Fizeram vários shows ao redor da
ilha antes do grande show no Hiram Bithorn. Infelizmente durante aquele período
minha filha Glorily pegou catapora e pela primeira vez minha esposa e minha filha
não puderam assistir a um show do Menudo em Porto Rico, isso desde que nosso
filho entrou nesta organização. Chegou o momento da despedida do Charlie Rivera
Massó. Todos esperavam que houvesse uma despedida ao nível de Ricky Meléndez já
que o Charlie tinha sido o segundo Menudo que ficou mais tempo no grupo. Por
cinco anos se rendeu um trabalho artístico extraordinário no Menudo, ainda que
sua gloria fosse manchada pelos incidentes em consequência da Itália. Apesar de
tudo o Charlie era muito querido por todos nós e ainda é. Deram-lhe uns presentes
de despedida, mas se notou que o Edgardo não queria dar muito colorido ao assunto
do Charlie. Novamente a emoção do grande show do Estádio Hirám Bithorn se
sentia desde as primeiras horas da manhã. Pelo segundo ano consecutivo mais de
30.000 fãs se aglomeraram neste grande estádio. A entrada tão emocionante do
Menudo no helicóptero não deixava de impressionar-me. Todas as fãs se agitaram
ao ouvir o barulho de suas hélices.
Novamente haviam construído um
grande palco com três passarelas acrescentando ao show uma magnitude de
grandeza incrível. Eu continuava com a interrogação de por que a Padosa
continuava falando e demonstrando grandes perdas de dinheiro quando a demonstração
de popularidade do Menudo não diminuía pelo menos na aparência. Era difícil de
entender que com toda a grande experiência que estas pessoas tinham no mundo do
espetáculo continuava pintando um quadro tão devastador. Os jornais e revistas
não estavam publicando absolutamente nada sobre o Menudo, e, além disso, a Padosa
não tinha nenhuma pessoa que se encarregasse das relações públicas do grupo. O
Edgardo continuava achando que o Menudo não precisava da imprensa, pois com a televisão
ele chegava a mais pessoas do que através dos jornais. Também declarava que se a
imprensa quisesse saber algo do menudo eles que buscassem, pois ele que não ia gastar
dinheiro em algo que se vendia sozinho.
Casualmente comecei uma conversa
com uma pessoa de dentro da Padosa que tinha muito acesso a informação que tão
secretamente eles guardavam. Suas palavras me demonstraram que a Padosa estava
com mais problemas do que eles davam a entender. Seus problemas não partiam
precisamente da suposta queda de popularidade do Menudo, mas sim dos múltiplos
processos judiciais que haviam se estabelecido contra a organização. Estes
processos milionários eram em sua maioria por não cumprimento com diversas
situações comerciais e titulares de licenças de produção de mercadorias. Um
destes processos era por seis milhões de dólares e que aparentemente ia muito a
favor de quem processou. Esta pessoa declarava que ele via o movimento econômico
como um aparente complô para declarar eventualmente a falência da Padosa. Tudo o
que se via e se ouvia de lamentações pela economia era para pouco a pouco semear,
especialmente nos pais dos bebês, o pensamento de que as coisas estão indo mal
para que lentamente eles pudessem tomar as ações Pertinentes de dissolução.
Tudo o que essa pessoa me
informou confirmava minha suspeita de que estava acontecendo algo esquisito.
Fiquei mais convencido de que criar um escritório para Raymond era
indispensável, pois o que aparentava vir eram dificuldades para os garotos, que
em longo prazo eram os prejudicados.
Entristecia-me pensar nesta
eventualidade de que o Menudo cairia em desgraça econômica. Meu amor por este
grupo era tão visível que muitas pessoas acreditavam que eu tinha interesses econômicos
com o grupo fora os interesses de meu filho. Estes cinco meninos representavam
para mim uns filhos, uns verdadeiros amores. O que me angustiava mais era o fato
de que não se separava o grupo em si da Padosa. Quando se falava disto não se
dizia o nome Padosa, mas sim Menudo. Preocupava-me com isto porque tudo o que
fizessem se refletia diretamente nos garotos como Menudo. Sempre expressei que o
Menudo e Edgardo são separados, apesar de que ele criou o conceito. O Menudo assumiu
uma personalidade própria que representava o bom, o limpo e o exemplar. O Edgardo
representava o fator intermediário, o fator de coesão entre a personalidade
ideal do Menudo e a personalidade econômica e comercial da Padosa. Mas este
fator de coesão, o Edgardo, estava infestado de rumores e suspeitas de envolvimento
homossexual com alguns membros do Menudo. Para tanto tudo o que se dizia ou se
pensava de negativo dele respingava no Menudo, já que o fator de coesão estava
sendo motivo de escuridão. É como dizem por ai "Se a cabeça está ruim os
pés têm que estar piores" era o que precisamente se aplicava com o Menudo.
Eu continuo insistindo que a cabeça não era o Edgardo, mas sim o Menudo.
Definitivamente se notava que
alguma coisa andava mal, incorreta e sinistra. Mesmo que não se pudesse pôr um selo,
era certo que a situação neste momento ainda estivesse escura e escondida. Minha
esperança como a de muitos outros estava na novela que depois resultou ser
"Uma Novela Sem Rumo".
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