Chegou o tão temido e angustioso
dia para nós. Era quarta-feira dia 13 de fevereiro de 1985, dia que o Menudo partia
e com ele o nosso filho. A angústia que tomou conta de nós foi maior do que acreditávamos
que fosse. Por 13 anos ele nunca havia se afastado de nós desta forma e era um
sentimento inconsolável. Reunimo-nos com o resto do grupo na pracinha do
Eastern Air Lines no aeroporto Luís Muñoz Marín de San Juan, Porto Rico.
Tivemos a oportunidade de conhecer o professor Enrique Lauriano, companheiro de
viagens e professor oficial do grupo. Este acabou sendo uma grande pessoa de
quem gostamos muito, pois seu trabalho ia mais além do que a mera educação acadêmica.
Lauriano se transformou em um conselheiro e um irmão mais velho para os
garotos. Os garotos me contaram que o professor caminhava sempre com um apito. A
grande aposta entre os garotos do Menudo era quem deles ia desaparecer com esse
irritante instrumento de perturbação. Pela manhã apitava para acordá-los, logo
depois do café da manhã apitava para o começo das aulas. Pela noite apitava
para indicar a hora de dormir e apagar as luzes. Lauriano depois me disse que
ele tinha vários apitos para se precaver no acaso de misteriosamente desaparecesse
algum.
Edgardo que obviamente nos
evitou se movia de grupo em grupo falando um pouco com todos. Como sempre as jovens
de que falei anteriormente, as que Tito Fuentes chamou de "As Alegres Três"
estavam com Ricky Martin e sua mãe. Em um descuido de Edgardo me aproximei dele
com Magaly e lhe abordamos:
"Bom Edgardo, ¿O que
tu pensa até agora do Raymond?"
"Ainda é cedo, mas
estou seguro que logo ele dará conta."
"¿Como que dará
conta?"
"Bom ele acha que
sabe tudo, mas isso é normal para um novo integrante."
"Eu acredito que sim,
Edgardo, pois tu tens que levar em consideração que tudo isto é muito
estimulante para ele e se sente tão lisonjeado por ter sido escolhido que imagino
que é esta mesma alegria que ti faz vê-lo assim. Raymond é um garoto bastante
humilde e pode conversar com ele.
Eu sei que ele entenderá
e se ajustará a sua nova vida. Me disse com um tom autoritário. Como diríamos "Faz o
que eu mando ou Faz o que eu mando".
"Tu saberá o que
fazer por tua experiência com o grupo, mas te recomendo que para chamar a
atenção do Raymond e conseguir uma reação positiva sem resistência deves falar
claro e em tom de conversa. Ele gosta de saber o porquê das coisas e envolver-se
nelas, não simplesmente aceitar algo porque alguém o disse ou o ordenou."
"Bom Acevedo, é o
que nós vamos ver."
Se afastou de nós e notei uma
ponta de aborrecimento na sua expressão. Parece que Edgardo não gosta que lhe
contrariem ou lhe digam como fazer as coisas. Mas conhecendo o meu filho, achei
pertinente advertir-lhe e ensinar a melhor forma de educá-lo. Agora dependia dele,
pois poderia evitar um desgosto, pois meu filho não gosta das imposições e não
funciona bem com elas.
Começaram as despedidas e prantos,
não só da minha esposa, mas sim de todas as mães que estavam ali presentes. Os garotos
começaram a passar pela porta de saída e logo desapareceram. Antes de Raymond
entrar no avião pedi para ele, por favor, que quando chegasse à Califórnia nos
ligasse e assim se estabeleceu o costume dele nos ligar quando chegava a um
lugar, depois quando saía de novo e pelo menos uma ou duas vezes durante o meio
da viagem. Pelo menos o fato de saber que ele chegou ou que partia nos tranquilizava
um pouco. Sabendo quanto tempo estaria no ar, para nós era necessário saber que
já havia chegado a seu destino, para assim recuperar nossa tranquilidade.
À volta para nosso lar foi incrivelmente
penosa, tanto que quando chegamos Magaly não quis entrar e tivemos que ir comer
em um restaurante e esperar para que ela se tranquilizasse. Não acreditem que
foi só desta vez, pois cada vez que o Raymond partia se repetia a mesma
situação e amargura.

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