo estaria no ar, para nós era necessário saber que já havia chegado a seu destino, para assim recuperar nossa tranquilidade.
À volta para nosso lar foi incrivelmente penosa, tanto que quando chegamos Magaly não quis entrar e tivemos que ir comer em um restaurante e esperar para que ela se tranquilizasse. Não acreditem que foi só desta vez, pois cada vez que o Raymond partia se repetia a mesma situação e amargura.

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