sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

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"Raymond eu pressinto que tenha “algo mais” escondido por aqui, do que o que você está me confessando. Me diga uma coisa, ¿Você já fumou Maconha?"
A expressão no rosto do Raymond foi de "Choque", pois parece que temia que eu lhe fizesse esta pergunta. Ele ficou pensativo, olhou lentamente para o teto, suspirou e enquanto baixava sua cabeça para olhar-me me disse:
"¡SIM!"
Minha alma arrebentou e meu coração por pouco deixa de bater. Este era o mais temido dos males que eu pensava que pudesse acontecer com um filho. É como se de repente eu descobrisse que nos próximos 5 minutos iria morrer e me desse conta que não tinha tempo para fazer nada, pois já é muito tarde. Que sentimento de frustração tão intensa que recebe um pai ao ouvir isto especialmente dos próprios lábios de seu filho. Controlei meu impulso de dar-lhe uma bofetada, a qual ele parecia estar esperando e tinha se preparado para receber, e lhe disse:
"¡Coca!, ¿Você já provou cocaína?"
"¡Não! Isso jamais. Papai eu te disse que provei maconha e não que eu fosse um viciado."
"¡Raymond! Deste o primeiro passo para ser isso mesmo, o que te faz diferente dos milhares de jovens que começam precisamente assim, ¡provando!, e se transformam em parasitas vegetativos com esse maldito vício. ¿Que necessidade você têm para recorrer a este ato? Você tem o que tanto queria o Menudo e ser um artista famoso, ¿que demônios está te acontecendo? Criatura de Deus, que coisa tão terrível está te acontecendo que te induz a usar drogas."
"Papai, você está equivocado, todo mundo usa isso como se não fosse nada: doutores, advogados, executivos etc., eu ouvi falar que até o Edgardo Díaz já usou."
"¿E você pensa que com essa desculpa esfarrapada vai justificar sua ação? ¿Quantas pessoas, ao redor do Menudo, você conhece que são homossexuais? Agora diga pra mim, ¿que só por que eles são você vai se transformar num também? Olha Raymond, busque outra desculpinha, pois essa não me satisfaz em nada."
"Não é isso que eu quero dizer, mas sim que é bem comum e não necessariamente indica que vire ou não um viciado. Eu não tenho um hábito, papai, só a provei como curiosidade."
"¿Quando?"
"¿Você se lembra quando fomos a Boquerón para filmar o especial?, Foi lá."
"Agora vejo por que você se jogou na água com roupa e tudo, e porque estavam se escondendo e cochichando entre vocês. ¿E os outros garotos?"
"Papai, ¿você acredita que eu sou o único?"
"¿E o Edgardo já sabe?"
"¡Ai, papai! Como ele não vai saber, o que acontece é que ele não quer mexer em casa de marimbondo e olha para o outro lado, ainda mais agora que o grupo está perdendo a popularidade, e como o Charlie vai sair e sua única esperança de um regresso triunfal é a novela. Ele pensa que vai acontecer o mesmo aconteceu quando gravaram a novela "Quiero Ser" que todo o mundo começou a pedir o Menudo por causa da novela. Te digo que as únicas coisas que interessam a ele é a sua "fantasia" e o "Menudo dinheiro".
"Raymond, ¿Quem foi que te deu (*maconha)?"
"Eu sinto muito papai, não é que eu queira te esconder nada, mas não vou te dizer. Eu fumei isso por minha própria responsabilidade e ninguém me obrigou. Eu não sou um fofoqueiro e não penso em contar nada. Eu te prometo que não vou mais fazer isso, mas não me faça dizer quem foi."
"Pois então Raymond, ¡Você sairá hoje do Menudo!"
"¡Papai, por favor, NÃO! Não faça isso comigo, que eu te prometo que não vai acontecer de novo, eu te juro pela minha própria mãe."
"Mas Raymond ¿Como você pretende que eu te deixe ficar nessa fábrica de perdição que rodeia o ambiente ao redor do Menudo?"
"Papai não é o Menudo, não pense que é culpa do Menudo, e sim foram erros meus e da vida solitária que esta gente nos faz passar sempre presos em um hotel. Não nos levam para nenhum lugar. Proibiram-nos de fazer ligações a nossas casas para o hotel não lhes cobrar a taxa pelo serviço de operadora. Não nos deixam mandar a roupa para a Lavanderia do hotel e temos que ficar usando a roupa suja por baixo e por fora tão bonitinhos. Antes podíamos pedir o "serviço de quarto" e agora nos proibiram. Por isso é que eu sempre gosto de ter dinheiro para não depender de comer só quando eles desejam que eu o faça. O pai do Robby teve que dar um cartão da American Express para ele, porque você sabe como o Robby come e frequentemente , com certeza ele morreria de fome se depende só desta gente. O Menudo é a única coisa que distrai  a gente verdadeiramente. Vivemos o palco porque é o nosso escape, nós desabafamos, suamos, pulamos e na realidade é como estar brincando na rua. O Menudo é a nossa vida e se tirar-me dela arrancaria um pedaço de mim. Eu sei que algum dia eu terei que abandonar o grupo, eu me preparei para esse dia por que sei que ele vai chegar, mais sair subitamente é outra coisa. Papai não estou preparado emocionalmente."
Que momento difícil para um pai, pois qualquer decisão que tomasse naquele momento seria a decisão errada. Se eu o tirasse do grupo ele se rebelaria e poderia ficar doente, pois eu lhe conhecia muito bem. Se o deixasse a probabilidade que voltasse a usar drogas era alta. Continuava surpreendentemente conhecendo mais e mais detalhes do interior do Menudo e a gente que o rodeava. Cada dia eu gostava menos da ideia de ter meu filho nesta situação, assim como ele, eu também estava preso entre o meu filho e o Menudo. Ambos me arrastavam para eles, pois apesar de tudo que eu ouvia eu adorava o grupo e o conceito com que foi fundado. Para mim era doloroso ver que algumas pessoas estavam destruindo esse conceito sem haver sequer uma razão para fazê-lo. Estavam usando o grupo para fins de cometer crimes ilícitos aproveitando o imenso escudo que o Menudo proporcionava. Ninguém se atrevia a questionar o nome do Menudo. Seus personagens sempre estavam dentro de uma cortina de fumaça bem segura e só se sabia o que eles queriam ou entrava quem eles quisessem. Era o ambiente ideal para o homossexual e para o viciado. Tudo podia ser escondido, por isso era que o menino era doutrinado desde o começo a calar tudo pelo "MENUDO". Aqui estava o ponto, pois não se calavam para proteger os malfeitores, mas sim para proteger o Menudo. Abracei o meu filho e chorei como se o tivesse perdido.

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