"Raymond eu pressinto
que tenha “algo mais” escondido por aqui, do que o que você está me confessando.
Me diga uma coisa, ¿Você já fumou Maconha?"
A expressão no rosto do Raymond
foi de "Choque", pois parece que temia que eu lhe fizesse esta pergunta.
Ele ficou pensativo, olhou lentamente para o teto, suspirou e enquanto baixava
sua cabeça para olhar-me me disse:
"¡SIM!"
Minha alma arrebentou e meu
coração por pouco deixa de bater. Este era o mais temido dos males que eu pensava
que pudesse acontecer com um filho. É como se de repente eu descobrisse que nos
próximos 5 minutos iria morrer e me desse conta que não tinha tempo para fazer
nada, pois já é muito tarde. Que sentimento de frustração tão intensa que
recebe um pai ao ouvir isto especialmente dos próprios lábios de seu filho.
Controlei meu impulso de dar-lhe uma bofetada, a qual ele parecia estar
esperando e tinha se preparado para receber, e lhe disse:
"¡Coca!, ¿Você já
provou cocaína?"
"¡Não! Isso jamais.
Papai eu te disse que provei maconha e não que eu fosse um viciado."
"¡Raymond! Deste o
primeiro passo para ser isso mesmo, o que te faz diferente dos milhares de
jovens que começam precisamente assim, ¡provando!, e se transformam em
parasitas vegetativos com esse maldito vício. ¿Que necessidade você têm para
recorrer a este ato? Você tem o que tanto queria o Menudo e ser um artista
famoso, ¿que demônios está te acontecendo? Criatura de Deus, que coisa tão
terrível está te acontecendo que te induz a usar drogas."
"Papai, você está
equivocado, todo mundo usa isso como se não fosse nada: doutores, advogados, executivos
etc., eu ouvi falar que até o Edgardo Díaz já usou."
"¿E você pensa que
com essa desculpa esfarrapada vai justificar sua ação? ¿Quantas pessoas, ao redor
do Menudo, você conhece que são homossexuais? Agora diga pra mim, ¿que só por
que eles são você vai se transformar num também? Olha Raymond, busque outra
desculpinha, pois essa não me satisfaz em nada."
"Não é isso que eu
quero dizer, mas sim que é bem comum e não necessariamente indica que vire ou
não um viciado. Eu não tenho um hábito, papai, só a provei como curiosidade."
"¿Quando?"
"¿Você se lembra
quando fomos a Boquerón para filmar o especial?, Foi lá."
"Agora vejo por que
você se jogou na água com roupa e tudo, e porque estavam se escondendo e
cochichando entre vocês. ¿E os outros garotos?"
"Papai, ¿você
acredita que eu sou o único?"
"¿E o Edgardo já sabe?"
"¡Ai, papai! Como
ele não vai saber, o que acontece é que ele não quer mexer em casa de marimbondo
e olha para o outro lado, ainda mais agora que o grupo está perdendo a popularidade,
e como o Charlie vai sair e sua única esperança de um regresso triunfal é a
novela. Ele pensa que vai acontecer o mesmo aconteceu quando gravaram a novela
"Quiero Ser" que todo o mundo começou a pedir o Menudo por causa da
novela. Te digo que as únicas coisas que interessam a ele é a sua "fantasia"
e o "Menudo dinheiro".
"Raymond, ¿Quem foi
que te deu (*maconha)?"
"Eu sinto muito papai,
não é que eu queira te esconder nada, mas não vou te dizer. Eu fumei isso por minha
própria responsabilidade e ninguém me obrigou. Eu não sou um fofoqueiro e não
penso em contar nada. Eu te prometo que não vou mais fazer isso, mas não me
faça dizer quem foi."
"Pois então Raymond,
¡Você sairá hoje do Menudo!"
"¡Papai, por favor,
NÃO! Não faça isso comigo, que eu te prometo que não vai acontecer de novo, eu
te juro pela minha própria mãe."
"Mas Raymond ¿Como
você pretende que eu te deixe ficar nessa fábrica de perdição que rodeia o
ambiente ao redor do Menudo?"
"Papai não é o
Menudo, não pense que é culpa do Menudo, e sim foram erros meus e da vida solitária
que esta gente nos faz passar sempre presos em um hotel. Não nos levam para
nenhum lugar. Proibiram-nos de fazer ligações a nossas casas para o hotel não lhes
cobrar a taxa pelo serviço de operadora. Não nos deixam mandar a roupa para a
Lavanderia do hotel e temos que ficar usando a roupa suja por baixo e por fora
tão bonitinhos. Antes podíamos pedir o "serviço de quarto" e agora
nos proibiram. Por isso é que eu sempre gosto de ter dinheiro para não depender
de comer só quando eles desejam que eu o faça. O pai do Robby teve que dar um
cartão da American Express para ele, porque você sabe como o Robby come e frequentemente
, com certeza ele morreria de fome se depende só desta gente. O Menudo é a
única coisa que distrai a gente verdadeiramente.
Vivemos o palco porque é o nosso escape, nós desabafamos, suamos, pulamos e na
realidade é como estar brincando na rua. O Menudo é a nossa vida e se tirar-me
dela arrancaria um pedaço de mim. Eu sei que algum dia eu terei que abandonar o
grupo, eu me preparei para esse dia por que sei que ele vai chegar, mais sair subitamente
é outra coisa. Papai não estou preparado emocionalmente."
Que momento difícil para
um pai, pois qualquer decisão que tomasse naquele momento seria a decisão errada.
Se eu o tirasse do grupo ele se rebelaria e poderia ficar doente, pois eu lhe
conhecia muito bem. Se o deixasse a probabilidade que voltasse a usar drogas
era alta. Continuava surpreendentemente conhecendo mais e mais detalhes do interior
do Menudo e a gente que o rodeava. Cada dia eu gostava menos da ideia de ter meu
filho nesta situação, assim como ele, eu também estava preso entre o meu filho
e o Menudo. Ambos me arrastavam para eles, pois apesar de tudo que eu ouvia eu
adorava o grupo e o conceito com que foi fundado. Para mim era doloroso ver que
algumas pessoas estavam destruindo esse conceito sem haver sequer uma razão
para fazê-lo. Estavam usando o grupo para fins de cometer crimes ilícitos
aproveitando o imenso escudo que o Menudo proporcionava. Ninguém se atrevia a questionar
o nome do Menudo. Seus personagens sempre estavam dentro de uma cortina de
fumaça bem segura e só se sabia o que eles queriam ou entrava quem eles
quisessem. Era o ambiente ideal para o homossexual e para o viciado. Tudo podia
ser escondido, por isso era que o menino era doutrinado desde o começo a calar
tudo pelo "MENUDO". Aqui estava o ponto, pois não se calavam para
proteger os malfeitores, mas sim para proteger o Menudo. Abracei o meu filho e
chorei como se o tivesse perdido.
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