terça-feira, 24 de janeiro de 2017

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Fizeram vários shows ao redor da ilha antes do grande show no Hiram Bithorn. Infelizmente durante aquele período minha filha Glorily pegou catapora e pela primeira vez minha esposa e minha filha não puderam assistir a um show do Menudo em Porto Rico, isso desde que nosso filho entrou nesta organização. Chegou o momento da despedida do Charlie Rivera Massó. Todos esperavam que houvesse uma despedida ao nível de Ricky Meléndez já que o Charlie tinha sido o segundo Menudo que ficou mais tempo no grupo. Por cinco anos se rendeu um trabalho artístico extraordinário no Menudo, ainda que sua gloria fosse manchada pelos incidentes em consequência da Itália. Apesar de tudo o Charlie era muito querido por todos nós e ainda é. Deram-lhe uns presentes de despedida, mas se notou que o Edgardo não queria dar muito colorido ao assunto do Charlie. Novamente a emoção do grande show do Estádio Hirám Bithorn se sentia desde as primeiras horas da manhã. Pelo segundo ano consecutivo mais de 30.000 fãs se aglomeraram neste grande estádio. A entrada tão emocionante do Menudo no helicóptero não deixava de impressionar-me. Todas as fãs se agitaram ao ouvir o barulho de suas hélices.
Novamente haviam construído um grande palco com três passarelas acrescentando ao show uma magnitude de grandeza incrível. Eu continuava com a interrogação de por que a Padosa continuava falando e demonstrando grandes perdas de dinheiro quando a demonstração de popularidade do Menudo não diminuía pelo menos na aparência. Era difícil de entender que com toda a grande experiência que estas pessoas tinham no mundo do espetáculo continuava pintando um quadro tão devastador. Os jornais e revistas não estavam publicando absolutamente nada sobre o Menudo, e, além disso, a Padosa não tinha nenhuma pessoa que se encarregasse das relações públicas do grupo. O Edgardo continuava achando que o Menudo não precisava da imprensa, pois com a televisão ele chegava a mais pessoas do que através dos jornais. Também declarava que se a imprensa quisesse saber algo do menudo eles que buscassem, pois ele que não ia gastar dinheiro em algo que se vendia sozinho.
Casualmente comecei uma conversa com uma pessoa de dentro da Padosa que tinha muito acesso a informação que tão secretamente eles guardavam. Suas palavras me demonstraram que a Padosa estava com mais problemas do que eles davam a entender. Seus problemas não partiam precisamente da suposta queda de popularidade do Menudo, mas sim dos múltiplos processos judiciais que haviam se estabelecido contra a organização. Estes processos milionários eram em sua maioria por não cumprimento com diversas situações comerciais e titulares de licenças de produção de mercadorias. Um destes processos era por seis milhões de dólares e que aparentemente ia muito a favor de quem processou. Esta pessoa declarava que ele via o movimento econômico como um aparente complô para declarar eventualmente a falência da Padosa. Tudo o que se via e se ouvia de lamentações pela economia era para pouco a pouco semear, especialmente nos pais dos bebês, o pensamento de que as coisas estão indo mal para que lentamente eles pudessem tomar as ações Pertinentes de dissolução.
Tudo o que essa pessoa me informou confirmava minha suspeita de que estava acontecendo algo esquisito. Fiquei mais convencido de que criar um escritório para Raymond era indispensável, pois o que aparentava vir eram dificuldades para os garotos, que em longo prazo eram os prejudicados.
Entristecia-me pensar nesta eventualidade de que o Menudo cairia em desgraça econômica. Meu amor por este grupo era tão visível que muitas pessoas acreditavam que eu tinha interesses econômicos com o grupo fora os interesses de meu filho. Estes cinco meninos representavam para mim uns filhos, uns verdadeiros amores. O que me angustiava mais era o fato de que não se separava o grupo em si da Padosa. Quando se falava disto não se dizia o nome Padosa, mas sim Menudo. Preocupava-me com isto porque tudo o que fizessem se refletia diretamente nos garotos como Menudo. Sempre expressei que o Menudo e Edgardo são separados, apesar de que ele criou o conceito. O Menudo assumiu uma personalidade própria que representava o bom, o limpo e o exemplar. O Edgardo representava o fator intermediário, o fator de coesão entre a personalidade ideal do Menudo e a personalidade econômica e comercial da Padosa. Mas este fator de coesão, o Edgardo, estava infestado de rumores e suspeitas de envolvimento homossexual com alguns membros do Menudo. Para tanto tudo o que se dizia ou se pensava de negativo dele respingava no Menudo, já que o fator de coesão estava sendo motivo de escuridão. É como dizem por ai "Se a cabeça está ruim os pés têm que estar piores" era o que precisamente se aplicava com o Menudo. Eu continuo insistindo que a cabeça não era o Edgardo, mas sim o Menudo.
Definitivamente se notava que alguma coisa andava mal, incorreta e sinistra. Mesmo que não se pudesse pôr um selo, era certo que a situação neste momento ainda estivesse escura e escondida. Minha esperança como a de muitos outros estava na novela que depois resultou ser "Uma Novela Sem Rumo".


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